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Pastoral

Levá-lo-ia através das vozes, dos trovões, do olhar imóvel... Da alegria inquieta tida, por ventura, na passagem do afago silencioso que interrompe o tempo... O ar, este instinto emocional do retorno, sente-o renovado em mim – um toque da palavra viva do vento – por mais infindo que se espera.
Pela água-cor dos seus olhos, enfim, miraria a face do Eterno e conversaria... Vivendo! A cruz nua de seu corpo sob o meu teto encadeia o vínculo com as partes do Todo Universal num retrato único entre os lábios, portas e mãos dadas para um céu qualquer sagrar...
Não repare este meu suspiro longo, que, com ensejo, a morte confia. Demore, que eu conto com as mãos para tocar naquele firmamento e estremecer, retirando-as imediatamente ao sentir que se trata d’um corpo. Beijava seus olhos e, no conjunto de sua face e boca, eu adivinhava suas vértebras e tecidos com o mesmo afeto que meu cabelo o guiaria para baixo da cintura... Não sei como chamá-lo, mas exclamo aflita, “Meu amor!”.

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L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
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A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
Bem sabe ela do tempo. Não mais respira, mas aguarda e inspira. Morte dos outros apenas... Os minerais de Augusto dos Anjos já a permanecem sem que ela nasça. Os…