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Infinito e um

Limpam-me sobre a pele os despejos dos lábios salivados. Sedento percurso criado; a água bela e curvada no seu destino de gota vive inodora e confusa incolor extenuante da boca...
Milhares de únicos secos ao solo que se pisa, se escorrega e se apóia – finda passagem da estrela móvel e mole no obscuro interior por si desconhecido. Partiu, assim, a semelhança dos seres na despedida, foram-se as células e o dia, foram-se os homens, o sol e a permanência, tudo o que pernoitara, o que me digeriu e me devolveu – inclusive os lábios sedentos encostados no cheiro novo e vibrante.
Da alva espuma fragrante, a matéria se origina fácil e primaveril para o seu sustento. Um alimento adornado a nudez sortida de flores, de outros e de si (n’algum momento) cuja ventura me diz que será bem servida... É o caso, porém, da candura metade morna que toca o rodopio líquido na estréia do corpo vivo. A alegria que surra, a pena que se esvai carinhosa e longínqua – os membros são seu palco e sua peça num fragmento chamado criação...

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Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

- Nota-se que nada está fora de lugar na minha casa. – Abri o uísque e o vinho, servi o copo e a taça.
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- Digo-te “obrigada” ou lamento?
- Quem lamenta sou eu.
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…

Mas aquele subterfúgio de te olhar casando...

Resistir, sofrer por antecipação isolando-se numa máscara de pausa tchekhoviana ao estender-se no palco dos teus olhos. O espetáculo é meu, mas antes lamurie para o meu silêncio a vaga dessa boca a estreitar-se do muito que lhe choro dentro de mim.
É uma oração! Clamo à Resistência na súplica a fim de que esse deus se convença e se infernize mais com o meu pensamento nela... Mas mais do ínferno satiriza-se o erro de não lhe falar... Mas não... A Resistência é a sabotagem da razão; um deus dela mesma que desta cruz na abertura dos seus braços a me saudar, eu fujo.
Que de boba eu não tenho um mínimo provérbio, apenas resisto. Amigo-me confortável no resquício laborioso igualmente assistido à sua palavra... Um fenômeno desfragmentado na sua verve sofista que mais crio a nós duas, futuramente.
Resistência: ela não quer. Desistência: ela me procura. Sigo-a. Ela fecha a porta. Não me deixa entrar.
Tenho de continuar a resposta para os lados... Não é o mesmo lugar quando outra se adora sobre o…