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Mostrando postagens de 2014

Farelos prudentes

Há um pássaro alcançando a convivência da gente nos riscos d’um caminho qualquer. Olhou a silenciosa pujança da sobrevivência sobrevoando os postais calmos que se assiste desejando.
A gente não aprende que possui asas, mas as apreende. Como a liturgia do dia que tudo certo aparenta, faz do medo o seu propedeuta; e nas suas poucas veias a teia se encerra no jugo do cerne corrompido e vazado nos vetos.
Contornos pingados, pastosos pastoreios de vaga recordação, seus contatos alados bradam a perda. Indagam na verve posterior qual olho será perdido pela vida que busca a si mesma. Nas mãos da perspicácia a fraqueza é alimento a outrem... Aos pés do cretino a bondade não é segredo sorrido.
Visou a gente a aurora daquele pássaro. Sob o lençol argento vai cortando este frio carnal que despede o véu. Parada semelhança da presença justificada de ira e paciência – tão loquaz – cuja criação se tem morta. De nada as dores cometem o nascimento. É permitido, é quebrado.

O segundo começo com ela IV

Mais nova a beijando entre cabelos e costas para despertar ao som de I write a song for you... - E aí foi porque eu gostei dela, porque queria entender a completude do que é ser uma mulher, e dei a ela todo o prazer que podia... Foi me puxando a ela até que eu pudesse dizer sim. Primeiro coloquei meus braços em torno do seu miúdo corpo. Os seus envolveram minhas costas com todas as mãos que o sentimento lhe dava. Ela me puxou para junto de si para que pudéssemos sentir o toque dos nossos seios. Pares perfumados. Sim, e o coração nosso disparava do mundo como louco... Sim, eu disse a ela: sim! Eu deixo sim, beijo sim, eu a amo sim!
- Ah, minha garota de quase trinta anos... Tu és a melhor James Joyce sobre a primeira vez entre duas mulheres...
- Não sei por que o igual ainda pode confundir tanta gente...
- Gente estranha essa! Tenta se completar no oposto, tão logo se esquece de si no outro que repele e repele, aos poucos, formando a infelicidade. – Começou a escolher peças de roupas…

O segundo começo com ela III

Seguiu pelo corredor, a porta ao fundo estava aberta. Um quarto amplo, de gesso forte nos rodapés e no teto para passar luzes incidentais. Uma claríssima modernidade em papéis de parede, móveis suaves e dois criados-mudos que exibiam três porta-retratos – na cabeceira dela: seus filhos, ela mesma. Na cabeceira ao lado: o casal... – Mas sobre a cama de casal havia uma mulher madura com roupão com laços entrelaçados, mas pretensiosamente soltos, e permitidas fendas que transpareciam nudez total. Não sentiu culpa. – Minha colega! – Exclamou a aprendiz do outro feminino...
- Entra, minha garota!
E a sua garota prosseguiu calada. Esta garota que não tinha nada ingênua e já tinha grandes alfarrábios na sua vida sexual, já que perdera a virgindade com dez anos de idade...  Sexo sempre lhe foi instinto. Cheiro de homem, que fosse ela de quatro, de compasso e aberta entrega! No entanto, perante Rhode, ela permanecia calada, paralisada!  Esse medo advinha da normalidade do amor, melhor dizend…

O segundo começo com ela II

Um apartamento planejado para neutralizar ruídos. Lá dentro o dia esquecia suas horas. Poderia ser seis da tarde, como seis da manhã, três da tarde... Cortinas, sofás, tapetes compunham um cenário macio imerso em luzes indiretas. Dia ou noite, o lado externo – tão longe – não importava. Soltaram seus pertences pedagógicos numa mesa de vidro... Rhode se jogou toda aberta no sofá, recuperou uma boa cara de arquivo, e mais afável que no colégio, ria mais, sorria voando, tagarelava com o único compromisso de ser feliz... Mui linda, uma dádiva de D’us! Ela puxou sua colega pelo braço jogando-a em seu pequeno colo naquele móvel... A cabeça da menina se acolheu sobre o peito da rosa. Ali ainda restava algum pó perdido de giz... Rhode a acarinhava passando-se com unhas-arrepios nos braços e cafuné. - Suor pedagógico. – Disse a garota professora sentindo o gosto úmido da outra pele feminina em seus lábios. - Temos os melhores suores. Mas o mate lá no colégio, o calor, a caminhada e o dia let…

