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A sensualidade da doença

O mal por que o corpo padece é o mesmo que nos deixa suscetíveis à cama paciente de dor. Sem bramidos, todo o interno se queima de vida pela própria dor - derroca o imo agressor longe do seu bem violando a dor em seu ato de respirar, comer, partir.
Cá, Doença! Esta menina sempre virgem curável, experiente em corpo dos outros, faminta por imunidade. Sem querer, entra bela. Ora pulsa nossos arfantes peitos em tua homenagem de dor, Doença! Ora nos asfixia a tua alarida passagem após a batalha febril sanguinária.
Tudo é o que nos deitas, Doença! Aqui, moldes de pele jogadas nos leitos com submissa entrega. Consumida fortaleza com tamanha passividade, nós. Invisível?! No que vemos, invariável! Um beijo alheio para o acostumado até logo; a sanidade daqueles que rondam estes materiais para o gesto agradecido.
Nos toques, a íntima carne colocada à prova da desistência. Tentas a tua peita, Doença, mas a sensualidade que em nós cativas, embora nos deixe prostrados, também nos faz curvar de deboche...
Flácida vontade e a face móvel da palidez são atrações deste prostíbulo nosso, o corpo. Maquilada por drágeas, eis tu, Doença, a nos ensinar na cama o teu trato (mais uma inúmera vez).

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Resistência: ela não quer. Desistência: ela me procura. Sigo-a. Ela fecha a porta. Não me deixa entrar.
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