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Mostrando postagens de Outubro, 2013

Caminho da floresta

Teus pés onde estão? No ar? Na ida? No vácuo? Por eles, tu és o que sentes? Eles tocam, avistam até o que não sabes? Eles faltam? Eles esquecem? A rua vai com as boas horas... Existe algum lugar seguro para que as sombras se espelhem no céu? Passo pesado na escuridão da parede orgânica sem cara de agora.
Sombra não exprime gosto, mas é a única a tocar delírios. Sua própria impureza eclode a imaginativa continuidade do que pode ser, do que gira o prazer.
Prendidos, condensados lagos a evitarem o mar – sombras na linha tênue do desconhecido horizonte que sempre será. Esta liberta a vontade criando direções. Almas, teus pés, contemplam o sabor deslizado nas pétalas desejadas pelo solo. E o solo é apenas uma leve proteção... Ele é por todo o lugar, por todo o silêncio, um vazio abaixo de si úmido ou ancorado na planta que se faz ser.
A ponta branca nas asas da águia nos golpeia sensivelmente a vida que escorre pelas estrofes silabadas. Sombra ou profundeza, alguma conhecida referência …

Pertangut a la mare

Uma escada, um espelho ao nosso diabo em ascensão. Entre floras e ruínas, os infindos organismos que somos e que nos alimentamos adornam a seita criativa do universo.
Selvagem, querida, um coração de mãe se natura; e, sem desculpas, o regaço germinante apropria-se da terra, da chuva. A esperança caminha em círculo: um dia volto, querida, com a tez entrecortada de anos a ir-se para o pó... Pó, meu âmago milimétrico de seres refletidos na bondade e na maldade, diagnosticados pelo espírito e por outras poeiras gigantes perpetuados nos móveis históricos da podridão.
Ao leito se acostuma o corpo feliz. Deixou a insana travessia da ida mendigando o fardo arrastado dos segundos exagerados de depuração nossa. Conservei a peça lustrosa e impressionante do mundo, valor este, querida, prevalecendo a única sinceridade.
Nós, um panteão clandestino de genialidade ignorada, anônima em si mesma. O papel virgem e escuso das palavras, da saudade. O sentido que se junta aos embustes d’um imenso mundo c…

Ah, pais!

Uma tarde verídica de sol. Década de 80.
- Começou a contar. Corre!
Comigo veio um molequinho de cinco anos, cabelo penico e castanho escuro - é ruim não me recordar de seu rosto... Pele clara e só! Com os lábios que morderam os meus... – Vestia uniforme no tamanho certo, mas sujo de recreio e aula de pintura. Eu, por ventura, aos quatro anos, conseguia conservar o verde lavado e o símbolo histórico do colégio, embora arriscasse na correria até a Sala de Música.
- É um bom lugar aqui. – Encolhi-me toda sob as teclas do piano – Tu cabes. Vem!
Os minutos naquele esconderijo passaram com ambos suaves e quietos. Quem batia cara na parede contando para que nos escondêssemos jamais pensaria naquela sala, logo, começamos uma cuidadosa traquinagem para degustar nossos lanches com pouco ruído. Enquanto ele mordia seu pastel de carne, olhou-me com dúvida. Tragou o pedaço seco e disse:
- Quero saber um negócio que vi...
Não me importei com aquele suspiro. Tratava de desembalar uma moedinha de ch…

Le peux

Encontramos o que possuímos no olvido do olhar e das palavras... A face sucumbiu este temeroso término do dia, ou final de qualquer vida assim que o véu crepuscular nos acoberta com suas belas cores do fim.
A cara anoitece sempre jovem e familiar, preparada. Pela nossa face anoitecida voltam os pássaros livres; voam num mundo pseudônimo em que tudo é longínquo... Casas frutíferas protegidas do vento e de mim – de meus talhos. Saudosa madeira que fui dia, afiada percepção do amanhã pela qual anoiteço a cara deixando meus pássaros regressarem.
Deixei a juventude num canto amassado de poesia. Página e verso abjetos na voz da sobrevivência. Uma responsável característica do ciclo, da fortaleza, do corte, do ir. Quebra. As Cores ou o Dia?