sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Paso doble

Aquele lado obscuro da lua – nota – muito se assemelha ao piscar de olhos um d’outro. Tudo ao redor dela é vácua lenda como o corpo, para nós, é incógnito deleito para o qual suplicamos, em venturosos sorrisos, a sua porta aberta...
Faz-se no peito meu
A uníssona rima que a si mesma bateu
E com vigorosa estima o preza
Neste silêncio tenaz!

Concluirá a plástica de nossa intuitiva descoberta, diga-se, cuja fase requerida apressa meu fragrante alento ao violar teu objeto arrepio que, na verdade, eu confesso com beijo de práxis (sem rotina).
O corpo é coincidência da cama
A palavra é coincidência do sentimento
A conseqüência de ambos cobrou tara, incorporou alma, almejou respeito – entre meus seios – na viscosa vazante a te escorrer verdade! Junta tela à esparramada tinta alva; com as cores lá de fora a lua fecha seu emblema... Acompanhamo-la também encerrando-nos em tecidos sombrios e claros: colorida concordância da saudade.     

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Estro amarelecido

Meus são os olhos amarelos elogiados por aquela menina... Disse-me que a diferença deles combinava com a focal cor terrosa. Menina acha bonito! É menina cujas cores são seu tempo único (agora, amarelo).
Na sua história, meus olhos amarelos tinham o poder de mirar o Sol por um período prolongado, absorvendo sem piscar a viva solução... Logo, a açucarada estampa quente, imaginou ela, com saborosa energia d’existência.
Dores, apenas as quedas, que correndo trazes, menina... Sustentam meu riso os seus personagens e a sua fada, que tem laço, me amarra nesta cura d’esperança... Verdade é o que dizes, a haste de condão quiçá macule ao tocar todos nós, humanos frágeis de corpo e de sonho...
Estes olhos amarelos e tão teus, criados de mágica tua, que somente eu ouço seu eufemístico eco... A voz pura desta menina não se ondula em ais, não acolheu idade para adulterar a face e tampouco adquiriu a doentia dilação do afeto... Sua voz acredita que a cor pertence ao arco-íris; tem fé em seu final... Que ressuscite assim...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Um risco pela novidade interessante

Alar a imaginação – pede o exercício prático do rabisco... Seria cinismo este ensaio de fadiga pronta na desculpa do sonho? Vê, meu bem, a expositiva visão ao monte que alcanças e o apoio de teu braço... Este te pesa a vontade, tu adiantas, mas e se recordáramos tudo que há vivido a ficção ao saltar teus olhos da janela?!
Como Ismália, somos o preenchimento idealizador entre os mundos, um sobre e outro sob nós... Ousamos asas, mas corremos o risco de pousar em crateras provocadas pelos tropeços dos outros. Nunca desfaça o teu ar, meu bem, teu suporte de condução e lançamento do próprio corpo...   Cuida-te.
Quão paciente a atividade, uma proposta mansa e obediente. A boiada segue a sina do trabalho ante o pensamento outorgado de valer à pena; E como este tarda a chegar, meu bem... No entanto para a crescente qualidade a imaginação criou novo espírito durante o traço cansado da face...
... Na confiança do mesmo assim...
Aprende a beleza através do que te abstrai. Desconstruir-se é um dom limpo condizente com o período lutuoso das águias... Tal origem em surdina alimenta nações de possibilidades com direito à contrariedade, caso opte pela vontade de viver...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Arguição da caminhada

Foto: Larissa Pujol

Ouçam! É explicação dada por um mundo de voltas que buscou, reencontra e indicará novo ciclo.
O que lhes faz sonho? A canção do beijo platônico n’almofada ou o aprendizado? Totaliza-se, pois, este ingresso vantajoso de décima juventude graciosa. Cometeria indiscrição sua velhice, logo depois, às pazes d’uma ida...
A dizer-lhes em curto espaço, o longo laço aqui recebo em meu invólucro mater-sapiense... Nas prévias manifestações de vida que têm, vejo alguns jocosos passos a saltitarem orgulhosamente por mais uma etapa. E vocês são corpos em construção; esguias alternativas entre sentimentos de flor sem pecado velho.
Em instantes, suas definições retas, curvadas ou não, contarão com a ajuda (também da desventura) para se tornarem heróis. Então: – Apresente o diálogo e as armas se rendem! – é o meu aprendizado que compartilho, em particular, com cada um de vocês.
Que a ordem não lhes cause o medo. Muito a pedi, vocês sabem, e ela será seu artefato de êxito, vocês compreenderão. Confio-lhes a proeza da escolha. Já!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

