sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Sob a janela

Alguém sai da boca sem ordem ou juízo. De corpo atrapalhado, a insana sentença brinca sua verdade esgueirando restos de decisões enumeradas. Maduro pomar à frente que anseia à própria composição faminta provocada por sua quietude e seus gestos de queda e de prontidão... Enquanto há templo sob o corpo, confesso o vigor solitário e imenso ao contemplá-lo na boca com cores delicadas de vento-norte.
Um desespero aplaca o vestido adornando o ar ou, talvez, o ânimo. Qualidade afável na agitação das definições. Entende-se, arrisca-se imerso no espírito, ora na áspera boa lembrança, o sorriso cativo e arisco que abandona a palavra e se preenche de singulares percepções.
Vísceras: os momentos já as experimentaram na introspecção de encontrar algo único a se dedicar. Com cotidiano somos tingidos à existência opaca e orquestrados sem eco e ruído. A casa nos eleva em seu contexto solitário eufemístico. As fagulhas de cólera se antecipam neste acúmulo de pronomes, impropérios contra a falta de um si sofisticado ou nunca criado.
O ditado se exaspera avesso àquele solitário de mirrada companhia própria. Legião de poses dispersas em caras e frutos infinitos em qualquer fome suportada. Não fora negada a mordida, tampouco a cálida continuação promissora de si.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Prelúdio

A soma dos ventos nos corpos que respiram; tais milhas de caminhos que carregam os olhares dispersos do dia. Cada alegria, simples ou escandalosa, suspende-se nos galhos completos de horizonte outonal. Na terra, a liberdade, seiva feminil, espalha novidade eterna e descansada de tempo.
Aos gametas da vida: a sofrível fragilidade dos desejos. Quão sutil o plano derrocado do olhar temendo a mudança brusca do ar, do que se respira em partículas de instinto. Surjam de todos as catástrofes em estrofes aceitas de paz... Sem suborno, deixa-se partir um beijo obscuro e insignificante - contrário à chegada de nossos genes em qualquer caso...
Suspira o peito no anseio do sangue que lhe resta... Findou-se, então, velho e consoante ao leito amoroso que servira na sua calma crida de ideologias e confissões verso à verso. Eis, talvez, a verve mortífera do caleidoscópio a nos esbanjar espírito e uma imensurável dimensão em diversas paralelas móveis honestas.
Não divergirão neste espaço o qualquer e o pouco... A matéria venosa de todos os ninhos se encapsulam na sobrevivência obtida por pontos desenhados à cores sem critérios, à sombra dispersa de candura.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A abertura do manto

O ar das cores, o arco pleno e distante – adornos d’áurea avistada em qualquer fruto – são os passos das estações nestas faces ambientes e reproduzidas. Versos se diluem semelhantes às nuvens concluídas nos pés selvagens e líquidos de todo um ser.
No solo, o plano de sua imagem verticaliza o infinito enquanto o pensamos e o carregamos na comunicável extensão tênue do bem passado que resta... Indaga a passagem em suas reticências o olhar cativo da metáfora dita. Somos respostas atraentes do que virá – esta frente enérgica, aflorada e harmoniosa de cada pouco descrito.
Sinta atrocidade ou longevidade, um beijo de paz sempre corromperá a derme d’alma sob o poema cego. O pensamento, como crisol, prova sua prata visionária da lua; e em seu ponto sincero, foca a cintilante alvura dos ventos que desviam a primavera com seu véu furtado das lágrimas...
A luz exaurida sobre o eterno repouso completa a cinza circunspecta ao nosso redor. Branda maturidade que estende seus braços por detrás do apaziguamento confesso.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Se me rendo

... ou se me rendo...
Imagem: Larissa Pujol

Na abstração das rendas cose-se o detalhe descoberto no arrepio da pele – esta minha cama eterna sob a mão da luz que me desenha sua curiosidade. Vista a sombra tatuada móvel, tenho culpa dos contornos dobrados, desviados ou reconduzidos destas flores fio-a-fio como moradia da aranha... O laço no perpétuo circular da cintura assume brincadeira de ti, dono de amarras com a leveza dos enlaces das pernas... Que sombra! Que curiosidade! Que mistura por vir.
É pelo caminho casto me cobrindo fino e arejado, cujo contorno desfaz o fim nas suas metades torneadas e feminis, que não se perde o rio viscoso e incolor, escuso no segredo. Segue a falsa modéstia da renda ao encontro suntuoso daquilo que realizas. Expando-me toda ao que és – o céu despido de suas nuvens – e evoco o reduto sensível do segundo nesta fragilidade bela e ilustrada.
Cada fragmento de um eu em sombra se une em pele durante o escorrer das rendas... Pertenço ao que me esculpe o céu nas minhas procelas... O olho escolhe o encarnado cômodo tenro. Todo tu é bem vindo.