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Banquete

Ansiamos pela voz dos amigos: cá entre nós há voluntário? Os braços são pontes frágeis se não treinados com inclinação! “Piedade” pede o pastor, mas o Supremo nos concedeu o Direito...
Algum perdido, de berço em berço a colecionar mães, se prende no abandono para se desculpar... Caíram as paredes da fuga, meu caro, num coração partido! Aprenda que verdadeiros heróis voam em pensamento; nunca morrem ao tropeçar nas nuvens. Espatifam ilusão d’um corpo com muitas saídas.
Passam as águas e nenhuma carrega o mundo... Pelas margens perambula a louca verdade assistindo à direção da corrente. Deu-lhe as costas, observou-se num ponto de límpida calmaria – e era dia de sol! – e a sua mentira foi a cara mais linda que lá refletiu...
Juntos, renovamos a posse! Assim julga a batida mole d’água em todos nós, pedras duras, às duras penas movidas e rompidas pelo tempo. No entanto, somos de qualquer carência os melhores amigos... Acima de qualquer suspeita, a neblina que se despede do filho. Deveria, pois, anunciar sua chegada! Surpresa? Os anjos carregam raios...

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Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

- Nota-se que nada está fora de lugar na minha casa. – Abri o uísque e o vinho, servi o copo e a taça.
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- Digo-te “obrigada” ou lamento?
- Quem lamenta sou eu.
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- Não, não posso esquecer, já que a cada cinco minutos tu me lembras que és...
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- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
- Que gênio prodigioso tens, professora Larissa. Característico da tua idade.
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…

Mas aquele subterfúgio de te olhar casando...

Resistir, sofrer por antecipação isolando-se numa máscara de pausa tchekhoviana ao estender-se no palco dos teus olhos. O espetáculo é meu, mas antes lamurie para o meu silêncio a vaga dessa boca a estreitar-se do muito que lhe choro dentro de mim.
É uma oração! Clamo à Resistência na súplica a fim de que esse deus se convença e se infernize mais com o meu pensamento nela... Mas mais do ínferno satiriza-se o erro de não lhe falar... Mas não... A Resistência é a sabotagem da razão; um deus dela mesma que desta cruz na abertura dos seus braços a me saudar, eu fujo.
Que de boba eu não tenho um mínimo provérbio, apenas resisto. Amigo-me confortável no resquício laborioso igualmente assistido à sua palavra... Um fenômeno desfragmentado na sua verve sofista que mais crio a nós duas, futuramente.
Resistência: ela não quer. Desistência: ela me procura. Sigo-a. Ela fecha a porta. Não me deixa entrar.
Tenho de continuar a resposta para os lados... Não é o mesmo lugar quando outra se adora sobre o…