sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Se me rendo

... ou se me rendo...
Imagem: Larissa Pujol

Na abstração das rendas cose-se o detalhe descoberto no arrepio da pele – esta minha cama eterna sob a mão da luz que me desenha sua curiosidade. Vista a sombra tatuada móvel, tenho culpa dos contornos dobrados, desviados ou reconduzidos destas flores fio-a-fio como moradia da aranha... O laço no perpétuo circular da cintura assume brincadeira de ti, dono de amarras com a leveza dos enlaces das pernas... Que sombra! Que curiosidade! Que mistura por vir.
É pelo caminho casto me cobrindo fino e arejado, cujo contorno desfaz o fim nas suas metades torneadas e feminis, que não se perde o rio viscoso e incolor, escuso no segredo. Segue a falsa modéstia da renda ao encontro suntuoso daquilo que realizas. Expando-me toda ao que és – o céu despido de suas nuvens – e evoco o reduto sensível do segundo nesta fragilidade bela e ilustrada.
Cada fragmento de um eu em sombra se une em pele durante o escorrer das rendas... Pertenço ao que me esculpe o céu nas minhas procelas... O olho escolhe o encarnado cômodo tenro. Todo tu é bem vindo.