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Teoria da sujeição

O muro constrói a hipocrisia? Desde quando Lulu Santos avistou gente sincera preparada para dizer sim, ou no momento que Cazuza pedia para ser socorrido por uma ideologia, o ato de ficar em cima do muro mostra que isso é o princípio para se dar bem sem o mísero pedido de desculpas. A hipocrisia insiste em nos rodear. Pessoas são muros pela habilidade do que lhes convém, enquanto inimigos (ainda) são colocados no poder. Overdose, HIV: aqueles que tentaram pular o muro ou socaram-no, pisando fora da lamacenta vereda da conformidade, são heróis que morreram de hipérbole! Piedade, piedade é o que nos resta rezar, portanto. Na desculpa de não agradar a todos, existe aquele pagador de promessas cínico cometendo a heresia de comparar-se a Cristo, mas, diferente do ingênuo Zé-do-Burro, carrega a falsa cruz esquiva de suas culpas e mal-criações fanáticas de benevolente ego em sorriso aleivoso. Foi público, foi para a privada.  E aquele garoto que ia mudar o mundo? Frequenta festas, assiste a tudo…
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Natal

Entre comemoração e festejo existe um hiato. Uma linha tênue distinguindo a fartura capital e a fartura como vida. Apesar de seguir os ritos judaicos, fui criada em uma família diversa e, não obstante, me é comum felicitar entes queridos com um abraço de fraternidade natalina. O que também não me é raro tomar para mim como reflexão este dia, à parte da baderna e fanfarras etílicas. Criada em um ambiente diverso, como já escrito, sou uma judia que lê o Novo Testamento. E nele há a passagem na qual Yeshua (Jesus) diz que veio para que tenhamos vida em abundância. Nesse pensamento me ponho, a cada ano que envelhece, no lugar da abundância: o que ambicionei, o que julguei, o que ocultei, o que sou, o que tenho. Tudo me leva a sérios resultados cujos preceitos de imperfeição ainda me definem o laço eterno com a humanidade. Não festejo, mas comemoro o Natal sem ceias opulentas ou montanhas de presentes para enfim me advertir de que a condição humana aguarda todavia a redenção prometida. Com…

Democracia

Uni duni tê Disputam egos no ringue Com direito a éfegê O excluído foi você!
Lá em cima daquele plano Tem um copo de veneno O ingênuo bebeu, morreu, O azar foi seu.
Minha mão mandou Eu socar Este daqui Mas como eu sou Muito corajoso Vou denunciar Neste texto aqui

Uni duni tê

O que é legítimo enquanto escolha? Ou poder de escolha? Quando a escolha é capaz de tornar legítima a nossa voz? Infelizmente não conseguimos. Os quase cem por cento das nossas vozes não conseguiram. Nossos sonhos com elas escorrem como os soluços que agora são as vírgulas entre as nossas lamentações. Infelizmente não conseguimos. No entanto conseguimos ter a honra de estarmos cientes de nossa escolha e que dela sabíamos que sim daria tudo certo. Daria... Ó, futuro incorreto da incerteza, dependente de condições.   Democracia, teu apelido amistoso é escolha. Democracia, teu nome é poder. É inflação do ego. É uma mão de leve no ombro ingênuo e a outra puxando o tapete. Neste ano vivemos os dois lados da “voz do povo”: de um, a voz insipiente que deteriorará uma nação; do outro, nossa voz de mudança conquistada, mas retirada pelo infortúnio do mau caráter. Voz do povo é, ainda, aquela que vota, elege. A bem da verdade, é uma voz que mais pede por socorro do que canta vitórias. Eis o erro de…

Recado da nuvem

No último feriado, 15, minha querida emendou seu descanso ao meu lado, visto que em São Paulo foi feriado também o 20 de novembro. Rumo a SP, ela pegou o último voo de quarta-feira e me beijou em dia útil. Concluímos a semana como sempre em nosso relacionamento: por tecnologias de aproximação. E sexta é seu dia de dar aula até às 23h na universidade... Conversamos por face time enquanto ela dirigia voltando para casa e logo seguia com seus rituais antes de dormir. Vi-a por inteiro como a distância entre tempo e espaço, daqui até onde ela está, que descreve o mesmo regozijo, porém em viagens diferentes, às vezes de sentido afã. Beijo de boa noite, um te amo para que confie em mim... Eu segui desperta... 

Agora, em Santa Maria, no breu silente da madrugada, derrama a chuva que se estende em saudade até a cidade dela. Pelas nuvens é levado o recado dos olhos desta que chora...

Ela é toda prosa e poesia

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O cuidado de amar com ciúme

- Não entendi por que ela destratou minha convidada. - Gente, e aquela hora que ela começou a arrastar as cadeiras, do nada, bem na fala da sua convidada? - Percebi nela uma falta de tato e um tanto de despeito, mas deixei para lá. Procurei deixar minha convidada o mais bem acolhida possível. - Pois é, um tema tão importante de palestra. - Ah, Larissa, cê que é mulher não entendeu? - O quê?! - Que ela estava se mordendo de ciúme! - Ahn! – abri a boca estupefata como se toda minha trajetória supostamente sábia até o doutorado caísse por terra tomada pelo tiro que me jogava morta na ignorância de não ver, diante de mim, um interesse feminino... - Hum... Acho que falei demais. Nós, bixa velha, sabemos de tudo o muito, mas pecamos em deixar transbordar indiscretamente... - E nem precisa! – fui tomada por uma alegria, na verdade, um salvamento. Meu D’us! – pensei – eu interesso a ela. Uma mulher cuja guisa estamparia os modelos franceses de arte; cujas palavras proferidas são ora a enciclopédia, or…