sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pastoral

Levá-lo-ia através das vozes, dos trovões, do olhar imóvel... Da alegria inquieta tida, por ventura, na passagem do afago silencioso que interrompe o tempo... O ar, este instinto emocional do retorno, sente-o renovado em mim – um toque da palavra viva do vento – por mais infindo que se espera.
Pela água-cor dos seus olhos, enfim, miraria a face do Eterno e conversaria... Vivendo! A cruz nua de seu corpo sob o meu teto encadeia o vínculo com as partes do Todo Universal num retrato único entre os lábios, portas e mãos dadas para um céu qualquer sagrar...
Não repare este meu suspiro longo, que, com ensejo, a morte confia. Demore, que eu conto com as mãos para tocar naquele firmamento e estremecer, retirando-as imediatamente ao sentir que se trata d’um corpo. Beijava seus olhos e, no conjunto de sua face e boca, eu adivinhava suas vértebras e tecidos com o mesmo afeto que meu cabelo o guiaria para baixo da cintura... Não sei como chamá-lo, mas exclamo aflita, “Meu amor!”.