O segundo começo com ela

Seis da tarde. Hora para encher as ruas unindo-se aos demais cansaços do dia. Hora como era de se esperar, diria o Chico... De ouvir batidas descarregadas nos portões... De colher nos pés o calor do asfalto e algumas lascas de pedregulho que insistem nas brechas das sandálias rastejantes...
Entretanto, às seis da tarde, estava ela na sala dos professores com Rhode. Compartilhavam risadas entre sorvidas num chimarrão verdinho, de paz quente e aveludada, que renovava qualquer fardo docente neste fim de turno. Os demais colegas já haviam fugido para aproveitar cada segundo de pouco pensamento em suas casas... A sós com ela, Rhode, aparentando leve rouquidão após dez períodos de aula, dispara-lhe um convite:
- Daqui a pouco teremos de fechar o colégio... Vamos sobrar por aqui se não formos embora logo. Queres ir?
A entrega desta pergunta soou à sua garota uma explícita fantasia amorosa, visto que Rhode falou com a boca muito próxima a ela. Mas resolveu concordar com a ética da profissão…

Sedimentar vênus

Concreto que ao corpo acoberta entre os verdes suspiros afora. Fantasia-se a história de véus. Sobe-se como sentimentos, espiando janela por frestas. Colhe-se folhas e pedras, pensando na evolução sem ao menos preservar o evoluído...
Cores são vistas e prescritas a cada curiosidade. O céu mesmo, as cores tranquilas e pingadas, as mesmas. Qualquer visão ao alto esperançoso se pensa no vazio da escuridão... Quem também esperou sentindo-se diferente, porém comum? Monstro de fraco sopro na corrente do Letes! Linhas finas em seu céu pouco de olhos consumiram sua natureza em números contados golpe a golpe.
Passou matéria de si, então, lá existia grande trabalho de sangue e patifarias de erros que insistiam na mudança, porém. Sentiu falta até esta ser ofuscada pelo grande assombro do muro conformado. Calor de outras belezas cruzou ângulos entre suas pestes, diluindo a terçã enfermidade. Remediou-se de bocas em seu solo.

Nas permissões da prata

Oleosa plástica nas mãos remediadas de preguiça, entre todos os capitéis de pústulas arrebentadas por alguma faísca de velhice. Ao próprio mar, fustes cujas arraias à sangue se inchavam de moléstias crescidas pela pintura a óleo... Enquanto ela pudesse aparecer com cornijas, aqui, o olhar argento a fazia num vazo romântico de sua repetência. Ah, quantas recordações sob sua guarida! O espelho é o melhor narrador em terceira pessoa. Pensamentos: altos dos elzevires numa vidrada visão espaçada entre alguns riscos e pontos sujos da própria condenação.
Por vezes perdida, pergunta ao ponto de se confiar se o cristal à frente pode ajudar... Ou se a única pessoa ao longe, mas dentro daquele cristal, pode encostá-la. Entretanto, uma dose, bebida depressa, a faz considerar a situação mais calma... O espelho já havia retido a imagem. Ela estava escondida novamente.
O ambiente, deixado entreaberto, sofria uma leve passagem de ar vindo de outras frestas. Ele se fechava à suas costas cobrindo-a e…

