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Mostrando postagens de Janeiro, 2013

Grunge

Acostumava a boa idéia com jogos e traquinagens, um gosto saudável de moleque... Sorri à pintura, mas derrete as minhas tintas nas paisagens que queira construir entre árvores, pernas, preto e branco...
Versava conversava a arguta sugestão de moleque colocando a sua habilidade ventríloqua no escorrer dos dedos pelas costas... Imitava a crença e em seu colo adormecia a boneca com mimos de proteção... Consolidada a maquilagem para o efeito, contenhamos a persuasiva comodidade da ilusão – este, por fim, abraço vivo da juventude até que a cara caia!
A resistência de sentimentos consentiu a bárbara aparição dos escrúpulos; somos a beleza do adeus, corrigida conformidade vivida. Obedece ao crivo solitário a nossa lisura aproveitada de corpo... Sem beijo recorrente, a estória participou seu fim deitando-se entre nós como criança medrosa... Pesadelo também é sonho, monstros são revestidos de pele, e amamos com o dever da culpa! Desperte com cuidado...

Surtida

Para corrigir a certeza, indago à parábola, que a visita moral representa, o lugar escuso por onde inspirou, com tropeços, o seu monólogo. Ao caso, somente a calada sôfrega consegue competir com o derrame elegíaco à conquista da máscara.
Sorriu-me com paulatina aridez aquela senhora... Revelava-se dela a trânsfuga emoção modelada às formas obstantes de liberdade. Da prudência criara-se a hipocrisia, esta já anosa boa feitora de lisonja... – Se gostas, então sonha! Se aceitas, então empenha-te! – Alertou aquela senhora, ali, que estira suas pernas diabéticas sobre todo o chão alcançável...
Fino trato de obediência crescida à exterior igualdade, e caso descubram a recíproca passagem secreta, somos minoria guardada! Peças reunidas de favores, observadas pela constante visão eterna e única... – Sentes medo? – Protegeu-me com palavras. – Medo: o porquê obscuro de si mesmo, porém sustentado por carência! A certeza não é solícita, mas ratifico a existência da palavra certa quando o resto es…

À flor do lábio...

Nosso beijo chegou ao fim de sua validade. Sem ser pelas mordidas, mas pelo mal que almeja esta minha plausível despida...
Ouça a rapidez com que o som do piano sobe as montanhas... Evado-me (junto) pelas notas a escalada d’algum rochoso deleito. Flores m’alimentam – basta me descobrirem entre as pernas – com perfeito afago disposto... Apenas encostam...
Carrega-me o olor em seu conjunto de anjos – ao esquecimento, o sangue; ao vôo, a palavra! A fraqueza abandona e sabemos o seu disfarce... Entrelace suas mãos em meus pés atraindo minh’alma a terra suave, tanto sua, encontro-me na palma - convence-se você.
A cada corrida desta vida amada, as pessoas que percorreram pistas venturosas nos bramidos do beijo. Acumulou-se a saudade (sentida novamente) ao vê-lo... Por camadas e camadas obtive a declaração crida de posse – “amo-te”.

Arroio

A singela brincadeira causou comoção familiar: o filho e a filha, que logo estarão mortos, correm pelos trigais lançando mão de suas sementes a cada ventre terreno pisoteado. Se aqui nasce, ali falece para ali nascer e aqui morrer – Circular mentira tua, morte! – Descobriu a filha aproveitando a empatia que o substantivo feminino causaria entre ambas... Detalhes sórdidos que antecipam o pútrido, mas ideal faminto de nascimento... Resumiu, uma delas, sem perícia, e com fiel elocução confessional, a cadência de suas venturas... Tal Iara emerge ao comando da morte, prende o almejo oculto de quem se entrega – justamente a esta lealdade secreta e guarida das vontades trazemos amor... – e alivia em seu outro berço-mundo o cansaço de vida...
O filho lá se encontra coberto pelo manto incolor e frio na leva das dores... Aqueles trigais receberam a fonte de filho e filha em pedaços... O alimento assim se jogou ao vento combinando o despejo fecundo nesta lavoura.