À estrofe de Byafra

A razão, em vista da pena, rascunha a cabeça de detalhes que se fazem veracidade na culminância plena d’um descanso exilado em si. O perfeito se torna um ponto próprio-clerical e os joelhos se rendem ao solo limite de sua entrega... Ensinar a este racional sermão que as (con)sequências das imagens são permissivas em relação à querida letra falada, sobressalta a conduta infinita deste grande plano que Davi mirou...
Feixes de luz contam raízes sentenciais enquanto a patética ligação das retas dera o xeque-mate no dedo incisivo. É dizer, o ganho a contar o corpo que cá bem invoca o derrame escuro do véu no canto triste da viuvez a ninar... As cigarras secas amanhecem sob os acordes de distintos chamados, talvez felizes, avisando que chegou outro dia de verdade.
Acontece, com um espírito e outro, o assombro desta dúvida nas paredes do instinto... Larga-se à deriva d’um abraço a carente rubrica de Ícaro no pensamento qualquer... A copular-se nesta orla estão meu santo forte e minha carne fraca...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Trocadi(l)(n)ho

Na palma da mão, a moeda d’ouro se recolhe fria. Cabe a pele viva animá-la para finalizar o pagamento. Dourou a visão – eis a estratégia – num caso de valor; ou o número do peso enriqueceu o seu alimento?
A criança pinta o trocado sob a folha raspando carbono... Um grunhido na periferia d’arte... Antecipou com rabiscos a multidão (logo mais) curiosa por sua matéria; que, portanto tomou forma, intraduzível dinamismo e tornou-se um tesouro fundo-de-cofre.
A soma felicitou o seu anseio! Prezar, ao menos, a ansiedade – esta camuflagem já escolhida pelo gasto da sobrevivência – que fique feliz a premissa assim ganha!
O centavo transmitido de mão em bolso envelhece a cara e entrega a coroa... Para a serventia mendicante foi agradecida, esfumaçada ou deglutida com espetáculo... Visto o tempo, esquecera-se a cor que pouco sustenta um largo sorriso... Foi culpa do ouro!  - Arrebata o antropólogo.  – E estou satisfeito!  - Responde o dourado redondilho menor antropofágico...

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Feito pela mão do estilhaço

Um dos vidros da janela possui o seu próprio sol... Um astro de arraias cortantes brilhando o incolor... Quão acessível é, através de sua frieza provocante, tocá-lo! A extrema parte curiosa, com infantil apego, encaminha sua carne ao núcleo; já na metade bloqueada recebe o beijo da brisa abrindo ferida.
Álgida estrela de um soado disparo tambor! Na íngreme avenida corre a ruça complacência na roleta da fortuna!  - Anunciou em tempo real a tela do astro escolhida a tiro... Àquele sono apaziguado, é apenas um ruído que oferece esconderijo ao vento... Noutro dia, a obra-vidraça d’arte pede compaixão ainda que o resto do ódio aqui perca seu ouro de pólvora entre os cômodos.
Irregular formato de lástima neste cristalino capricho que consome o tecido. É sublime quando o parte: rouba a si a natureza vermelha do fogo que foi espalhada. A dor é cálida. A porta é breve. O provável arrasta a sorte envolvida no manto da noite... Embalou-se o predador estirado sobre o asfalto! A vizinhança o observa pelo buraco de cada sol cumprimentando o bom-dia!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Fanático resto


Uma avalanche de tintas brancas é a tua breve paisagem. Terra nua-magra tragada pelo ignorante heroísmo. Não posso impedir que te preocupes em quebrar os ossos, mas torço para que não descubras a nostalgia nesse pacote de Natal...
Parênteses são adendos num papel. Na cara, o sorriso é parido por um deles... Enquanto a tua curiosidade levanta a aba do vestido alheio desvendando o imo gerado em meninos e meninas, torço para que não sangres teus joelhos como os meus...
Com vontade de arrepiar a pele com algum metal dedilharás o contra-baixo composto pelos frenéticos passos intuitivos desta rua. Tu pedes "bis" ao terminar a narrativa do menino e o poço, e eu torço para que apareça uma cor bonita ao fechares os olhos...
É, filho, deveras, tal é a energia disposta que jamais te ocorreria acreditar na existência da palavra "passado"... Depois de o plantão mencionar, tu vens correndo e me perguntas o que significa "sobrevivência": não posso impedir, mas torço para que não compreendas a altura desse céu que desenhas através das cicatrizes...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Com licença vocacional: é a vez de vocês, meus pioneiros...

