sexta-feira, 29 de junho de 2012

Perdido ouve em silêncio

Ele me perguntou onde deixei o amor. Talvez esteja rasurado numa agenda, na página da sua inicial. Ao lado, o criado-mudo cumpre a guarida de montes picados, tudo conformado na necessidade de fazer o ontem...
Acabamos de perceber que a visita do outro é nós sem pedir licença; tampouco mencionou o por-favor ao sentar-se à mesa... Migalhas tentam escapar da morte jogando-se do alto da boca. Olhar a queda suicida para lavagem. A rotina insiste em ensinar esta esfinge secreta que por ventura mastigou ceias humanas presentes nas hóstias; o banquete de gente rendida às falácias das purezas sustentadas às duras penas.   
Seja o capítulo cantado naquele refrão Agripino, de poderes dignos procurados em lampejos de guerra. Se o dia vencer, a provável mercê não compilará a nascente solidão que propusera – diverte-se, pois, a figura traçada no mundo argumentador de preciosidades.
– Cálculo correto em andamento. – Acreditou aquele em tom perverso...
Deveras, tudo antes fora extraído da natureza, ou seja, nada artificial em nome da retórica! O objeto onde deixei? A narcísea empatia buscada no exagero do seu discurso transparente. Aplica-me o que a si mesmo (se) atribui: Desdemonado!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Contexto do asfalto

Para onde roda o asfalto carbono e tatuado com brancos expressos deveres de caminho? Responde a velocidade sobre o peso do aro condutível; este em que vista rapidez se inverte a ótica dos nossos pés.
Cacos de rua descansam em paz, à beira do meio-fio amarelo envelhecido, os acidentes ali esquecidos pelas diversas chuvas que lavaram suas dores. O festim estourado foi o moleque samba-canção procriado no asfalto, agora, em papel-poeira. Todo o divisível ao lado esperando seus donos – que ninguém sabe e todos esqueceram – etc.
Maleável arrasto suspenso na pergunta de um caminho d’um gráfico ensinado... Asfalto esquiva suas esquinas; a intranquila máscara de piche não apavora. Apenas as sombras nos surpreendem por sua solitária intuição. São caros olhares alheios enganados ante a praça que alumia a brincadeira, a anedota mendicante e a volta-ida para casa.
Contesta a nós o asfalto contínuo de pressa durante as costas d’outro movimento. É calmaria na paralela atitude proveitosa das gentes. Cidade sobre ele aprende ladeiras e gestos curvados de um respeito em pêndulo. A vaidade do sol se espelha revelando um bom-dia cinza de infinitas saídas...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Ar te sendo...

Imagem: Larissa Pujol

Colecionam-se fragmentos de fase ao respirar. Pedaços inflam e esvaziam a híbrida camuflagem que restará e renascerá nas próximas horas, visto o sonho que acolhe os receios optados sem querer no colo dos pais. Junto às mãos, o suspiro fica sobre o mecânico pedido de sobrevivência, com a mesma intenção do sorriso expirado no aperto do peito.
Alto – o ar inspira – e isto é todo o arrepio aquele oriundo do provocado lóbulo ouvinte de um lábio-sentido. Seja o que palpita num abraço de filho, a saudade ininterrupta não se acostuma ao nosso tempo, apenas respira... Ainda avisa que estas ondas voltarão ao desconhecido imo do adeus acenado.
Resta, pois, o fundamento inicial proposto. A cena interna se habitua neste invisível alimento que sustenta, espera-se, o dia. Ao destino da audição-guia de um toque, as batidas em nossas paredes investigam o sim e o alheio desejado... Simples possibilidade involuntária voltando a pedidos. Caso dispense a cor, o ar sobreviverá inolvidável pelo processo renovado de uma face em serviço...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Vintage

Imagem: Larissa Pujol
O segredo é o que me conta de ontem, sobre os feitos do futuro descoberto no seu sorriso. Há vezes que o amanhecer convida para continuar o abraço firme de um você sincero...
Perguntas desafiam a timidez e os olhos azuis. Se eu calo, é o beijo hibernado pela resposta sob o cobertor. Meu guri, apesar de você me construir pelas proparoxítonas melodiosas de um blues zepelim, toma vida a roda deste cotidiano velho e feliz. Amor é o Tom daquela Sabiá do interior... Um fino tudo-nada espantado no caso de a solidão acabar...
Confesso as mentiras para deixá-lo imune do meu-mau e para que não sofra a mesma dor de uma fruta quando mordida. E a vida? É um apelido passageiro entre você e mim... Uma fiel comédia da lisonja.
Por isso, meu bem, o desvio é certeiro no entrelace dos dedos. A medida ansiosa de zelo passa em frente ao público afirmando que este fato é melhor que a vida...
...O mesmo público morreu com a cara de um boneco bobo e sorridente!, daquele que a época não mais fantasia, nem é fatalista ao indagar para onde vai...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Mais um cidadão do mundo inteiro

Na ida e na volta – simples – dos passos desta avenida, cinza é o que pode contornar as veias de batimentos e colapsos cardíacos. Aquilo que mente ataca nas esquinas com beijos sobrados em filetes nicóticos já expirados na espera das palavras. O cheiro cinza também aguarda o palhaço que tinta chorará.
Por cá ocorreram muitos milagres. Um deles é o abraço entre as formigas, embora despedida seja assim que pisoteadas! O encargo é um peso sem culpa do primitivo hommo e sapiente. Provamos que somos frutos madurados e caídos que este asfalto nos rola cá e lá na sua infanta ordem de sobrevivência.
Jubilado e aprendiz de idades... A mulher com boneca andando para trás enquanto a filha a ensina a fazer filhos! 
Mais um neste inteiro mundo incauto que Toquinho fracionaria em aquarelas notas d’um piano são e salvo. Algumas janotices fanfarronas que viram poesias de perversas buzinas ainda almejam ascender-se às maquiladas expressões escarnecidas do personagem dito anteriormente. Qual deles?