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Um crepúsculo de outono

Imagem: Larissa Pujol

Frio, adorno do descanso, arrepia pele ao toque cinza (das horas). Com suaves tons feitos de propósito consagra a cidade com a vista do seu repouso, embora forçoso, abreviando os passos dos que voltam.

De dia em dia
A morte pressagia:
É-nos de frieza otimista que acordemos amanhã.

O templo arco distante, enfim, permite o flerte dos olhos, antes sorrateiros planos em soneto, para, em papel, beijar sua lucidez. Brisa parábola do dia comete pelas costas os pássaros, que temerosos, piam entre os álamos seguindo um ao outro. Lá, eles se somem à vista escolhida no horizonte tais como espíritos fáceis de aspiração – regressa plaino, amanhã, para a terra.
Que avante o álgido e agudo sentimento sobre a turva extensão. Nesta hora, o dom é belíssimo! Em plácida acolhida, a noite recolhe cada habitação entregue ao desfecho.

O fim é juiz do belo...
Sobre o leito os sentidos adormecem no caminho costumeiro deste fim.

Pois, já está tão longe(?), investigando a fantástica gentileza dos matizes que o compõem. Sincera é a intenção do arroio prateado continuado pelo crepúsculo na vontade fecunda confessional. Bem envolve o mundo com garbo prometendo a volta desabrochada do amanhã. Consolo se busca ao alto do monte, em dias estes, cujo gélido cruzamento se apresenta ante aos caídos ponteiros:
 
que anunciam a calmaria do tempo sobre as cinzas.

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