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Surtida

Para corrigir a certeza, indago à parábola, que a visita moral representa, o lugar escuso por onde inspirou, com tropeços, o seu monólogo. Ao caso, somente a calada sôfrega consegue competir com o derrame elegíaco à conquista da máscara.
Sorriu-me com paulatina aridez aquela senhora... Revelava-se dela a trânsfuga emoção modelada às formas obstantes de liberdade. Da prudência criara-se a hipocrisia, esta já anosa boa feitora de lisonja... – Se gostas, então sonha! Se aceitas, então empenha-te! – Alertou aquela senhora, ali, que estira suas pernas diabéticas sobre todo o chão alcançável...
Fino trato de obediência crescida à exterior igualdade, e caso descubram a recíproca passagem secreta, somos minoria guardada! Peças reunidas de favores, observadas pela constante visão eterna e única... – Sentes medo? – Protegeu-me com palavras. – Medo: o porquê obscuro de si mesmo, porém sustentado por carência! A certeza não é solícita, mas ratifico a existência da palavra certa quando o resto escasseia... – Digo a esta senhora diabética sem pretender o final...

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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
Bem sabe ela do tempo. Não mais respira, mas aguarda e inspira. Morte dos outros apenas... Os minerais de Augusto dos Anjos já a permanecem sem que ela nasça. Os…

Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

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- Digo-te “obrigada” ou lamento?
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- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…