sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Terceiro Período (ou III Ato)

    O critério da educação prescrito pela nossa sociedade em seus códigos de leis e tradição é o critério da obediência. E esse critério é utilizado ao longo de séculos durante a história. Está intensamente introjetado em nossas veias e em nossa psique, que quando uma pessoa demonstra interesse pela aprendizagem do outro, afirma-se como certo que esta pessoa será um professor, uma professora.
    A educação é a nova religião da modernidade; e o sistema monetário também toma essa proporção, pois tem a capacidade de criar e descrever a realidade. O feito da tecno-educação contemporânea transforma a nossa ansiedade depressiva em Rivotril, a nossa impotência em estatutos sem deveres, a nossa paciência em café e a má-educação em Ritalina! Como saber se o nosso colega é um professor? Porque o vemos e o ouvimos gesticulando corpo e voz na sala de aula ao lado... Porque ele se mostra como professor... Porque ele se identifica como professor... Porque ele se comporta como um professor...
    Que seja possível, então, saber quem vem antes: se a ansiedade ou o Rivotril; se a falta de respeito ou a Ritalina; se o estatuto ou a impotência. Essa produção é própria da indústria legislativa e fármaco-educacional.
Professoras, professores! Alunos e alunas! Vocês estão preparados para a educação? Para a perversão? Para o suicídio? Será que vocês estão preparados? Vocês estão prontos? Vocês estão prontos para as anomalias educacionais? Será que você, aluno, está preparado?
    - O que garante que você será identificado como um professor?
    - Quem garante que você estará determinado a ser professor?
    - Para quem é importante que você continue sendo um professor?
    Caros alunos e colegas, vocês conhecem a história do professor Luis Carmo? O professor Luis Carmo, após passar vários momentos com seus alunos indisciplinados e de ficar à mercê da decisão da escola sobre a penitência dos alunos, ele foi obrigado a voltar para o seu trabalho sem que nada acontecesse aos estudantes denunciados... Descontente com a falta de poder no pleno exercício e condição docente, professor Luis sofreu um desgaste emocional e se matou.
    Lembro-me do caso do professor João Eurico, que para ganhar um salário pouquíssimo acima de mil (hum mil) reais para sustentar sua família, ele dedicava mais de sessenta horas semanais entre escolas públicas, particulares e cursinhos... Sem feriado, sem descanso, sem domingo, e depois de longos períodos de aula, aos (seus jovens) 45 anos, professor João sofreu um infarto fulminante e morreu...