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A corrente das horas

Acuda-me, Dia, num toque selvagem e natural d’angico... Segundos se dispersam como suas folhas alertando o novo tempo, apenas os sentidos pairam juntos, de costume nosso o aconchego esperado... Gélidos dias, parentes seus, ontem, nos mantiveram no resguardo da tristeza. Embora sopre a vida corrente açoitando a face, contenta-nos a sua volta sentinela e querida.
A reza d’um sabiá laranjeira tocava às seis da manhã, desafiando a queda estrondosa da madrugada. De um pio a outro, a necessidade da comida; pelas vistas, a coragem arguta da vida. – Em algum cheiro d’água passada no descanso dos olhos...
Espelho móvel de todos os espectros. As poças, uma que outra lama em bom aspecto, definhavam os traços que por baixo nos acusam. Cabeça d’árvore à sala nova que pisa; às vezes, a atraente fotografia que obscura a passagem feia não deixada no lar.
Conosco hoje findou o sol enxugando o ontem tempestuoso. A maior parte dele evaporou, mas não tanto quanto o obsessivo amanhã, que parou no sorriso. Compete ao descanso aquela minha nudez banhada (quiçá de beijos). Deflorado o despertador!

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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
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M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…