sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
Bem sabe ela do tempo. Não mais respira, mas aguarda e inspira. Morte dos outros apenas... Os minerais de Augusto dos Anjos já a permanecem sem que ela nasça. Os ciclos se cumprem e se dissolvem no amanhecer que consola a pedra. Esses ciclos medem a vida, a pedra acompanha com testemunho cego, mudo e agourento dos segredos.
Tranca a porta e o tempo. É casa, é jazigo, é o caminho. Fez poeta, fez morte. Iludiu-se, educou. Esmaga, apóia. É a justiça enquanto tudo pede passagem.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

E se enfim

E se enfim o sangue pudesse ter seu valor reconhecido por pintar o interior da capela? Logo também pelo seu rito genético dado no primeiro pedido em Genesis ao que o nascimento também pode ter seu significado de paz reprimido em um tiro...
Do crucifixo à cruz, a antítese de Pessoa confere o que Hegel entende de nós sobre a consciência. Dói, realmente sente. Mas prova da própria máscara para ver como será. Corre os olhos metaforizando a liberdade assistida. Exagera enquanto há corpo e oração, santificado seja enquanto homem!
Ainda haverá quem se dobre para forçar sua alma ao incólume final que lhe impõe. O perdão não convida à ceia, mas agrada na mudança. A fartura significa nova atitude. O ouro, a metáfora do bom-dia.
Como ser sangue se o tratado já foi assinado com a lança perfurante em nossa pele de alma cativa? E nós, lançados ao espaço, da palavra restou o gemido. Ah! O otimismo dos céus! Daquele otimismo que contamos carneirinhos buscando o sono e sem mais bocejamos incansáveis. O otimismo que muito reza. O otimismo que, do amor cego, qualquer lampejo de visão é um pretexto para se apaixonar... Ainda gozamos dos gemidos!
Por ainda que tenhamos fé, a energia se desdobra no presente entre ela e a inteligência. Por mais científico que seja, escorre o sangue pelas rachaduras do próprio templo. De humano, o infinito concede o pensamento. De volta ao primitivo, a conquista ainda envolve brutalidade. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Sobre sapiência acadêmica e disposição animalizada de se dizer o que pensa

Dentro de um sábado de sol lá fora, rindo à vontade do quão uma conhece a outra, resolvo nostalgiar um momento:
- Recordei-me quando estávamos entre amigos e, te apresentando a eles, disse que enfim havia eu encontrado a minha deidade...
- Ah! – pôs-se a gargalhar – Que vergonha... Assim retruquei: “de idade não, Larissa! De idade, não!”
- Haha... Mas não te acanhes, linda. Todos têm diversos significados para conhecer, seja por dia ou por uma vida...
- Eu percebi que depois deste meu fora, teus amigos ficaram de risinho sonso...
- Mas que – interrompi-a – a experiência de vida não te deixou abalar nem te rebaixar. Essa é a diferença entre a soma de títulos que eles se vangloriam ter e a experiência de tua idade que paga tributo ao teu singelo e sapiente modo de dar a volta por cima: finalizando com sorriso sobre as tuas falhas. Isso denota que não te preocupas e que assumes viver tais falhas humanamente. Isso é sabedoria...
- Tu tens a melhor forma de confortar meus cinquenta e poucos... Mesmo assim admiro demais e gostaria muito de ter tido uma formação como a tua. Não tenho mais tempo para isso, logo chego à minha vitória com o orgulho que tenho de ti, amor...
- Gosto deveras de ti, namorada. És uma mulher madura de olhar acerado e, me arrisco a dizer, arrogante. Até vejo teu desdém pela cultura como algo escolar... Algo que mescla inocência e elegância, concentrando em grau o imaculado poder que te dás ao luxo de afirmar qualquer barbaridade sem que ninguém se importe... Ao contrário de mim, cuja academia leitora não permite se jogar instintivamente às críticas. No mais, ao aprender sobre relacionamentos, descobri pelo nosso namoro que há sempre uma Eduarda para alguma Mônica...
- A diferença da música é que a mais velha é a aprendiz e a mais nova é a inteligente...
- Viu como a completamos ainda mais mostrando mais um lado.
- O melhor presente que tenho é um parecer teu.
- Aprende então que a forma mais leve de lidar com notícias ruins é nos esforçarmos para melhorar o futuro. Leiamos, amada. E deixemos a imaginação fluir.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

“Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho que hoje eu passei batom vermelho”


