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Mostrando postagens de Julho, 2013

As frases do corpo

Recolhe na tua expressão jovem a dita desamparada de receio. No seio da imortalidade ondulam desvios e subidas, arfam o silencio e a vingança, o perdão e a nostalgia num risco de tempo.
Estações partidas de trens em folhas; florescem n’outro canto onde a despedida se esquece e o frio não é suspiro da morte – eis o que me perguntaste sobre o medo – um apego sereno? A casa com suas luzes diminuídas brinca de sombras rascunhadas em teu semblante taciturno... Ah, diz ao teu próprio vilão que aquela história é a coragem de teus dias antes da ida.
Junto ao pó antes balançou a criança e a procriação. A lã costurada à medida bela do tempo se rasga no ágil e complacente final. Passou um traço sobre a sublime fronteira... Ouve, então, por quanta chuva pouco se foi...
Os olhos se fecham, juram afeto, mas também, cinzas; e cinza é a cor de manhã... Observaram-se por tudo quanto ainda há tempo e vontade, o anseio de agonia.

Entre nus

Repousa sobre o peito a textura calma e bela, mas retirada da vida para objeto a pedir proteção... À mesma altura do imo, ela deferiu-se nas camadas além do seu próprio beijo – seco escorre também a lágrima d’algum poder.
Palpitação nua, de tentáculos segundos que se agarram à frágil exalante figura mortuária e amorosa. Seu nome, curto remorso perante o corpo trêmulo, pronuncio com suavidade plena... Foi-se o rosto n’outro na estiagem! Abre a pele d’alma conforme a cumplicidade do sentimento...
Escrava bondade recolhida entre os nus desvios da incessante busca. Não mais permaneceu ali, pétala rolada ao começo de tudo, do som, da pergunta, do verbo. Retorna, pois, os passos únicos no meio da multidão – e só os seus para mim!
Perderam-se as texturas, poros entre povos, vida entre morte, como todas as vezes que respiramos...  Repousando em meu peito, disse-me a flor: acolho na descida, cubro a partida – é o que minha face avisa; e no romantismo do vento, abrevio.

Beat

Vivi ao longe, no olhar do esquivo, a turva esquina que nascera. Ato pelo qual mirou-se o semblante inócuo da persistência. Ei, sua cara! Na cara d’outro que você sequer me pensa!
Caminho entre seus olhares – coloridos, escusos, dispersos, alegres – para todas as dúvidas nas faces desconhecidas que o conheço desde as poucas horas e pessoas passadas... Desejo o início na despedida cálida entre mãos e escuridão, esta, por sua vez, mendicante beleza das sedas vestindo o chão. 
Claridade verde e profunda imensidão aquosa que em você desabo... Ainda mais eu mergulho no revoltoso transbordar de um rio latente entre as pernas. Um rosto de margem para a terra batida (e se foi... de velho). Ou morreu de falta? A coragem salta com o seu feitio austero – você me disse... E o risco assinou este cristal que a tudo observa em seus lados. Permaneci ao longe, no olhar do encontro, pelo dia que crescera...

No vidro

Seu brilho, minha espada – o mar que pulsa a cor no emaranhado valente avança por sobre o bailado da sorte... Detalhes nos grãos de pele ao pó, e assim sacodem as sombras.
Um chamado vocifera a voz; por onde ela ocorre? Apenas sou todo lábio, único nu ao vento – desalento – que se introduz e foge deixando vida... Argento partir de minha ferida, fecho o peito em sua imagem, bem se faz homenagem a luz que o guia.
A tempestuosa tarde espera... Dentro, aqui, um resquício gotejante entre a janela e minha face – só – o porquê de a chuva ter sua resposta prisioneira... E minha busca vocifera: pressenti-o pela nuvem aquecida ao longe... Percebi sua chegada, que, embora perdida, se acostumava ao céu.
É-me natural acertar a pergunta... Caso o corpo se perca, a certeza movê-lo-á no olvido das cicatrizes de mãos alheias. Cometêramos respostas um dia, de ida...