Corpos primos

Eu escolhia meus dedos enroscados, mas não perdidos, nos curtos fios secos que ele deixava acarinhar. Eu escondia e emulava um fio e outro na nuca nervosa daquele homem admirado com seu próprio sonho ali presente, observando entre sua pele anosa e seus cabelos um metafórico mármore grisáceo e desgastado de vida... Seu medo, assim, como lápide de cemitério, se esvaia do meio daquelas cinzas macias deixando um remoto frescor... Ele palpitava a respiração. Eu velava a vontade que no seu menino adormecia há mais de uma década, despertando-se a si mesmo quando os olhos fechavam e o tato o permitia sentir em minhas pernas uma expiação pela tortura.
Eram ruas de ladeiras asfaltadas entre semáforos e velocidades apontando o destino do tempo que corria. Lombadas em sua testa com sobrancelhas arqueadas, os sorrisos curvados de todos os “sim”, mãos que trocavam guias em minha pele. Nós, iluminados a dia, como toda multidão que escapava para baixo das marquises – linhas curtas de acordo com o m…

Cerco bestial

Jogaram-no contra a música incidente. Partiu de seu rosto a pesarosa concordância de filho sem que o houvesse acompanhado. Planeja, pois, o erro conformado da sutileza que antes rira; e, sem um hirto costume bajulado e incapaz desse maior que se abandona...
De livros e fins carrega-se a verdade de que as leis se interpõem à justiça muitas vezes. Estão aí, não para facilitar que se faça o bem, senão para preservar os conceitos parvos que nos mantêm escravos da nossa própria estupidez.
Beethoven encaminhou para a morte lunar seu ensejo de trato – no lado direito do vício. Viçosa madrugada em que alguns pássaros vigiam o próximo minuto de despreparo. A velha culminante mortífera agora cose o agasalho nosso. Suaves dedos oprimem veias na calma d’uma paixão. Pressionam o sangue, ponto a ponto, a escapar do segundo outro... Agarra e escreve o destino de carótida rompida; passeia nas brechas das pontes. Vai-se jovem e inconformado indefinido do seu próprio bem. Tempo em seu leito de primave…

Rhode Perfume

Pronuncia-se rodja - rosa -, palavra no mapa confuso daquele vermelho escuro dos seus sapatos... As torneadas mornas dos passos, denunciando o labor das quarenta horas semanais, dizem suas pernas ainda de uma presença que demora na desordem da minha cama. – Admirou-a aprendendo...
É no seu abraço que o olor presencia o deleite imitando o esquecimento do mundo e a associando a uma imagem de nudez à espera... Rosa percebida desde o instante da última vez do que seria a próxima! O hoje sem data se cria na casa sem relógios. Um hoje ontem ou iludido amanhecido, mas amigo da ordem. Ambas se apalpam com mãos ansiosas, acariciando a mornidão de suas cinturas.
- Fico a noite toda. – Disse a recente aprendiz d’outro feminino ao ouvido dela para que, enfim, a sala fosse fechada e o meio daquele entardecer se esvaísse logo com as vestes cansadas de giz...  - Não faremos vida. – Continuou a recente aprendiz, ainda na casa-lira dos vinte anos...
- Mas a continuaremos, minha garota, como ela deve s…

Um decote entre a fosca cabeleira

Foi após o solo Waltz In A Minor, de Chopin, que a porta bateu quebrando a pueril compreensão da última conversa. Num sobressalto, as ondas da fina cortina branca – branda e transparente – desdobraram-se como as páginas do seu próprio livro. A voz lhe foi varrida, mas nada a associava à ideia de surdez... Acústica sensação perspicaz daquele alvoroço soado entre as feridas ditas.
A sorte é boa para o que eu sei; e o perfil oculto em cima dos ferros escuros e debaixo das últimas fumaças, naquele corredor, cuja claraboia se visava artista, seria uma geometria a mais entre os círculos e rombos de uma destruição abstrata... A única ternura vinha de baixo, dos ferros que a levantavam...
Clássica música sob o telhado das calhas. Calhas prateadas solenemente pelas teias de aranhas tecidas entre as pardas madeiras carcomidas... A dor é compatível com os dias em que o indivíduo esconde suas doenças para não ser abandonado pelos seus demônios. A coragem o possui com frequência nu…

