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Um percalço e... O amigo... (Dedicado a uma letra A. maiúscula e masculina)

Todo o branco do infinito se representa na móvel face da palavra: esta que, embora livre, também é o abraço (d)escrito num cativo porque sincero da saudade...
Carta? – Não. Substituir a falta? – Tampouco. Onipresença? – Talvez. Percebes, amigo, a gama de olhares ao mesmo horizonte enquanto, num dois verticalmente medíocres de certeza, não mais nos pondera este obstáculo criado em nosso imo?! A conversa alcançaria a aurora caso nos reencontrássemos, mas, o adeus tolo de cada ontem abreviou o que escutávamos durante as expressões sorridentes das novidades convividas.
Na decoração dos nossos assuntos, amigo, os projetos de leitura continuavam entre nós; o que eu de ti guardara em página e o que tu de mim destacaras em texto. Descobríamos a exatidão das experiências que nos dedicavam os personagens e, de momento, a literatura tornava palpável esta ilusão através do entrelace das nossas mãos, caro colega.
– É-me nobre haver te conhecido...
... E de ver os dois céus de sua face escancarados quando te deparavas com minhas tais aventuras cuja questão era a atitude tua de libertar-“se” comigo dizendo “audacioso”...
Sim, eu aperto o gesto do último encontro contra as sentidas palpitações desta liberdade prezada pelas palavras. Assim, ouvirei, quem sabe, aquele repetido abraço que há muitos perdões e há muitas despedidas te espera...
– É-me triste, agora, te ter apenas como (des) conhecido...
... Mesmo que por mim tu passes “distraído”, na esquina, logo ali, te observo afirmando um “te amo”, caro colega e amigo. Jamais tropeçarás nisto. Garanto.

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