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Primeiro Período (ou I Ato)

Referências
Apropriações
Inspirações
Leituras
Releituras
Provocações

       Posso ser sincera com você? Posso ser sincero com você? Você usa sempre o mesmo argumento? Que tipo de professor você é? Quantas doses de ansiolítico você ingere por dia? E para ser um aluno, como se comportar? E para ser um professor, como se comportar? - Ai! – Se você estiver no meio? Se você se sentir no meio? E se for mãe? Se você for pai? Orientador? Gostosa? Se for turista? Intelectual? DIRETORA! Se for Wikipédia?... E se você não se encaixa em nenhuma das alternativas? E se você quiser todas as alternativas? – Professores, professoras e suas variações docentes – bem-vindos à perpétua zona de investigação!
     Escolha um aluno e guie-o através dos cálculos e processos químicos. As atividades com ele serão exaustivamente freqüentes e formuladas e, futuramente, ele será chamado de “doutor”... Escolha o mesmo aluno e guie-o através de pensamentos e regras sintáticas; veja o que acontece: as atividades regadas à leitura e debates o encaminharão para ser chamado pela primeira ou pela última sílaba da sua profissão... Já decidiu o que seu aluno vai ser? – Um professor! – Ótimo! Agora ele aprenderá tudo sobre didática, PCNs, Lei de Diretrizes e Bases e vai notar estornos todo mês em seu contracheque.
    Sempre aprendi que para ser professor é preciso passar horas em pé, ser firme, (não pode adoecer!), vestir-se adequadamente sem demarcar a silhueta, ter voz alta e projetada, ouvir psicologicamente, ser ágil para atender mais de duas turmas ao mesmo tempo, gostar de greve e, de preferência, ser simpatizante de esquerda... É preciso passar horas em pé, ser firme – NÃO pode adoecer, ágil para atender (CRIATIVO!) mais de duas turmas ao mesmo tempo, (PROFESSOR!), ouvir psicologicamente (GREVISTA!), vestir-se adequadamente (TIO, TIA!) sem demarcar a silhueta, (CAXIAS!) ter voz alta e projetada (FURA-GREVE), ser forte (CHATO!), gostar de greve (PROFESSOR LINGÜIÇA!) e, de preferência, (ORIENTADOR! DOCENTE!) ser simpatizante de esquerda... É preciso passar horas em pé, ser firme, não adoecer...
    O que minha pele diz a respeito do que ensino?

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Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

- Nota-se que nada está fora de lugar na minha casa. – Abri o uísque e o vinho, servi o copo e a taça.
- Exceto eu.
- Saúde.
- Ainda não entendo por que fazes tudo demasiado bem para o meu gosto...
- Digo-te “obrigada” ou lamento?
- Quem lamenta sou eu.
- Algo aprendi das mulheres – e que ainda não havia descoberto em mim – é que quando não se entende o porquê de suas palavras é que ela venceu a partida.
- Estou muito crescida para jogar.
- Não, não posso esquecer, já que a cada cinco minutos tu me lembras que és...
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- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
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Mas aquele subterfúgio de te olhar casando...

Resistir, sofrer por antecipação isolando-se numa máscara de pausa tchekhoviana ao estender-se no palco dos teus olhos. O espetáculo é meu, mas antes lamurie para o meu silêncio a vaga dessa boca a estreitar-se do muito que lhe choro dentro de mim.
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Que de boba eu não tenho um mínimo provérbio, apenas resisto. Amigo-me confortável no resquício laborioso igualmente assistido à sua palavra... Um fenômeno desfragmentado na sua verve sofista que mais crio a nós duas, futuramente.
Resistência: ela não quer. Desistência: ela me procura. Sigo-a. Ela fecha a porta. Não me deixa entrar.
Tenho de continuar a resposta para os lados... Não é o mesmo lugar quando outra se adora sobre o…