sexta-feira, 31 de maio de 2013

Balada na planta

Celebrando a própria obra, lá se arrasta o dia... Tal como a avenida que entre fumaças ora fica dorsal, ora se insinua – sinuosa – de muitos segredos e, logo, pode ser uma batida... Ou espera na esquina?
Acontece à corrente e ao cadeado: gira a chave na tranca e na liberdade. O peso de ambos causa barulho! Feitos de amor, um para o outro na mesma redoma de lençóis pincelados de vermelho rompido... Ah, estão nos corações das bonecas as flores conotadas de suas faces metafóricas... A brincadeira da desaforada pétala caída! ... Carregada por toda a suntuosidade da beleza partida.
Não há verso sem sua regra de formas perfeitas. Tampouco sua paz e seu amor são compostos por educadas palavras... Por que a brevidade restrita, se as notas deste bloco se referem aos acordes e ao perfume? O sinônimo, aqui, é um mero detalhe. O sentimento nos devolve ao mundo em formas expressivas de vida. Mistério saber para que lado cair... Para todos os lados, voar é o dito da sorte... Ou a festejamos, ou ela nos festeja... A dureza do solo feita de obras ruídas nossas. Apenas o caminho...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Le jeu de (homme) société

Rolar os dados, dar a partida. Sou a peça de casa a casa! Movida à mão, avanço ou retrocedo neste labirinto circunstante... Ponho-me na tua vez, talvez sem ganho, porém sem engano, por toda a mesa da estratégia. Andei pelos motivos de alegria, algum dia pulei para te esquivar da solidão, embora desconfies.
Não é momento de voltar, deixa o outro pensar em tua derrota. Os números são dados de rotina, apenas estes se concedem os zeros, perdoam e se fingem de mortos. Quase me jogaste, ora, no castigo do tempo... Casa a casa, não sou a dona, mas a janela! Blefe das horas, pontos... de estrelas.
Acaba-te por vencer a nudez de tua jogada... A subliminar tentativa do que tudo é ganho, observa-se. O risco na conta dos valores. Pediste, abre o tabuleiro! – Abrindo-me em pinos, dados e labirintos... E mensagens de mãos em mãos, de casa a casa, para ataque ou desprezo... Chances de fé.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Banquete

Ansiamos pela voz dos amigos: cá entre nós há voluntário? Os braços são pontes frágeis se não treinados com inclinação! “Piedade” pede o pastor, mas o Supremo nos concedeu o Direito...
Algum perdido, de berço em berço a colecionar mães, se prende no abandono para se desculpar... Caíram as paredes da fuga, meu caro, num coração partido! Aprenda que verdadeiros heróis voam em pensamento; nunca morrem ao tropeçar nas nuvens. Espatifam ilusão d’um corpo com muitas saídas.
Passam as águas e nenhuma carrega o mundo... Pelas margens perambula a louca verdade assistindo à direção da corrente. Deu-lhe as costas, observou-se num ponto de límpida calmaria – e era dia de sol! – e a sua mentira foi a cara mais linda que lá refletiu...
Juntos, renovamos a posse! Assim julga a batida mole d’água em todos nós, pedras duras, às duras penas movidas e rompidas pelo tempo. No entanto, somos de qualquer carência os melhores amigos... Acima de qualquer suspeita, a neblina que se despede do filho. Deveria, pois, anunciar sua chegada! Surpresa? Os anjos carregam raios...

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Para a guerra sarar

A luta tem cerne doente! Tem ânsia de volta; à nossa casa retorna o punho fechado da revolta. O espelho não tem classe, não mede o conforto do lado contrário e tampouco pede calma frente à própria cara.
Vivamos um pouco de tudo isso, digo que me poupo da face hipócrita após o beijo... Ainda escolho. Vivamos um pouco toda doença! Este consciente outro sedutor social... Recolhida nos braços, a criança observa o (seu) porquê desprotegido num tempo quebradiço e adiantado de futuro; a vida da morte num epitáfio abençoado.
Não há dor sofrível perante a esperança do paraíso – qualquer corte é anestesia num já fragmentado corpo de mágoa. Apagado o dia como a vida horária da borboleta – o vôo detrás do arbusto avança sua ida... No horizonte a mesma linha pintada à negra e espessa sombra está em meus olhos.
Esgotaram-se suas vinganças e as honras entregues àqueles que melhor poderiam enfrentá-lo. As faces seguem inteiras, percebidas e despedidas conforme a sobrevivência. Comprando o limite de dias melhores, o homem se enquadra na fotografia... De corpo inteiro, picou o próprio papel.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Luz e meio

Imagem: Larissa Pujol

O tempo colidiu em mim, neste corpo que é notícia. Uniforme apenas a distração na mirada ampla aos fragmentos. E lá no alto, bem próximo de todos, tal encostou a sombra na lua me permitindo o detalhe nesta imensidão de vida a que tenho direito...
A luz disparou e dispersou-se por todos os olhares do mundo. Bem distribuída, assim, para que nos certifiquemos do seu assíduo cuidado... Alados, os ventos encontram suas almas; eis meu colo de Terra a servir pessoas sonhadas. Repousa com gesto frágil neste arco luminoso que propõe o tempo em transe.
Sentido o amor, o pulso quisera o cheiro disposto n’alva pele nua – evaporou carregado pelo vento d’um norte qualquer... Por amargura, bastam as vivas carnes nele apegadas. Velhas mãos hoje a apoiar n’algum cômodo a incômoda paciência. Dor pela dor, a coluna agora ereta... Desmanchou-se a cor neste chão (de luz) – logo o Alto me provém mais uma fase... Plantas tosadas à míngua adornam o côncavo acalanto...