Pular para o conteúdo principal

Quinto e último período (ou V ato)

Como definir a noção de ensino ou educação? Como investigar o ensino ou educação e como ocorre? O que é, afinal, educação? É ela de berço, da vida, das ruas, fármaco ou hormonal? Ensina uma história ou histórias diferentes? Haveria uma história de como se estabelecer a idade da Educação? Uma genealogia capaz de pôr as opções bipartidárias de questionamento e obediência numa construção variada? Seriam os fatos ostensivamente naturais da educação produzidos discursivamente por várias teorias científicas a serviço dos interesses políticos e sociais? Se o caráter imutável da escola é contestável, talvez o próprio construto chamado Educação seja tão culturalmente constituído como um “ensino”.
Na escola, professores e alunos são reforçados com uma série de situações relacionadas ao modo de vestir, ao modo de gesticular, ao modo de estudar, ao modo de ensinar, ao modo de entender o conteúdo, ao modo de comunicar, ao modo de referir-se através de contornos societários bem explícitos... A educação se indaga, mas sem querer, se reprime. Chega a esquecer de si, que sem educação, a democracia é uma palavra morta... As normas educacionais cada vez mais se intensificam; o grau de controle, talvez, seja mais para si e mais perspicaz...
O ensino político-disciplinador pode compreender a formação de seres, a definição e a função de cada profissional, e a territorialidade precisa da língua vernácula, da matemática, da ciência, da geografia, da história... Logo, a disciplina pode ser vista não somente como uma prática pessoal, mas como um regime político que assegura a relação estrutural da identidade educacional.
Reconhecemos a nós mesmos e aos outros. A alma humana é um abismo obscuro... Por mais que possamos nos despir de nossas vestes, jamais chegaremos à nossa nudez completa. Professores: estudantes sérios na classe da própria ilusão.

Postagens mais visitadas deste blog

Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
Bem sabe ela do tempo. Não mais respira, mas aguarda e inspira. Morte dos outros apenas... Os minerais de Augusto dos Anjos já a permanecem sem que ela nasça. Os…

Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

- Nota-se que nada está fora de lugar na minha casa. – Abri o uísque e o vinho, servi o copo e a taça.
- Exceto eu.
- Saúde.
- Ainda não entendo por que fazes tudo demasiado bem para o meu gosto...
- Digo-te “obrigada” ou lamento?
- Quem lamenta sou eu.
- Algo aprendi das mulheres – e que ainda não havia descoberto em mim – é que quando não se entende o porquê de suas palavras é que ela venceu a partida.
- Estou muito crescida para jogar.
- Não, não posso esquecer, já que a cada cinco minutos tu me lembras que és...
- Vinte e seis anos, Larissa!
- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
- Que gênio prodigioso tens, professora Larissa. Característico da tua idade.
- Por que te afeta …

Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…