A boca vermelha. Doce cor ressuscitada à Bela Adormecida do sexo. Está ela ficando velha e experiente em me deixar insone! Ao contrário das outras bocas encarnadas que ordenam aproximação, aquela boca afasta. É subvertida! E divertida ri da marca deixada por ela na minha bochecha. 
Corou essa com toda vontade dela. Da boca dela. Da palavra dela. Um desenho dela com a artística pesada daqueles lábios grosseiramente superiores a toda negação que eu lhe queira proferir... Prefiro-a! O vermelho pintou-a, tornou-a musa “alegre como dom” de sangue palpitado às nossas curvas tremidas dentro do vestido.
Deu corpo àquela carne de cor. Grudou óleo ao borrão entregue a sua nudez. Espalhou desespero e exaspero às finas arrugas dedicadas ao meu sabor. A pele minha ganha a cama da confissão dela “ao pé da boca”. Não há ouvidos senão para as promessas grunhidas daquela boca. Não há ouvido que mais se aguce senão para os desmandos daquela cor vermelha.
Desando... Desatando o laço. Dormir é uma peça de roupa que derrama em fios sem começo ou fim. Embolam-se no chão, fora do alcance do corpo, enquanto neste corpo ela costura energicamente com os dedos fios a boa-disposição da insônia. Princesa de beijo vermelho à outra princesa da cor de corpo... Ela conta a história decorando o quadro de pele de vermelho. Contamos declarações à cor do coração: feliz.


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Aliança


Observou a roda viva que no símbolo figurava-se o moinho de voltas triturantes. São órgãos e lágrimas à água movida para não apodrecer. Somos crianças e incertezas a partir do silêncio que a promessa do fim prospera.
Sem mais, vestidos de moça não ventam a roda viva. Se promete ela sambar, que faça em cima do meu caixão. A fita amarela de sol antigo e brasante com bravura desmancha a ternura da voz ansiada ao ler o nome dela ali escrito. É dizer, salva-vida n’algum expresso suspiro ao nascimento qualquer.
No alento, uma queixa resumida. Foi na sua espera a criação da minha desculpa. Um tempo ardiloso em que a poesia torna-se a rima da hipocrisia... Sonhou a esperança. Cantarolei Cartola inspirando-lhe confiança à sua responsabilidade. Dei-lhe liberdade. Ela compromissou a liberdade dada. Significou amor.
Um pêndulo à sorte do humor. Exclamação duradoura durante o reticente amanhã vindouro. Perante as mesmas águas movidas pelo moinho já tomamos decisões importantes no seu final à beira-mar. Transformamos períodos simples em questionamentos. Seguramos as mãos sabiamente fortalecidas contra os nãos. Seguramos as mãos sabiamente, não sacamos as armas.
Não cultuo a minha porção louca, mas também não a reprimo. Seria eu uma hipócrita se não deixasse qu’ela fizesse parte da minha responsabilidade. A pessoa antes distante, que deixa livre, sabe, ao voltar, achegar-se de novo... Escolhas e esperas combinam com amor.
Resta, portanto, se jogar no sofá – tão longe – trocando o vinho à beça na cabeça pelo uísque à beça n’alma. O caleidoscópio dos velozes enfim acha o tempo achado nos beijos furtivos. Somos Clarice à crônica alinhavada independente de.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades II