Para as sobras dos pés

O resto solitário dos dias voa além dos montes, tão longes não sonhados pelos futuros e acompanhados tempos, a criar dispersas rotas ao expresso. A solidão é o seu melhor ser. Ela entristece se se acolhe com o pensamento no outro, fechando os olhos recusados a acreditar na glória da fuga que espera o solitário.
Compreensível aprendizagem na eficiência do mergulho a grande velocidade que lhe dá o cerne amado à eloquência da visão. Saboroso e vivo a alguns metros da superfície isolada do próprio mar de conversas, cuja precisão da saciedade dispensa os palavreados que, como pães amanhecidos, tentam definir a solução. Mesmo assim, o resto solitário do dia nina um corpo esfumaçado que aprende a dormir no ar, estabelecendo o percurso noturno pela lufa do largo e cobrindo mais de cento e incontáveis amores por segundo, desde o ocaso até a aurora do controle interior...
Nevoeiros costumam por brecha do aberto a nos oferecer a cara d’outro para análise. Até que o impulso guie asas ao clarão e…

Rhode: Raise bet!

Aninhada sobre o ventre de Rhode, esparramando os lábios... […]
Rest your weary head and let your heart decide
It's so easy, when you know the rules
It's so easy, all you have to do is fall in love
Play the game!
Everybody play the game of love
[…]
This is your life
Don't play hard to get
It's a free world

Em nosso jogo, infanta intenção seduzida que aprendeu com Musset a séria face dos dados, as palavras são palpite de risadas mordiscadas com tragédia.
Tudo se regra à predestinada oportunidade enquanto a estratégia já descobriu. Angústia. Chegar à perfeição em pele, mas o atual alcance da mesma se dá em boa companhia... Parte a comédia verborrágica na qual abusamos da sedução e dos maus-tratos. A vida louca questiona o arrependimento – este transgressor – sobre um déficit de atenção. Se cada instante contigo para mim se torna uma abstração da eternidade, Rhode, não tenho do que me arrepender! Crivo o pasmo sonho em tua face tabelada de vencedores...
Que peça tua brinca com mi…

Rhode

Possui o corpo acostumado às linhas do conceito, mas insiste em confessar seu perfume que desce sobre mim como fada sem máscara – e dizendo gostar – ameaça-me com magia durante um jeito lá, um passe cá disfarçado entre nossas cinturas...
É de delatar os vestidos! Com os saltos pingados no piso opaco abrimos e fechamos os aros visados de nosso regaço. Ofereço a mão macia à concorrência mostrando a agressividade feminina no seu auge. Camuflando tecido e ambiente escuro, volto à minha posição pela linha congruente aos riscos das luzes que traçaram o escuso puxado dos olhos.
Nossos corpos sinônimos e a mesma curiosidade nas notas da entrega musical. Somos beleza; talvez uma simples brincadeira de dança aos olhos daqueles que nos assistem, mas o poema em nós abstrai em aliança epidérmica de toque leve. Sorrisos entre bocas rubras pontuam entrelaces das nossas letras salazes em unhas tingidas.
Somos sinônimos dando asas ao conceito – para longe. Em nosso sofisma de agrado, a concorrência, …

Pela luz dos... "olhares da verdade"

Num pingo de solidão ali permanece o compêndio da sua bondosa figura a concentrar a própria tarefa de acreditar entre verdades. Imaginação também é sua verdade, e mesmo num momento de passagem, somaram-se tantas partículas por ela percebidas em seu evidente silêncio externo, ao fundo do preenchido alarido das conversas e bizarras atitudes alheias – e estes outros, assim, não criaram atenção...
Ela é daquelas peças de pequeno-arquiteto: riscada tijolinho por  tijolinho, janelinha por janelinha, porta por porta. Moldada à telhadinho. Sonhos, penso, do seu retraído balanço na carteira durante a escrita que me a relembra. No entanto, ela os joga ao perdido e vingador esquecimento que cresce consigo. Curioso grão da realidade a ser possuído por sua atenção às gotas. Embevecido refrão a cada letra das maravilhas ao seu redor... Harmonia corre em meus olhos aludindo o paralelo a cada ponto.
Verdade sua, vida a vida, ela personifica ao texto. A pena sábia da história crê na diferente busca. …