Apresento-me nos dias antes de conhecê-los com uma colher de chá para a timidez, porém com livre vontade de amá-los. Seus rostos, eu chamarei de filhos, suas peraltices, também chamarei de filhos e seus afagos confirmarão a tinta engendrada neste ventre vocacional. Incipiente, eu?! É apenas a idade minha antes de conhecê-los...
Assim desenho um assento visando outro assento no local de cada genética, para mim, transparente. Assemelho, aniquilo os sentidos; é-me defensável e defeso suas condições neofisiológicas até presenciá-los nos cadernos...
Aproximam-se vocês da minha direção com significados distintos, um por um explicados no contexto de mim. Adorno-me de propriedade para construí-los! Emprego os mesmos pilares entre si e mantenho a efetiva relação irradiante que tocam o universo para auxiliar, fundir, confundir as suas variedades... Ah, deveras, isto é “tão” Semântico! – Não se preocupem! Cuidarei ao inseri-los... Caso pareça estranho, formaremos expressões que participem o encontro da boa-nova.
Considero cá o plantio feito durante meus dias antes de conhecê-los... Uma fonte diria que reproduzo o novo como sempre apareceu, a impressão. Bom, eis a qualidade rudimentar de ensaiá-la.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Motivo e...

Just a mouth confess... (Imagem: Larissa Pujol) 
 Isto é o que você avalia em minhas palpitações. Juro que a um leigo passaria despercebido apenas o sorriso conhecido, mas não entendível... No entanto, a você permanece o que na solidão ouço. Sou seu estudo que pouco me interessou!
Descobriu?! Em meus rabiscos e palavras marginais aquilo que me negava assumir?! A primeira alternativa sem desvio é a visão; e seu estímulo é sentir antecipadamente. Veja, pois, por qual vias sanguíneas escorrem e sobem ladeiras de sístoles e diástoles alegres e austeras. Temi a fraqueza quando descobrissem, contudo muitos afagos se perderam em minha inflexível respiração. Os ensinamentos passados, minha parede de peito!
Um todo cru você descobriu!
Se [me] calo, a pergunta é a sua educação. Se [me] pronuncio, o assunto é nosso caso... Sabia que me ocorreu acreditar nesse oculto apetite? ...Escondido em paisagísticas faces no envolvimento d’um beijo... Suspeito em qualquer cena deixada à responsabilidade d’um pâncreas adoçado... Quem me confessou e ensinou tal tese [já] havia debilitado sua emoção.
Certo, você me convenceu! Agora presencie partes de mim surgindo de armários, estantes e gavetas...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Os irmãos PorQuês e a moça Justiça

- Do que precisas, Por Quê? – Pergunta Por Que.
- D’alguma preocupação. Melhor, da precaução. – Intromete-se o Porquê, irmão do meio.
- Por Que, viste? O anúncio esqueceu-se dele! – Vocifera Porque – Denominou, descreveu, delegou sem ti, caro irmão Por Quê! E ainda tenta com astúcia solucionar antes que denuncies.
- Calemo-nos! Lá se aproxima a menina Justiça! – Ordenou Porque – Cabe-nos auxiliá-la. É uma jovenzinha de modismos.
- Principalmente o de usar um tecido talhado nos olhos. – Sussurrou o Porquê para Por Que.
- Ah, Senhorita Justiça, você possui dotes de elegância, mas nunca aprendeu a andar sobre o salto alto! – Indaga Por Quê oferecendo seu antebraço para apoio.
Os outros PorQuês entreolham-se procurando um porquê para não rir...
- Por Deus, Senhorita Justiça, não fique sentada por muito tempo... – Aconselha Porque virando-se para os outros irmãos e cochichando ironicamente – senão acabará com bolhas onde estamos pensando!
- Ah, Porque, não a deixe ruborizada! – Disse Porquê. – Esta senhorita precisa, ora, poupar suas enérgicas lidas; e para isto, menina Justiça, ofereço-lhe o meu acento circunflexo para que se deleite sobre ele. Garanto que jamais houve um motivo que desaprovasse a eficácia deste meu artigo de lei!
- Descarado! – Altera-se Por Quê.
- Que motivo tens para tal falta de respeito, irmão do meio? – Retruca Por Que.
- Não liguem, este é banal. – Comentou Porque.
- Seus desaforos! Por favor, defenda-me, Senhorita Justiça. – Apela o Porquê no meio das expressões acusadoras...
- Sinto, mas a estratégia do teu pedinte socorro satura-se de conseqüência, carece de dúvida, incumbe o motivo – ou seja, tu -, e ainda finaliza com a interrogativa da tua ignorância. Logo...
A moçoila Justiça volta-se de costas gingando os quadris e senta-se acomodadamente cruzando os joelhos nus frente aos irmãos Por Que, Porque, Por Quê e Porquê. Continuou:
- Resolvam-se!, enquanto eu me aprazo assistindo ao último capítulo da telenovela.
Com a sensualidade dos anos 20, Justiça leva suas mãos delicadas ao rosto e abaixa o lenço que venda seus olhos... A revelação da cor destes coube somente aos irmãos ali presentes...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O simples humano... SuperaCão...

