sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Préface-in-scène

Projeção de indivíduo: posso ser o dúbio rosto na medida em que me conserva. Um solo reflexo de azulejos corrompidos de inverno; a luta liquida da nebulosidade...
Cometeu ressurgindo o conflito, este aparato de expressão – ouviu, sem tédio preciso, a sua elegia aforada de adeus – um bem alter à subversão que resmunga sem pudor a própria vida. Os olhos da coruja fitam as mazelas provocantes do risco nos túneis ocultos da lua; e bem vindo o seu dia acinzentado de luz, te permitindo sair sem ser pela fome d’outro.
Lar d’ira – um mito às pressas da descoberta – aprecia cômoda e passadamente o traço preciso dos quadriláteros do piso. As ondulantes descidas, amparadas pela brisa que as abre, sustentam a soma do corpo acolhido em sua introspectiva decisão. Visou ao mundo o prodígio mistério do pensamento... Com voltas no tempo, o olor acompanha, afinal, as vontades que nos oferecem as mãos – apego às circunstâncias hábeis de prospecto, acariciadas na destreza de não ser pessoa, mas idéia.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Paralelo suntuoso

De qual oco vão nasce esse céu calmo na turbulência de um medo infantil? Suas sóbrias cores, cores do infinito, atraídas de visão pujante e ideal, estampam a fácil opção taciturna.
As estações elaboram a arte do firmamento; eis o grafite que te escreve com fardo relampejo. Teu personagem renuncia ao próprio divino para, enfim, ser pessoa – o limite precavido da distância que se anuncia a cada nascimento. A face suprema há sido o disfarce das dores alheias, semeou expressões à troca lunar e cresceu teus caules acima d’álgida cobertura... Assim carrega o elevado, em seu inverso caminho, a certeza e a prova da escolha – fim sem clareza e de afável percepção – sonhaste-o tu?
Dos olhos se natura o alto, verdadeiramente cristalizado em quedas impressionantes... A mais bela luz também se abre em tua cara com fome, ainda que com o mesmo pecado atravessado no mergulho do mar. Mais um oco vão ecoando a pergunta d’um findo ser...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Camadas


Derrete-se o corpo, com o seu cansaço infame, sobre a lealdade fugaz da evasão... Triste colapso tênue desse dia vivido à custa da nítida cor estampada, corrida estranha no rolar das bolas guache...
Mente, mostra suas vergonhas, assim como as entranhas parem pureza – se bandido ou santo, virginal não se conclui. Entre os pelos, há algo de toque? Fogo, talvez, carbonizando saudade! O suor pede distância. Solta-se cômodo e feliz atleta... Ah, um experiente mergulhador (de) solo. Ida...
Órgãos vitais em pleuras sufocantes acompanham o rodopiar da enorme traquéia a soluçar pecados. Por isso se resgata. – O anjo afirma vivendo. “Por isso me dispo.” – Disse Drummond, deitado em minha cama e tirando os óculos.
- O beijo ama e espera. Cai o véu entardecido; amanhã, a busca segue até a hora vermelha. – Ordenou a noiva orfística...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O eco, o vento, o retorno

Imagem: Larissa Pujol
Cai o pano branco amontoado sobre a madeira escorregadia. Solidária corrente de pingos também se alastra pela ladeira compensada de afagos indeléveis...
Acredita-se que o cortejo seja recebido com o aplauso da ventania; ah, o abraço nunca esperado ali pronto a tornar nossa face... A conta não se compadece! Assim resta cavar a mais profunda mágoa que entesoura o silêncio...
A dor, incorrigível, ora aquece o alvo tecido pequeno, ora congela a saudade – aquele ontem não cuidado, aquele hoje afastado de amor... Os cabelos longos estiraram-se na madeira com sua mania de despedida. As respirações rodeiam o sono naquele interior imóvel. Não nos vê!
Caminho que caleja a perda... Sobre ele a alça, o lenço, o Sol e a esperança d’outro dia. Os olhos além de quem vive atravessa o céu encontrando a dimensão bela da alegria ceifada aqui, mas eternizada em benção...
Uma lufa carrega balões de presente...