sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Arroio

A singela brincadeira causou comoção familiar: o filho e a filha, que logo estarão mortos, correm pelos trigais lançando mão de suas sementes a cada ventre terreno pisoteado. Se aqui nasce, ali falece para ali nascer e aqui morrer – Circular mentira tua, morte! – Descobriu a filha aproveitando a empatia que o substantivo feminino causaria entre ambas... Detalhes sórdidos que antecipam o pútrido, mas ideal faminto de nascimento... Resumiu, uma delas, sem perícia, e com fiel elocução confessional, a cadência de suas venturas... Tal Iara emerge ao comando da morte, prende o almejo oculto de quem se entrega – justamente a esta lealdade secreta e guarida das vontades trazemos amor... – e alivia em seu outro berço-mundo o cansaço de vida...
O filho lá se encontra coberto pelo manto incolor e frio na leva das dores... Aqueles trigais receberam a fonte de filho e filha em pedaços... O alimento assim se jogou ao vento combinando o despejo fecundo nesta lavoura.