Um cão qualquer supera as emoções nele depositadas. Feliz esse tal que nos espera embora esqueçamos o próprio corpo... O cuidado ele tem ao rever aquele que mantém a guarida do afago e, na vontade de conversar, compartilha onomatopéias contentes sobre o seu dia...
Desperdiçar cansaço é prudência quase impossível! Quiçá digerir dizeres para que o fígado os sintetize no bom-humor... Tudo é solidão que nos assiste pelo olhar do vira-lata. Cá, a raça da gente boba e arteira a servir de roteiro circense ao animal: caçou, coçou, divertiu e sobreviveu.
Entre ele e nós a mesma presa – o convívio. Somos a pressa constante da onipotência, enquanto ele, fielmente nos observando, procura ser  humano. Sorri, arfa com fascínio e não esconde a natural necessidade do abraço e da proteção.
O bichinho nos vive no tempo em que fantasiamos historinhas antes de dormir tranquilamente... Aniquila as nossas falhas assim que desperta. Fareja nossos passos até o fim da casa e despede-se com grunhidos antecipados de saudade...
Após os portões, as caras de “cada um cada um” se conduzem pelo dia medindo a força assassina com as horas. Carregamos fardos objetivos para, ao menos, a compaixão latida felicite a nossa volta...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A sensualidade da doença

O mal por que o corpo padece é o mesmo que nos deixa suscetíveis à cama paciente de dor. Sem bramidos, todo o interno se queima de vida pela própria dor - derroca o imo agressor longe do seu bem violando a dor em seu ato de respirar, comer, partir.
Cá, Doença! Esta menina sempre virgem curável, experiente em corpo dos outros, faminta por imunidade. Sem querer, entra bela. Ora pulsa nossos arfantes peitos em tua homenagem de dor, Doença! Ora nos asfixia a tua alarida passagem após a batalha febril sanguinária.
Tudo é o que nos deitas, Doença! Aqui, moldes de pele jogadas nos leitos com submissa entrega. Consumida fortaleza com tamanha passividade, nós. Invisível?! No que vemos, invariável! Um beijo alheio para o acostumado até logo; a sanidade daqueles que rondam estes materiais para o gesto agradecido.
Nos toques, a íntima carne colocada à prova da desistência. Tentas a tua peita, Doença, mas a sensualidade que em nós cativas, embora nos deixe prostrados, também nos faz curvar de deboche...
Flácida vontade e a face móvel da palidez são atrações deste prostíbulo nosso, o corpo. Maquilada por drágeas, eis tu, Doença, a nos ensinar na cama o teu trato (mais uma inúmera vez).

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Overhear the (hard) calm...


Sobre a mesa, um convite da noite...
Com vaidade carrego o tambor do meu revólver para melhor iluminar sua face.
Confundir luminárias suspirando o exagerado resto da vida é corriqueira anedota deste bairro... No caminho, prefira, meu bem, estar entre o muro e mim; pois conheço as direções do vento cá fora. Isto não é crendice, é passagem. Assim confesso minha calma ao ouvi-lo mencionar meu vulgo apelido “Exclamação” com carinho...
Por estas ruas, gritos e trovoadas fecham as portas. Apenas um fato comentado na hora do café. As propostas não morrem, mas ensinam um bom final... Coragem, aqui, se faz nos esconderijos, meu bem... Depois se paga galo por galo denunciando a volta p’ra casa!
Ceda um cigarro a esta língua cortês. Muito gostaria queimar as doenças com palavras – “a letra dá vida”, diz o defunto ao sentir a falta da pena. A dor assemelha a todos indeferindo o resultado da felicidade: por mais difícil que se cure, seu extremo ainda poderemos sentir... Neste lugar, meu bem, o beijo na boca é o único a te fazer confiar alegria ao fechar os olhos.
Exagere, meu bem, os pedidos da sua alma. Você é regalia do meu tempo... Oliveira germinada n’algum passo de areia. Relíquia do meu sangue... Meu norte alcance! Luz da minha arma!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A corrente das horas

