sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Infinito e um

Limpam-me sobre a pele os despejos dos lábios salivados. Sedento percurso criado; a água bela e curvada no seu destino de gota vive inodora e confusa incolor extenuante da boca...
Milhares de únicos secos ao solo que se pisa, se escorrega e se apóia – finda passagem da estrela móvel e mole no obscuro interior por si desconhecido. Partiu, assim, a semelhança dos seres na despedida, foram-se as células e o dia, foram-se os homens, o sol e a permanência, tudo o que pernoitara, o que me digeriu e me devolveu – inclusive os lábios sedentos encostados no cheiro novo e vibrante.
Da alva espuma fragrante, a matéria se origina fácil e primaveril para o seu sustento. Um alimento adornado a nudez sortida de flores, de outros e de si (n’algum momento) cuja ventura me diz que será bem servida... É o caso, porém, da candura metade morna que toca o rodopio líquido na estréia do corpo vivo. A alegria que surra, a pena que se esvai carinhosa e longínqua – os membros são seu palco e sua peça num fragmento chamado criação...