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Balada na planta

Celebrando a própria obra, lá se arrasta o dia... Tal como a avenida que entre fumaças ora fica dorsal, ora se insinua – sinuosa – de muitos segredos e, logo, pode ser uma batida... Ou espera na esquina?
Acontece à corrente e ao cadeado: gira a chave na tranca e na liberdade. O peso de ambos causa barulho! Feitos de amor, um para o outro na mesma redoma de lençóis pincelados de vermelho rompido... Ah, estão nos corações das bonecas as flores conotadas de suas faces metafóricas... A brincadeira da desaforada pétala caída! ... Carregada por toda a suntuosidade da beleza partida.
Não há verso sem sua regra de formas perfeitas. Tampouco sua paz e seu amor são compostos por educadas palavras... Por que a brevidade restrita, se as notas deste bloco se referem aos acordes e ao perfume? O sinônimo, aqui, é um mero detalhe. O sentimento nos devolve ao mundo em formas expressivas de vida. Mistério saber para que lado cair... Para todos os lados, voar é o dito da sorte... Ou a festejamos, ou ela nos festeja... A dureza do solo feita de obras ruídas nossas. Apenas o caminho...

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Troca

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A noite passada sonhei com ela. Despertei e ficou aquela sensação de pseudo-esquecimento. Não tenho pensado nela, mas parece que alguma parte inconsciente insiste em mantê-la por perto. Acredito que, por vezes, a mente crudelíssima e o coração – misérrimo coitado – carregam a culpa.  Levei o gosto da injustiça e da contrariedade do tempo, por todo o dia, na boca e no processo digestório. Cheguei à minha casa e mantive as luzes apagadas. No entanto, a posição do saxofone, do microfone e da caixa de som no meu quarto sempre encontra e reflete qualquer raio de poste, de grades, de vizinhos, de luas. É propositalmente poético, eu sei. Tenho competência ao arquitetar emoção. Dirigi-me até o sax e cantarolei uma canção qualquer entremeando ainda em pé o dígito de algumas notas. Não era hora de tocar, quer dizer, mas eu gosto. Quem não? Apenas não sinto segurança, faço-o escondida e sozinha porque – creio que mais pela raridade que pela afinação – sempre que me apresento em público vira um …