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Alva labareda


Imagem: Larissa Pujol.

Um pingo quente desafia a nebulosa e cerrada manhã. Despejara-se durante a madrugada gotejando encanto deste sonho álgido. Lânguido prazer escurecido pela mão mestre das sombras pelas quais a Vida assina a página.
Pelo rosto do infinito, a bela fulgura dourada olha o pudor do mundo. Ali fica o menino com seus pés parados, mas levados pelo tempo - num dia apenas - d’um mundo corrido às tontas.
Balançam os galhos sorrindo céu! Quais palavras cantam o vôo? O dom, a senha, o suspiro – suporte de giro nas entranhas sucumbidas de sangue, morte e alimento. Soubera o amor que o passe bailado riscou seu peso num fundo expirado qu’inda flameja esquecimento...
A verdade assim parte sem que o mundo perceba. E o herói, com sua capa desenhada, berça-nos em sua dissimulada paz do sempre... Idolatremos o nada escondido para onde vai! O labirinto já em nós se perde, e os passos indiferentes continuam carregados pela normalidade do mundo. Ali, menino, sua célebre visão se acomoda; para lá, a sua celeuma se desprende; mas, aqui, o cerne estático admira aquele ponto chamejante contra o próprio dia... Branca e gélida pintura cadavérica – desafiaremos, nós, a eternidade.

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