sexta-feira, 23 de março de 2012

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Podemos voltar ao fantasma que noutra hora nos será. Ou pungir o vácuo ulterior com toda a vontade de ser material do mundo para cumprir a incompleta obrigação entre os entes. Revoltadas são as pernas longe do piso ao nascer, e assim, destinada lhes é a rapidez dos dias e da longevidade – na oferta das suas provas enfermas.
A carta nasce da árvore. Num breve descrito ali faleceu o momento como o outono da folha que paira sobre o esquecido solo. A tinta que lhe dera vida não passou de estação; voltará na data marcada para liberar o ritual da semente.
A passagem é núcleo à imensa crença que nos assiste acima. Sem perceber, os caracteres se cruzam com os olhos, mas poucos têm o propósito da memória. Retratam-se em visitas de apreço, uma vez que outra anunciando o breve presságio do acaso. Sem tardança, a necessidade se faz colecionadora de fragmentos que adornam a superstição do esquecimento.
Ler: o mesmo sempre será a procura, que sábia, nos dialoga as novas coisas, talvez corriqueiras, acertando os pontos num texto de vida. Desta obra, pois, a porta se abre a cada virada de página. De muitas já oportunizadas, perdeu-se a habilidade de sair. Visto o simulacro que nos avaliará com sua releitura, após a estante, às traças nos ofertará.