Acuda-me, Dia, num toque selvagem e natural d’angico... Segundos se dispersam como suas folhas alertando o novo tempo, apenas os sentidos pairam juntos, de costume nosso o aconchego esperado... Gélidos dias, parentes seus, ontem, nos mantiveram no resguardo da tristeza. Embora sopre a vida corrente açoitando a face, contenta-nos a sua volta sentinela e querida.
A reza d’um sabiá laranjeira tocava às seis da manhã, desafiando a queda estrondosa da madrugada. De um pio a outro, a necessidade da comida; pelas vistas, a coragem arguta da vida. – Em algum cheiro d’água passada no descanso dos olhos...
Espelho móvel de todos os espectros. As poças, uma que outra lama em bom aspecto, definhavam os traços que por baixo nos acusam. Cabeça d’árvore à sala nova que pisa; às vezes, a atraente fotografia que obscura a passagem feia não deixada no lar.
Conosco hoje findou o sol enxugando o ontem tempestuoso. A maior parte dele evaporou, mas não tanto quanto o obsessivo amanhã, que parou no sorriso. Compete ao descanso aquela minha nudez banhada (quiçá de beijos). Deflorado o despertador!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Traço corrido

Abre-me (em mim) a tua varanda. Não chove, e o dia morre de dores... Vivendo passes, cantarola os errados versos de Saturno sem rimar nossos anéis...
O que me dizes, se é jovem ou anoso, não importa: gosto de varanda a passar... Lá e cá... Somos bichos criados pelas crianças; somos lúdicas brincadeiras de criação!
Em várias viagens os adeuses se comparam em todo o mesmo... Levaria ao esmo, mas te digo que não me é complicada a palavra; não esqueço as presenças, não lamento, não sou ópera... Quem sabe um encontro na minha cara de paisagem enquanto o outro se ilude na janela da minha casa?! Sinceridade não teme o futuro; ao olhar para trás assumo que primeiro senti paixão...
Primeiras notas sem pressa... O aceno com a perfeita graça das mãos a dedilhar a recordação: tropicália nunca finda... Sai às ruas, volta para casa e observa a cinza contribuinte dos passos... Olha o que lá amou, o que lá matou... Frio e quente fazem parte do ano, da pessoa e do banho.
Somos manifestos... Somos festas... Anfitriões assassinos do fim... Varando...

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Escrito quiçá feito...


Numa comemoração cujo prazer presenciar-se-ia com a ausência de todos, valem a pena as fantasias etílicas. O ácido sabor gélido da cevada, a língua amortecida pela beirada metálica trincada e a falta de quadros desenháveis num lençol fazem com que minhas pernas, de repente, fossem maratonistas de primeira viagem e caíssem na morbidez gravitacional.
Depois de alguns momentos de conversa deglutida, a simetria dos corpos se homogeneíza em minha mente puxando minha atenção. Aproximou-se de mim, Florêncio, meu colega da literatura.
- Eu me ofereço um gole!
- Olha que meu fígado e ele já estão ficando... – Alertei-o.
- E este “ele” há de querer compromisso?
- Só num quarteto de Alexandria.
- Incluem-se as bocas que beberam, ou seja, as nossas?
- ...
De fato ele estava muito atraente naquela calça de alfaiataria que, afrouxada em suas pernas finas, o assemelhava a um anão. A sobriedade é traiçoeira, dizia Hemingway, e ela nunca me deixava ver os belos traços profundos na testa de Florêncio, nem as curvas-sinais nas bochechas ao sorrir. Poeticamente imagino que seus grisalhos são os rastros que a lua deixara nesta noite...
- Sempre gostei do teu cabelo. – Confessei-lhe.
- Eu também sou fascinado pelo teu longo acaju. – Tomou uma mecha em sua mão e devagar foi desmanchando como um folículo de algodão doce...
Acho que meu colega me beijou.
O final é justamente o que relatei até aqui, de acordo com a dose única que me foi oferecida em sua casa.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pela gente

