sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A corrente das horas

Acuda-me, Dia, num toque selvagem e natural d’angico... Segundos se dispersam como suas folhas alertando o novo tempo, apenas os sentidos pairam juntos, de costume nosso o aconchego esperado... Gélidos dias, parentes seus, ontem, nos mantiveram no resguardo da tristeza. Embora sopre a vida corrente açoitando a face, contenta-nos a sua volta sentinela e querida.
A reza d’um sabiá laranjeira tocava às seis da manhã, desafiando a queda estrondosa da madrugada. De um pio a outro, a necessidade da comida; pelas vistas, a coragem arguta da vida. – Em algum cheiro d’água passada no descanso dos olhos...
Espelho móvel de todos os espectros. As poças, uma que outra lama em bom aspecto, definhavam os traços que por baixo nos acusam. Cabeça d’árvore à sala nova que pisa; às vezes, a atraente fotografia que obscura a passagem feia não deixada no lar.
Conosco hoje findou o sol enxugando o ontem tempestuoso. A maior parte dele evaporou, mas não tanto quanto o obsessivo amanhã, que parou no sorriso. Compete ao descanso aquela minha nudez banhada (quiçá de beijos). Deflorado o despertador!