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In Orco

Toma-me em teu frágil colo, Doninho. Viste que sou uma peça primitiva, confusa e inconsciente – tudo que em ti conflita ao expirar o contemporâneo. Nossas convenções?! – Drama d’época ainda explicado nos pensamentos e motivos.
Face, ofereço não eu! Nulo de traços intrínsecos, digo, uma falta involuntária contra a vontade do sujeito insopitável, jamais partida d’alguma maldade essencial. Acúmulo de traços no rosto, quantas tipificações a mais faria? Não há fome em Télema; mas inda resta o vício do personagem burlesco, de fascínio público, que esquece a vice-questão do protagonista.
Complexa relação, Doninho; se sei! Solilóquios! – Não te explico! Não lembro!
Já me envolvi em peças paranóicas como a tua, de linguagem rasteira, de mito maldito, de atmosfera negra. O que são os sonhos? Para que servem? – Concepções populares com poderes mágicos. Crença (por vezes) apatetada fiel à procura. Desfacelamento sócio-bicho, Doninho. Fragmentos para o ponto de vista histórico dado na década.
Conteúdo fantasmagórico denso de caráter. Aberto o espaço e o porquê de te deixares seduzir (por mim): “Viste que sou uma peça primitiva, confusa e inconsciente – tudo que em ti conflita” – nome d’um bicho sócio (?!) Toma Meu descanso em Teu arfante manifesto de força, Doninho...

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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
Bem sabe ela do tempo. Não mais respira, mas aguarda e inspira. Morte dos outros apenas... Os minerais de Augusto dos Anjos já a permanecem sem que ela nasça. Os…

Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

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- Saúde.
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- Digo-te “obrigada” ou lamento?
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- Estou muito crescida para jogar.
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- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
- Que gênio prodigioso tens, professora Larissa. Característico da tua idade.
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…