- Ainda não compreendo tua tristeza desde que saímos. Tentei pegar a tua mão e te esquivaste. Tentei te acolher, mas desisti quando usaste a desculpa de preferir o envolto frio da echarpe ao meu abraço... Estás aborrecida! Diz-me por que.
- Porque tu me fizeste passar um mau momento.
- Eu?! Eu por quê? Alguém te ofendeu sem que eu visse? Ou...
- Não. Todos foram amáveis.
- Não gostaste dos meus amigos?
- Não são teus amigos! Não foi a comemoração! Não foi o local!
- Então o que foi?
- Fui eu! Eu! Eu que completamente estava fora de lugar!
-...
- Tu não imaginas, Larissa, o mal que me senti quando, por exemplo, me perguntaram “que opina: a convivência mata a paixão?”. Ah, como eu vou saber? Estou casada há mais de trinta anos. Nunca tive tempo para considerar. Outro fato “o que a senhora faz?”. Eu?! Agora estou aposentada, mas só me dediquei à minha casa, às minhas sessenta horas de colégio, a fazer as compras do mercado, a atender ao marido e aos filhos. Sim, eu tenho três filhos! – arquejou – Meu Deus! Três filhos! Que inconsciência! Que mulher hoje tem três filhos? Não, Larissa. Na minha época se tinham os filhos que se pariam e ponto! Nunca tive tempo para pensar! Tampouco para saber o que queria com uma graduação meia-boca, sei lá, e ganhar em sessenta horas de serviço o que tu recebes em vinte horas pelo teu doutorado. Ah, então, aparece quem já interagiu com textos feministas: o que a senhora pensa a respeito de Camille Paglia ou de Susan... Susan não sei quê?
- Sontag. Susan Sontag.
- Isso! Susan Sontag. Obrigada.
- Querida, há temas comuns em cada geração e conhecê-los não implica...
- Não delires, Larissa! Não me venhas com isso! Se não, o que seriam, pois, os temas comuns à minha geração? “Quanto é o quilo do tomate?” ou “assumir o sobrenome do marido e se portar em todas as festas da família dele como se a minha não existisse mais” ou as fraldas, a mamadeira do bebê... O quê?! Vamos lá, escolhe um tema dos menos chatos para “debatermos”! Mas nada de Mario de Andrade, de Lygia, de Chico Buarque, de Bakunin e ideais que me façam pensar, certo?! Ou, ah, tu consideras que trinta anos de casamento são desculpas suficientes para que o mundo existisse lá fora sem mim?
- Não, querida.
- Também não, Larissa. – Ela pega a bolsa.
- Espera! Aonde vais?
- É tarde. Acredito que... muito tarde para tudo. Menos para me lamentar... – Ela fecha a porta. E eu a abro, atrás dela:
- Claro! Afortunadamente tarde. – esbravejei – Confortavelmente tarde porque assim tu podes seguir a tua vida como até agora! Seguramente tarde porque seria difícil e doloroso se ainda estivesses a tempo de que o mundo não seguisse o seu curso sem ti, claro, porque então terias de mudar!
-...
- Espera-me, eu te levo. – acalmei e peguei as chaves do carro – Não, melhor, deixo as chaves contigo. Eu te empresto o carro. Vai. Vai antes que um resquício de vontade de viver te invada e arruíne os teus planos de não formar parte da vida.
-...
- Anda! O que esperas? Vai. Vai ao encontro da tua “idade” que te coloca venda nos olhos, tampão nos ouvidos e te canta uma canção de ninar para que a vida não te arruíne. Quem sabe assim não tenhas mais um “mau momento”.
-... – Dá meia-volta.
- Espera! Posso te perguntar uma coisa?
- Posso evitar que o faças?
- De que te lamentas? De ter me conhecido? De ter aceitado essa relação? De que passamos momentos agradáveis? De sentir? De quê?
- De não ser jovem para ti...
- Vem, querida. Vem. Não dês atenção ao que falas!
- Mas sou, Larissa. Dentro de quatro dias farei cinquenta e seis anos.
- Bom, então tu não és vinte e seis anos a mais que eu... És vinte e cinco anos e cento e trinta e quatro dias. Que alívio, verdade?!
- Lari... Lamento tanto te amar.
Aproximo-me do seu pescoço...
- Não. Não devo te amar! Tu não tinhas direito algum de entrares assim na minha vida! Tu me despertaste uns sentimentos que... não sei como lidar. Eu vivia tão tranquila antes de te conhecer. Realmente. Tranquilíssima! Sabia quem eu era... Agora vivo dependente de uma visita, de um telefonema, um “whats”, de que me chames nas horas mais erradas; ainda assim angustiada e com medo que um dia deixes de me amar...
- Agradeço-te.
- Lari, não posso viver sem ti. Sem teu sentido, sem tuas sinestesias, sem tuas poesias, teus medos, tua hipocondria... Eu não quero viver sem ti! No entanto, te parece divertido adentrar na minha vida e... levar toda minha vida adiante.
- Tu te enganas.
- Mas são sentimentos que eu jamais devo sentir! Que devia ter deixado para lá.
- Que sentimentos?
- Estes sentimentos. Estes sentimentos.
-...
- Se não tivesses me deixado sozinha, talvez eu não me aborrecesse com perguntas sobre “Susan Sontag”, por exemplo.
- Nunca te deixei sozinha.
- Não?! E quando apareceu aquela tua colega te puxando para uma conversa particular?
- Eu estava te notando a cada segundo! Não ficaste só e isso foi rápido.
- Mas eu senti que não tinhas olhos sem que fosse para ela!
- Minha ciumenta!
- Não te envaideças. – vai à janela – Além disso, por que eu teria de ter ciúme da tua colega? Para nada. Para nada porque tens razão, Larissa, sim, estou com ciúme!
- Vou te colocar ciúme mais seguidamente então... Pois te tornas linda quando me amas...
- Que vaidade é essa, professora? Vaidade de saber que os ciúmes são o amor?
- Se não são, se parecem...
Ela dá às costas.
- Olha para mim. Olha... – taco-lhe levemente a tampinha da garrafa do uísque, ela se vira e sorri docemente – Olha... Tu não tens nada a temer.
- Nada. Nada. Somente tornar-me louca por ti.
- Eu te amo, querida. Amo-te muito. – beijo-a – Pensaste em me deixar?
- Sim. Todos os dias. Enceno. Fujo de mim.
- E não consegues.
- Não. Amo-te.
- Queres acreditar que eu também?
- Sim.
- Ao invés de dizer...
Calei-me e beijei-a por tudo que era face e respiração. Abracei-a ternamente. Prendi-a entre as mãos e desfiz a sua prisão têxtil. Ela preferiu apagar a luz...        


