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Mostrando postagens de Novembro, 2013

Balanceio

Estas são as curvas do refrão bailado sob o vestido qu’ eu balanço... Pela tua mirada, a história narrou a melódica sinuosidade despida. Cantou-me o passe gingado da tua vontade entre a moral e o teu sangue, entre os outros e o teu poder movido pelos meus próprios pés. A batida, em ritmo soluçante, contempla a fisionomia apreendida em palavras absolutas. É a capacidade de pensar e a qualidade da abertura nesse imenso humano do qual se precisa... A anáfora serpeante da liberdade ouviu o refrão escorrido em seu fim... Que dimensão permanece no solo úmido e seguro e nas profundezas que abrem caminhos? Expressamo-nos em repetidos estribilhos que comparece, isoladamente, a qualquer juízo fugaz... Um pretexto de carícia para a pele de gato desaparecer entre as sombras. Um pretexto de garra para a própria pele não esmorecer, homem. A letra d’um corpo sopra o chamado em teu imo. Antes de mim, a verdade esqueceu e se pôs a escutar todo o teu interesse. Distinta transparência sonora nas voltas…

Cerne de veias

Decorei toda a paisagem nele expressa: de cores, de vaidade, de memória. Propus-me a prova insinuada que refletia os cristais de seus olhos e surtei à beira das lágrimas com os trejeitos deixados carentes... Digo-me nele a frase de bloqueio esperto, cuja roga de seus lábios desprendem sensibilidade.
Idolatro sua dita neste corpo que adora mirar e, passivamente, me desenha à sua nudez permitida – ele – dele – se não me detive, penso-o na tessitura arranhada do disco sussurrando as travas do será... Ouvi, talvez, pela avenida que ele abriu próxima à minha guarida máxima, os grunhidos plásticos do beijo. Ficamos reféns das caras e da simetria perfeita do instinto; e quem nos concedeu o apego das unhas? – o desafio da atitude louca no mesmo espaço rechaçado da bondade e ardor... Começo, sob o meu intrigante almejo fulgente entre os corpos, a coser a solidão dos fios correspondidos. Foge-me a dor perfurada a cada remendo de estampa guardada nas cores que nos foram nuas...
Não concluamos, …

Infinito e um

Limpam-me sobre a pele os despejos dos lábios salivados. Sedento percurso criado; a água bela e curvada no seu destino de gota vive inodora e confusa incolor extenuante da boca...
Milhares de únicos secos ao solo que se pisa, se escorrega e se apóia – finda passagem da estrela móvel e mole no obscuro interior por si desconhecido. Partiu, assim, a semelhança dos seres na despedida, foram-se as células e o dia, foram-se os homens, o sol e a permanência, tudo o que pernoitara, o que me digeriu e me devolveu – inclusive os lábios sedentos encostados no cheiro novo e vibrante.
Da alva espuma fragrante, a matéria se origina fácil e primaveril para o seu sustento. Um alimento adornado a nudez sortida de flores, de outros e de si (n’algum momento) cuja ventura me diz que será bem servida... É o caso, porém, da candura metade morna que toca o rodopio líquido na estréia do corpo vivo. A alegria que surra, a pena que se esvai carinhosa e longínqua – os membros são seu palco e sua peça num frag…

Sonata das doze ruas

Passos violados na viola, o risco da corda bamba no som trêmulo, correram com a mudança das notas até o espio da esquina. Dedilharam no piano o som baixo do suspense; e dele expirou o cigarro – fumaça dançante – convida-me, pois, à arruaça do bairro – ora asfalto iluminado de nudez cinza de nós!
Faróis pintam sóis por aqui, na batida da praça metalizada a piche e a militar! Embalamo-la  misticamente em fotos tomadas nas poças chovidas ontem... Finesse tal dos mis pianados entre graves olhares do violoncelo – hum! do será – na língua, os lábios, quiçá temerosos, ou sei bem – gostosos na suavidade do véu escuro deste ar a compartir seu corpo comigo!
Rápido bemol para a entrada: eis meu caso voltando à sua vida. Contra-mão, contra-baixo, mão, abaixo, travessia opaca para não perder a graça – onde? – Ah, tu! Venho por aqui no teu “L” curva... Despeço-me do salto e da lida em teu colo... O piano em teus dedos me cócegam ludibriando o cansaço e a sensualidade. Panderou meu quadril a um jaz…

A lembrar "Diamante"

Página 60 de "Versos Transeuntes Verbos Ausentes" (2010)