Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2013

O espaço da pedra

Num curto espaço, o abraço é o nosso tempo eterno – como a busca do dia futuro – velha nos parece a criança curiosa de corpo... Há lágrimas que os lábios beijam; saudade é criança e somos o seu responsável pecado.
Diga-me, hoje, que as horas o fazem sorrir; e se elas, na lembrança, mascarar-se-ão de sempre... A sempre pergunta que de muita ordem a possuímos. Dever na dúvida de continuar, mesmo que o tempo do sempre acolha-nos num abraço. Se persistir, compensar-nos-á a culpa: num dedo, num mundo, num sempre rotineiro.
Futuro, hoje? Decidiremos. Ao plano do passado esticaremos o quando patético da falácia para iludir o ócio que cai do céu... O quando do assim é. Respostas em curto prazo para nosso acúmulo de amanhã. Preparado? Vá. O para sempre é uma pedra!
Nosso carinho, nenhum espaço entre o abraço! Espetáculo em incontáveis atos pulsados e de intervalos mirados um n’outro... Obtemos o sempre que volta feliz, mas partirá entregando-nos a missão... Feliz regressará num agora que lembra…

Coturnos

Coturno que afofa a terra Tiro que fura a nuvem Guardiões de verde Bandidos na chuva
Piso forte Tiro ou morte Suicídio dos guardiões  Homicídio dos ladrões
Um pé, dois pés Braços estendidos Epopéia ao revés Anti-heróis armados Guardiões vassalos Novo tiro...
Coturno de sola gasta Um, dois, mil pés Braços curvados Arma sem bala Tiro de saliva Projétil de sangue Guardiões suicidas
Ratos da sanga Profanas tumbas Cantemos Chico! Coturnos abertos Pés roídos Terra afofada pelas solas Carcaças afofadas de tiros
Mil pés... Afofando a terra marrom Várias carcaças na chuva De olhos abertos De peito furado Guardiões suicidas Leis homicidas...
(Poema publicado no livro Versos Transeuntes Verbos Ausentes, 2010)

Alva labareda

Um pingo quente desafia a nebulosa e cerrada manhã. Despejara-se durante a madrugada gotejando encanto deste sonho álgido. Lânguido prazer escurecido pela mão mestre das sombras pelas quais a Vida assina a página.
Pelo rosto do infinito, a bela fulgura dourada olha o pudor do mundo. Ali fica o menino com seus pés parados, mas levados pelo tempo - num dia apenas - d’um mundo corrido às tontas.
Balançam os galhos sorrindo céu! Quais palavras cantam o vôo? O dom, a senha, o suspiro – suporte de giro nas entranhas sucumbidas de sangue, morte e alimento. Soubera o amor que o passe bailado riscou seu peso num fundo expirado qu’inda flameja esquecimento...
A verdade assim parte sem que o mundo perceba. E o herói, com sua capa desenhada, berça-nos em sua dissimulada paz do sempre... Idolatremos o nada escondido para onde vai! O labirinto já em nós se perde, e os passos indiferentes continuam carregados pela normalidade do mundo. Ali, menino, sua célebre visão se acomoda; para lá, a sua cel…

Diálogo do Tempo

O Tempo por não ter tempo de pensar no Tempo, perguntou para o Tempo:
– Quanto tempo tem o Tempo?
E o Tempo por ter tempo de pensar no Tempo, respondeu para o Tempo:
– Tempo tem sempre tempo!
(Publicado n'O beijo da boca-do-céu, 2012)