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Perdido ouve em silêncio

Ele me perguntou onde deixei o amor. Talvez esteja rasurado numa agenda, na página da sua inicial. Ao lado, o criado-mudo cumpre a guarida de montes picados, tudo conformado na necessidade de fazer o ontem...
Acabamos de perceber que a visita do outro é nós sem pedir licença; tampouco mencionou o por-favor ao sentar-se à mesa... Migalhas tentam escapar da morte jogando-se do alto da boca. Olhar a queda suicida para lavagem. A rotina insiste em ensinar esta esfinge secreta que por ventura mastigou ceias humanas presentes nas hóstias; o banquete de gente rendida às falácias das purezas sustentadas às duras penas.   
Seja o capítulo cantado naquele refrão Agripino, de poderes dignos procurados em lampejos de guerra. Se o dia vencer, a provável mercê não compilará a nascente solidão que propusera – diverte-se, pois, a figura traçada no mundo argumentador de preciosidades.
– Cálculo correto em andamento. – Acreditou aquele em tom perverso...
Deveras, tudo antes fora extraído da natureza, ou seja, nada artificial em nome da retórica! O objeto onde deixei? A narcísea empatia buscada no exagero do seu discurso transparente. Aplica-me o que a si mesmo (se) atribui: Desdemonado!

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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
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L: Cara, ele disse isso ant…