Ensina o sentimento às crianças para que logo o tenham. Sabemos que é fácil pegar um amor e chorar. Concluímos que o interativo conhecimento nos será crítico – todo o sempre – na criação do problemático personagem.
Quão formal e respeitoso o ritmo de pessoa! É um âmbito corporal comunicada na oculta linguagem do pensamento. Assiste ao filme clássico esquecendo tua historia: veste o figurino, porém; e narra-te paralelo aos documentos incorporados pela tua idêntica arte (ou intérprete).
Leitura ensaiada sobreposta na conversa entre os alheios e os adquiridos... Qual a melhor forma de en(si)(ce)nar? A entrevista feita de pessoa a pessoa durante as cabisbaixas ruas, questionando o que saberia sobre o outro...
Vamos partir da estética, na linha horizonte, argumentando com desejo final a paranóia social. De cara com a patologia histórica – interior e exterior – um homem forjado por estes elementos discursa consigo o desconhecido... A tecnologia do “eu” íntimo pelo ponto de vista da memória – conto da vida aprisionada ao se auto-observar na escuta! Qual a precisão de nossas impressões? – A aparência nos suspeita para ser. O contato com o interior, uma fenomenologia... O que é o oculto? – A desconfiança; resposta na vontade de controlar o outro ou no arguto medo de ser controlado... Aprende-se.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

“menos dos seus versos ou prosas”

Faleceu como se delatara as observações da geração seguinte. O defunto foi transformado em beleza e doçura na maquiagem da falta... (Calado) revelou, antes na sua retórica compassiva, todos que ali lhe choravam.
O enlouquecimento à Ovídio dramatizou a voz em seu corpo. Suspeitou-se da mãe ao vê-lo distribuído em roupas herdadas: em cada peça havia um discurso mediado pela compaixão. Cada beneficiado tornou harmonioso e quieto o sentimento na busca d’um símbolo a sua seqüente vida; e isto amenizou o dito inútil, visto que os sorrisos jogados naquele local muito o amaram com gratuidade.
Um jogo de palavras traçado naquela guisa seca pela crueldade da sobrevivência. Sabia que tudo era cíclico e que o legado é uma cova vazia. Aprendeu que por trás do pedido há uma confissão – nunca prometeu o seu passado à falácia, apenas concluiu sem margens.
Digamos, pois, que este lhe foi o seu melhor momento. Venceria ainda se estivesse sito n’alguma batata como verme... Ofereceu o banquete na incólume travessa de madeira escura; ao lado, avistara-se a orquestra composta por uma harpa, um cozinheiro, um juiz, um bíblico, um carteiro, uma matadora, um coro de vadios e um público de cobradores. A nota publicada: Missa Culta do Galo Velho no seu Sétimo dia de Ovos d’Ouro.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Puellae-Domina

Qual o teu problema de representação? O silêncio? Muitas vezes, tem certeza, ser opaco é a melhor arte de atração – uma pintura de mistério ou de carência: a decidir! Que quero!
Aqui leio e assisto, mas não sei o que me projetas no aproveito da minha cegueira – cá plateia sou analisável, bem sabes, na tua alegórica interpretação sensorial minha. Ação me rastreia em ti – símbolo que me recebe na tradução da difícil causa silenciosa. Aclarar-me-ias o discurso psíquico sem desvendar o efeito; na fragmentação, antes culpa que descaso! Não lamento as gentes, meu caro! A linguagem igualmente física para o teu tipo, meu único ataque na tua espera em caleidoscópio – a tua importância somente na ação – experimento o doce baixo que me sorves.
Todo tu é plano! Quão mais me encanto com o que de mim projetas; um falseio do problema na tua natural recepção. Vai, dramatiza a quietude! O que ainda não encontraste em mim saberás fazer... A característica do meu caso se derrama na formal cauda do vestido que de mim brota – são ou mortífero – para um amigo cuja emoção dá o direito à perda.
O que acontece? – Perguntas-me pela vez dedicada...
Acuso-te de suspeita! Tal maneira de reclamar na consequente Pandora.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

In Orco

Toma-me em teu frágil colo, Doninho. Viste que sou uma peça primitiva, confusa e inconsciente – tudo que em ti conflita ao expirar o contemporâneo. Nossas convenções?! – Drama d’época ainda explicado nos pensamentos e motivos.
Face, ofereço não eu! Nulo de traços intrínsecos, digo, uma falta involuntária contra a vontade do sujeito insopitável, jamais partida d’alguma maldade essencial. Acúmulo de traços no rosto, quantas tipificações a mais faria? Não há fome em Télema; mas inda resta o vício do personagem burlesco, de fascínio público, que esquece a vice-questão do protagonista.
Complexa relação, Doninho; se sei! Solilóquios! – Não te explico! Não lembro!
Já me envolvi em peças paranóicas como a tua, de linguagem rasteira, de mito maldito, de atmosfera negra. O que são os sonhos? Para que servem? – Concepções populares com poderes mágicos. Crença (por vezes) apatetada fiel à procura. Desfacelamento sócio-bicho, Doninho. Fragmentos para o ponto de vista histórico dado na década.
Conteúdo fantasmagórico denso de caráter. Aberto o espaço e o porquê de te deixares seduzir (por mim): “Viste que sou uma peça primitiva, confusa e inconsciente – tudo que em ti conflita” – nome d’um bicho sócio (?!) Toma Meu descanso em Teu arfante manifesto de força, Doninho...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Soft you now!

