sexta-feira, 9 de março de 2012

Borboleta e rainha

Imagem: Larissa Pujol

Casulo dos polens hormonais na busca da sustentável harmonia. Bendito é o fruto do seu dia, o humor, quando larva alimentanda de terra evacuada e sanguínea. Apenas inserido, crescem-lhe as asas. Excluso, repele as asas na sua culpa de borboleta. Numa, noutra flor saracoteia impaciente ou sedentária da passividade no que se faz sol, no que se faz chuva.
No vento das horas, borboleta inconstante é ponteiro. Sua condição de inseto lhe dá a astúcia do esquivo entre uma pata e outro suspiro que já a tem descoberta. Sua condição de tempo nunca a aterrissa; eleva-a aos paladares de sua própria idade – rainha no cervical caule se apega, ordena semente para cada carência, viça a pessoa na sua fecundidade de borboleta.
Enfeite mediante o corpo, borboleta só e vitoriosa nas cores hemorrágicas alegres ou fastidiosas. O humor, na borboleta, se faz bondoso quando a primavera assim permite seu acúmulo de instabilidade. Algum vestígio de borboleta se expele por toda a matéria enquanto a vida lhe oferece órgãos.
Secreto e interno fluido, pela borboleta, se ramifica no estímulo sanguíneo. Pacífica – qualidade feminil – é borboleta em seu papel distribuidor. Reina ao bom e ao mau-humor, sem que a harmonia se jubile. Claro, de acordo com a sua vontade.