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Faces: um ensaio sobre a (nossa) qualidade única

O que é o plural senão um significado de direitos? De pleno gozo de direitos. Agir e discursar, características humanas, apreendem a performance coletiva da formalidade pública, é dizer, que concede à palavra política o conceito de sua ação, constituindo-se por todas e diversas representações.    Agir traz a política ao Ser: do que quero/queremos ser. Quem sabe o fato seja entendido como aparência, porém, que então encontre a dimensão performativa nesse tempo de direito a ter direitos, cuja ação promoveria efeitos interessantes e surpreendentes (para o bem) na cena publica: liberdade e igualdade mobilizadas para além de suas articulações positivas.   Liberdade é o reforço da própria responsabilidade. Dois substantivos femininos, aquela primeira que assim pode começar a ser exercida a partir do que se reivindica. A autoafirmação como resistência prenuncia o diagnóstico crítico sobre a produção identitária de gênero. Do feminino que assume o referencial para pensar e atuar os movimen…
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Consumir e ganhar, e a sós (nada) pensar

A teoria busca intervenção. A prática elenca critérios. Superar a transformação da realidade compreende a tarefa instrumental da atividade intelectual com estatuto de procedimentos que partem da justificativa, do incômodo, por vezes interessados (aos mais emotivos) das atividades espirituais. A metafísica – desde Pessoa a Heidegger – favoreceu o ambiente pesquisador como tradutor hermenêutico da entrega e do resultado – fosse uma ilusão proustiniana de qualquer tempo perdido, ou de Milton, no que se refere à perda de um paraíso em outrora afirmação de aproveitar ou sobreviver, tal as dicotomias da vida... Com a fenomenologia da vida ativa, a exploração do interesse diluiu a oportunidade na servidão e consequentemente a felicidade tornou-se sinônimo de saciedade. O estatuto do pensamento – além do caráter problemático no exercício de pensar – traça um vínculo distante da possível valorização do diálogo e da convivência. A condenação pública a partir da sociedade de consumo levou o diá…

Vidradas

Foi uma borboleta ilhada em um pequeno espaço com vidro e moldura com reforçado quadrado de madeira que causou a avaria. Precisou de uma janela que olhava o significado externo e movimento enquanto liberdade cobiçada entre paredes. A atenção se centrava na professora que ensinava curiosidades sobre a língua portuguesa. O inseto atraiu apenas o olhar da professora. Os alunos, ocupados com o conteúdo e com a atividade, nada se motivaram para contemplá-lo. Durante a chamada, cada nome ganhava um desvio de mirada da docente ao alto no qual estava aquele par de asas coloridas abertas. Estaria morto? Perdera-se? Ou seria o peso das asas confundido com a pena do labor de libertar-se? A professora pediu licença para subir na classe de uma aluna. Queria alcançar a borboleta e, com um lápis, tentar que ela ali se agarrasse para logo entregá-la ao ar daquele portal à física liberdade. A borboleta se esquivou em todas as tentativas: bateu asas, foi de um lado a outro no mesmo quadrado se agarran…

Ética e espaço público: um breve ensaio

Em breve sairá meu voo, anunciou uma bela voz feminina no alto-falante. Entre quem se atrasa e quem caminha lento tentando igualar o significado de tempo com falta do que fazer entre as lojas e cantinas do aeroporto, analiso o espaço-mundo do “desculpe, com licença” e do “vamos sentar aqui” e “daqui a pouco” e fones de ouvido para concertos particulares de tédio... Sobre mim: Bons leitores desconhecem a espera. A concentração é o verdadeiro diluidor do tempo. Eis a interpretação: conceito não é lei.  O fazer individualista é ilusão. Embora haja vezes que a solidão nos acompanhe, sempre será imprescindível a companhia da outra pessoa, mesmo que seja para o pensamento. A ética suporta a indagação: com quem desejamos ou suportamos estar juntos? E disso oriunda contemplação empática e responsabilidade pessoal. Com quem desejamos ou suportamos estar juntos revela muito sobre os nossos exemplos de julgamento e consistência de ações. Na atividade do querer está implícita a afirmação do outr…

Apocalipse de mim

Envolvidas pela luz da velha e fraca lâmpada fluorescente da biblioteca, no chão entre discos, livros e rascunhos de avaliações finais (porque toda poesia tem sua justificativa no fardo), jazz e paz, uma chuva fina, carinhosa finalmente, neste fim de mundo:
- Se você não existisse, Larissa, eu teria de inventá-la.
- Talvez isso te fizesse uma releitura de Mary Shelley, um bocado Dr. Henry Frankenstein.
- Não, isso me faria um Big Bang.
- Que escolha curiosa! Por que não D’us?
- D’us é muito homogeneizador para você. Toda criação divina vem impregnada de um discurso de amor fácil. O Big Bang é mais visceral, é imprescindível, mesmo que a gente não entenda, não aceite ou não ame. Prefiro pensar assim, Larissa, como a grande expansão de algo muito denso e quente e frio que acontece radiante, incontrolável, intenso, impulsivo, impassível e impossível, mas espetacular na sua frente e...
- Boom?!?
- Sim! Eis o universo você.
- Isso foi muito bonito.
- Claro que foi. Isso foi você, Larissa.…

Pó de compaixão

A fotografia que deu errado, mas que achei bonita mesmo assim. Por vezes há beleza no erro e errando tenho a possibilidade para sempre melhorar. Quando tudo dói, deseja-se o básico: “ar para respirar, chão para caminhar...”. Há quem diga que quando as pernas não funcionam a cabeça funciona; e eis que ando com os olhos relendo rascunhos e isso tem me rasurado o coração. Fora eu talvez tão concreta como as coisas de quem escreve dando-se conta que a saudade ficara guardada em gavetas mal trancadas... Passarinho? Que som é esse? Quem sabe o nome dele? Quintana voou por mim enquanto todos se foram. Com todo este meu tamanho, o que posso dizer sobre valentia? Talvez ali, naquele sol que tem rastro de rua, eu me ajude a caminhar; e logo o momento quando a lua faz caminho e forma de mim os passos para os meus sonhos guiar. Porque isso traz a resposta da alma... Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Pela narrativa dizem que ela é Espectro

Chamei Guimarães Rosa para me falar sobre coragem, ele preferiu falar-me sobre saudade. Pressinto no feriado a vereda pela qual farei intensa viagem para dentro de coisas adormecidas em mim. Que esteja aberta esta minha casa de relato.  Andava com uma saudade impecavelmente latente em mim. Custo emocional alto de quem busca equilíbrio na loucura da arte. Um pé no chão, o outro voa.  Procurei amigos perdidos, amores de olvido, paixões abandonadas. Permaneci indelével. Em meio a um turbilhão de novas pessoas, amigos, alunos, colegas, pesquisadores, universidades, viagens, artigos, ensaios, contatos, eu não a vi ali tão carente de mim a esperar a reciprocidade que sempre teve: Oi, Solidão! Solidão, que bom te rever. Como amo de ti o fecundo tempo comigo. Reaprendo limites, ângulos e formas de um monólogo cujo tema entrega à linguagem os óculos do direito. Sigo assim, quanto maior a flexibilidade, maior é a força. Aos fatos meu mais sincero: muito obrigada. Um te amo por toda paciência d…