sexta-feira, 22 de junho de 2012

Contexto do asfalto

Para onde roda o asfalto carbono e tatuado com brancos expressos deveres de caminho? Responde a velocidade sobre o peso do aro condutível; este em que vista rapidez se inverte a ótica dos nossos pés.
Cacos de rua descansam em paz, à beira do meio-fio amarelo envelhecido, os acidentes ali esquecidos pelas diversas chuvas que lavaram suas dores. O festim estourado foi o moleque samba-canção procriado no asfalto, agora, em papel-poeira. Todo o divisível ao lado esperando seus donos – que ninguém sabe e todos esqueceram – etc.
Maleável arrasto suspenso na pergunta de um caminho d’um gráfico ensinado... Asfalto esquiva suas esquinas; a intranquila máscara de piche não apavora. Apenas as sombras nos surpreendem por sua solitária intuição. São caros olhares alheios enganados ante a praça que alumia a brincadeira, a anedota mendicante e a volta-ida para casa.
Contesta a nós o asfalto contínuo de pressa durante as costas d’outro movimento. É calmaria na paralela atitude proveitosa das gentes. Cidade sobre ele aprende ladeiras e gestos curvados de um respeito em pêndulo. A vaidade do sol se espelha revelando um bom-dia cinza de infinitas saídas...