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Pela gente

Ensina o sentimento às crianças para que logo o tenham. Sabemos que é fácil pegar um amor e chorar. Concluímos que o interativo conhecimento nos será crítico – todo o sempre – na criação do problemático personagem.
Quão formal e respeitoso o ritmo de pessoa! É um âmbito corporal comunicada na oculta linguagem do pensamento. Assiste ao filme clássico esquecendo tua historia: veste o figurino, porém; e narra-te paralelo aos documentos incorporados pela tua idêntica arte (ou intérprete).
Leitura ensaiada sobreposta na conversa entre os alheios e os adquiridos... Qual a melhor forma de en(si)(ce)nar? A entrevista feita de pessoa a pessoa durante as cabisbaixas ruas, questionando o que saberia sobre o outro...
Vamos partir da estética, na linha horizonte, argumentando com desejo final a paranóia social. De cara com a patologia histórica – interior e exterior – um homem forjado por estes elementos discursa consigo o desconhecido... A tecnologia do “eu” íntimo pelo ponto de vista da memória – conto da vida aprisionada ao se auto-observar na escuta! Qual a precisão de nossas impressões? – A aparência nos suspeita para ser. O contato com o interior, uma fenomenologia... O que é o oculto? – A desconfiança; resposta na vontade de controlar o outro ou no arguto medo de ser controlado... Aprende-se.

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Contagem regressiva (e cíclica como o pesar de que a vida tem que continuar)

Sessenta, o ano daquele filme francês: À bout de souffle. Cinquenta e nove, o segundo anterior ao próximo longo minuto. Cinquenta e oito, os números na agenda. Cinquenta e sete, a idade. Cinquenta e seis, os batimentos cardíacos. Cinquenta e cinco, as fotos no celular. Cinquenta e quatro, os papeis embrulhados na gaveta. Cinquenta e três, o valor da última fatura. Cinquenta e dois, o bater impaciente das unhas na mesa. Cinquenta e um, cinquenta, a dúvida entre uma medida e outra. Quarenta e nove, o seu peso. Quarenta e oito, o número da música escolhida. Quarenta e sete, as vezes que passou as mãos no rosto impedindo as lágrimas. Quarenta e seis, os restos das mesmas unhas, agora roídas, em cada canto cuspido. Quarenta e cinco, o bolo no forno. Quarenta e quatro expirações de cigarro. Quarenta e três toques de salto alto. Quarenta e duas grades na janela. Quarenta e um, o final do último carro que passou. Quarenta metros de altura. Trinta e nove, as voltas giradas no cofre. Trinta e …

Troca

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Improviso e emoções alheias

A noite passada sonhei com ela. Despertei e ficou aquela sensação de pseudo-esquecimento. Não tenho pensado nela, mas parece que alguma parte inconsciente insiste em mantê-la por perto. Acredito que, por vezes, a mente crudelíssima e o coração – misérrimo coitado – carregam a culpa.  Levei o gosto da injustiça e da contrariedade do tempo, por todo o dia, na boca e no processo digestório. Cheguei à minha casa e mantive as luzes apagadas. No entanto, a posição do saxofone, do microfone e da caixa de som no meu quarto sempre encontra e reflete qualquer raio de poste, de grades, de vizinhos, de luas. É propositalmente poético, eu sei. Tenho competência ao arquitetar emoção. Dirigi-me até o sax e cantarolei uma canção qualquer entremeando ainda em pé o dígito de algumas notas. Não era hora de tocar, quer dizer, mas eu gosto. Quem não? Apenas não sinto segurança, faço-o escondida e sozinha porque – creio que mais pela raridade que pela afinação – sempre que me apresento em público vira um …