Olhas-me com a desconfiança de Panurge, mas sei que não recusarás o que te aproveito; assim, dizendo em cálidas palavras um toque de cálice, ambas sensíveis e encarnadas. Quem seria o personagem enroscado entre as pernas? Duras penas são serviços de agrado no que me calaste...
No que é matéria, o completo se adorna do invisível pulsado – relembra a sede para que nada siga. A conversa que se acalme nesta disposta consequência dos genes! Roda, caminho íngreme, és o alcance que me abraça. Não me peças a volta da recordação, embora fite a saudade.
Paisagem descrita no teu zelo cuja linguagem colore a ira e a felicidade: Eu, tu, cá, lá, o palhaço a lavar sua excêntrica maquiagem com as próprias lágrimas. Dramático infinito de insaciável soma; criadouro e matina – seja o definitivo semblante permitido, visaste tu. Intrépida risada qualificada em minha armadura desprendida do dorso!
Pleno término teu! O movimento da face agonizante pede a comparsa fissura de minha destra. Uma tenra e solidária liberdade braçal que te acolhe impedindo a álgida braveza deste clima. És manso e imperioso, enfermidade sem vontade de cura. Bramidos, deleito, o que seriam? – Ai!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Terra próxima geração, redoma!

É o que vemos: um cemitério prenhe; a digestiva gente reclamada à saudade. Tal discussão que brindáramos bastou à redoma do céu, este globo somente em nossos olhos. Constrói a cera cá em terra o sentimento de menino ajoelhado – veja as penas aladas surgidas do dorso ereto em gesso – mas perca-se na cinza aberta que vê.
Vestiu a pressa com educada serventia: uma pessoa de qualquer bondade nos planos de si.
– Acoberta de tempo este presságio. – Ordena o cemitério prenhe e sensível.
Este necessita o terreno para gerar os destinos nunca vistos e receados. Perigoso nascimento caso cresça a infanta intuição prevista nos sermões.
Aqui se concebe e se enterra. A ideia é apenas uma permissão da vida para se chegar a um proveito de criança; tal visa à montagem da própria casa sem saber que embora nascido esteja em geração... Formosura repartida por gêneros para confessar a mise-en-abyme da extinção. O porquê está nos filhos que roubam pouco a pouco sua beleza. Vagarosa pele voltando ao amontoado substantivo rezado.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O segredo da Lagoa da Pedra

A senhora cá presente acumulava promessas corpóreas de era uma vez. Ouviu quem não a esqueceu na submersa camuflagem argilosa; mas, quem sabe, tentou escrever a incolor estada dos córregos.
Boa lábia desta que soube contorcer consequências nas sombras. Ria frente à crença da propina num futuro ansiado por sobrevivência. A senhora cá presente contornou manualmente as linhas, os encarnados montes, e apontou os esbranquiçados caminhos pelos quais traduziriam a caricatura de um mapa corrigível. A experiência foi digerida pelo passado já confirmado e escutado pela apatia – a parte secreta que viveria opõe-se com o monólogo evasivo de luz.
A senhora cá presente é toda gota! Desde os ralos expurgos que carregam a fadiga dos vermes aos escorregadios ascos encontrados em sua boca. As mãos desta senhora não teme esconder os tremores... Muito demonstra os pavores ao arrastar seu povo deglutido...
Você soube daquele mergulho na pedra? Foi um castigo de mãe, apenas de mãe, no canto-mundo entre as eternidades... Dita o constante segredo a anosa narrativa adornada d’ouro. A história imerge-se até as pedras curiosas de humanos...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O cortejo da boa