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

Aprendi a mexer nela, desaprendi a tempestade...

- Nota-se que nada está fora de lugar na minha casa. – Abri o uísque e o vinho, servi o copo e a taça.
- Exceto eu.
- Saúde.
- Ainda não entendo por que fazes tudo demasiado bem para o meu gosto...
- Digo-te “obrigada” ou lamento?
- Quem lamenta sou eu.
- Algo aprendi das mulheres – e que ainda não havia descoberto em mim – é que quando não se entende o porquê de suas palavras é que ela venceu a partida.
- Estou muito crescida para jogar.
- Não, não posso esquecer, já que a cada cinco minutos tu me lembras que és...
- Vinte e seis anos, Larissa!
- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
- Que gênio prodigioso tens, professora Larissa. Característico da tua idade.
- Por que te afeta tanto a minha idade?
- Por que te aborreces quando te falo da minha?
- Porque te amo.
-...
- O que me pira não é a quantidade de anos que estás a minha frente...
- Desculpa, não quis te ofender.
- A cortesia sobre a verdade é virtude dos cinquenta?
-...

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Entre amigas: a passividade do possível


Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso antes da Primeira Guerra... Pegando o seu eixo freudiano, sem a infelicidade, a frustração e o trauma, provavelmente não haveria cultura. Já interagiste com o Mal-Estar na Cultura?
M: Não, mas já trato de procurá-lo! Adoro Freud.
L: A fascinação pelos períodos difíceis deixa-nos revelar que o interesse pela felicidade é aparente. Há, sim, uma sedução pela tirania, pelo terror, pela morte e, consequentemente, pela infelicidade.
M: Mas agora, por favor, completa isso com João Cabral!
L: Ah, sim... – Sorri – “A felicidade dá trabalho!”
M: Este “trabalho” parece algo de mau-gosto...
L: Falar sobre felicidade foi se conduzindo para ser um estímulo à inveja, pois ainda é importante a pessoa manifestar certa dor existencial.
M: Felicidade é cultuada por alguns como sendo “falta de consciência”... Pois, se tomamos vista, por exemplo, os casos de miséria, fome, desigualdade e outros tais que indagam “por que você está rindo?” e ordenam com chantagem “você devia estar chorando!”, vimos que o ato de ser feliz tornou-se algo delituoso.
L: Por exemplo, por que os períodos de felicidade política, como na Grécia clássica, eram importantes, mas também períodos como o nosso, do individual, é causada pela “auto-ajuda”, já que hoje o indivíduo – desobedecendo Drummond – é mais importante que o coletivo?
M: Que perguntas mais tu recomendas? Amemos a ignorância!
L: Hahahaha... Amar é temer jamais. Isso cria uma epifania maravilhosa: pesquisa e textos bons! Ler é uma companhia enorme.
M: Perguntas interessantes com resultados difíceis, mas que sejam uma experiência permanente.
L: Tu sabes que esta experiência é chamada de Democracia, né?! Ela revela absolutamente a capacidade do ser humano de integrar a diversidade...
M: Temos a habilidade de criar história.
L: No entanto, sem escolher circunstâncias, não como bem entendemos, ao passo que diria Marx, e sim baseados naquilo que nos foi transmitido pelo passado.
M: ...
L: Bom, já é tarde. Vamos lá, precisamos ir e deixar segunda acontecer.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A sorte da Rosa!

Foto: Larissa e...


A insustentável dificuldade de domar sentimentos. Calar-se sobre eles. A gente se cala, mas muito se suspira... A gente reclama do domingo, mas se lembra que o melhor da vida ocorre nas suas madrugadas.
Pelo menos, a arte existe para eternizar os bons. A poesia acolhe e conflita com a imparcialidade de Newton – a prova de que o uísque, mais que o vinho, ascende aos céus na figura de um messias.
E canta suas Antífonas! Invoca, provoca o futuro incauto de que será amanhã. Espírito triste. Não resta enquanto imenso antes de estar entre os silêncios de uma música e outra, reconhecendo que não sabe mais contar os dias.
É sim a falta que ela me faz e que desfaz os dias! Infinitos pedaços! E o sentido apenas como a décima nona parte de toda felicidade...
Há um desses dias em que a pessoa me ama ou nunca mais, pois tudo de mim renuncia e derrama fácil. Para de escrever, longamente. – Olha-me ela. E aconteceu!
Sinto-me leve no sofrido conluio da garganta espremida por todos os lados. Não há como desafinar Cazuza: Eu preciso dizer que te amo...