Resta paciente a atitude que se desfaz.
A inocência aveluda o tecido feito de cascas de pêssegos amarelos: tem-se o resguardo da terra inunda de festejo para o arranque nestas mãos engraxadas de terça-feira.
A beleza supôs que o prato servido concluir-se-ia no mesmo destino; e visou o poço das mesclas profundas de compaixões. O afago fechou a saleta, em jejum. Permitiu apenas o descanso da anedota anã após o exaustivo esforço para alcançar o acento. O banquete foi a rotina da inocência, que roliça, tornou-se obra de arte n’alguma madeira com modos... Pintaram-na de amarela hepatálgica, feitas as nuances breves para adocicar os deslizes. 
Valorado pecado das tintas no dorso pecaminoso da Babilônia. Sob a penúria do risco, a tela honra os manjares para pensamentos adornados. A corda se solta do pião medroso deixando-o cair inocentemente sobre algo hipnoticamente duro; disto se foram as sobras descritas no novo.
- Com a cruz finalizada nos lábios, as beatas se afastam correndo pela ladeira a baixo após ouvirem os roubados badalares dos sinos de Gargantua. Estava anunciado o matrimônio incestuoso entre os irmãos Fiansailles e Fiantailles.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Não dizer culpa

A estratosfera não abandona sua leitura, nem o encanto do solo de Demétrio perderá os pés que em si cansam. As correntes não mais possuem o frio toque; visto o sangue pulsado que as acolhe no manto de pele, como a mãe e a saudade... Quem fere agora?! – Culpou somente a algidez do rio até a outra margem.
Com força de palavras faz-se a celeuma d’algum dístico agelasto. Ao menos [mal] esta espera expressão levantou a casca entre os dentes. Paginou a brancura da ideia, embora importante seja a infinita interpretação, a semelhança dirá sim à hipocrisia sorrida. Tudo é além do visível antes de ser realizado; distante o objetivo de não dizer o final culpável inferido na consciência recusante da seriedade. A constante autoprojeção revelada na sua limpeza... Acalma, pois, a equívoca hermenêutica fantasiada pela língua.
Sem estranhamento ao entender o que não havia: um acúmulo de interioridades agredidas. Ouve-se a menção invertendo o bom x belo platônico permitindo diversas encenações além da causa e efeito. É a educação autoformada em capítulos abstratos, lidos no desmanche da resolução. A certeza aquece o temor neste reduzido apego à existência... Cantou sobre alta camada macia, o chão.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Perdido ouve em silêncio

Ele me perguntou onde deixei o amor. Talvez esteja rasurado numa agenda, na página da sua inicial. Ao lado, o criado-mudo cumpre a guarida de montes picados, tudo conformado na necessidade de fazer o ontem...
Acabamos de perceber que a visita do outro é nós sem pedir licença; tampouco mencionou o por-favor ao sentar-se à mesa... Migalhas tentam escapar da morte jogando-se do alto da boca. Olhar a queda suicida para lavagem. A rotina insiste em ensinar esta esfinge secreta que por ventura mastigou ceias humanas presentes nas hóstias; o banquete de gente rendida às falácias das purezas sustentadas às duras penas.   
Seja o capítulo cantado naquele refrão Agripino, de poderes dignos procurados em lampejos de guerra. Se o dia vencer, a provável mercê não compilará a nascente solidão que propusera – diverte-se, pois, a figura traçada no mundo argumentador de preciosidades.
– Cálculo correto em andamento. – Acreditou aquele em tom perverso...
Deveras, tudo antes fora extraído da natureza, ou seja, nada artificial em nome da retórica! O objeto onde deixei? A narcísea empatia buscada no exagero do seu discurso transparente. Aplica-me o que a si mesmo (se) atribui: Desdemonado!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Contexto do asfalto

Para onde roda o asfalto carbono e tatuado com brancos expressos deveres de caminho? Responde a velocidade sobre o peso do aro condutível; este em que vista rapidez se inverte a ótica dos nossos pés.
Cacos de rua descansam em paz, à beira do meio-fio amarelo envelhecido, os acidentes ali esquecidos pelas diversas chuvas que lavaram suas dores. O festim estourado foi o moleque samba-canção procriado no asfalto, agora, em papel-poeira. Todo o divisível ao lado esperando seus donos – que ninguém sabe e todos esqueceram – etc.
Maleável arrasto suspenso na pergunta de um caminho d’um gráfico ensinado... Asfalto esquiva suas esquinas; a intranquila máscara de piche não apavora. Apenas as sombras nos surpreendem por sua solitária intuição. São caros olhares alheios enganados ante a praça que alumia a brincadeira, a anedota mendicante e a volta-ida para casa.
Contesta a nós o asfalto contínuo de pressa durante as costas d’outro movimento. É calmaria na paralela atitude proveitosa das gentes. Cidade sobre ele aprende ladeiras e gestos curvados de um respeito em pêndulo. A vaidade do sol se espelha revelando um bom-dia cinza de infinitas saídas...