Pièces montées

Joga num pano de montar peças teatrais as palavras de Brecht! Um duplo sentido de lençóis é o arranjo de um casamento entre o compromisso aventureiro da sociedade efêmera.  – São os teus admiradores! – afirmas tu na presença turbinada de emoções suscitadas pela união de dois seres.
Toda uma gramática de coração para celebrar o amor e o casal que procura, sob a cabana feita de cobertas, vivenciar as etapas mais emocionantes das bodas platônicas ou a decidida união, mesmo que situacional.
O discurso perpassa o desejo. O imaginário perpassa as declarações, o amor perpassa o cansaço, a dúvida perpassa nós mesmos... E as vontades de Ibsen giram nas plásticas magias das bonecas. Por ti, Albee indaga se tenho medo de Virginia Woolf, e etc... tentando capturar os apaixonados.
Figurinos de minutos e alianças investidos para nos escolhermos um no outro às custas das perdidas noites de descanso. Como Brassens cantou “Ma mie, de grâce, ne mettons pas sous la gorge à Cupidon”, nós deixamos o inte…

Obséquio amigo

O encontro, como labaredas do fogo, corre depressa por toda a cidade. O grande corpus arde em chamas. A grande sanguínea está incendiada. A pessoa fica estarrecida. Entre nós desenrolam-se como línguas de dragões gigantescos, as caudas do fogo amado a bater o chocalho furioso das faíscas varando veloz o céu fincado pelo vento. Cresce o fogaréu, e mais, sempre mais, aumentando a sarabanda do suplício de tanta gente que busca o fim no atropelo das horas. Fica na crônica o mais emocionante e trágico cotidiano que se tivera. A fogueira das pilastras ósseas marca angústia profunda de amar, isso tudo em momentos que a força e o saber humanos parecem capitularem irremediavelmente.
A trêmula história registrada por nosso corpo entre as sombras de fumaça-cidade esbatida nos horizontes é relembrada como uma advertência: aconteceu entre nós. Nós, envolvidos pelas chamas instintivas, resultando num espetáculo dantesco de proporções inusitadas. Sofre-se a mesma estupefação. Para mais um capítulo…

A querida dos sonhos alheios

O retrato partiu do seu brilho ocular. Este azul sincero. Melhor que a prateada diferença frente à minha cor branca levemente ruborizada, distinta pela manhã. Viu-me por mim um reconhecido autorretrato à Modigliani, assim pousada no entendimento d’outro. Com silepses de afago, este azul sincero de um moçoilo Chico Buarque conduz-me toda volta do meu cabelo recém disperso sobre minhas pernas. Disse como o vento entre cortinas que a luz se acendera através dos fios do conteúdo... Olhos que me diluo em seu lápis partido e regressado aos trejeitos do cotidiano os quais o vigiavam.
Pertenço-lhe de loucura viva. Enfim o seu suspiro cinza retirou meu próprio reconhecimento estático da escultura santa e o amoleceu nas voltas ventanias dos meus cabelos que ele viu. Ah, honra pelo coração que dos olhos azuis sinceros ele me julgou em sua bondosa adulação somada à minha complacência e à sua doçura. Renovou-me nas mesmas coisas, mas em excesso! Ousou, opinou: louco artista. Do outro lado, eu, a …

Passado em matriz

Sobre nós há um conto de números e respostas ao jeito indelével e corpóreo. Cenas curtas, de arrasto à cadeira pungente numa amarra abaixo da mesa entre as pernas – estas tímidas mães que não correm, tampouco se exaurem abrindo-nos.
Pares de personagens vividos em diferentes décadas, cada uma com sua indolência – me dizes tu que chegaste com toda a inocência, não sabendo de minha história. Alinhaste o diálogo pelo percurso do vestido de noiva, nascida pelas mãos experientes de almejo, e finalmente escorrida junto ao chão carregado de fardos que aprendemos.
Do meu vestido branco parte a tua materialização do amor puro, sagrado e sacrílego. Em mim para a tua visão quero que seja um objeto exilado de sua função e contextos visuais... Apenas visa um pedaço têxtil, poeticamente elaborado, ora para a representação apartada da ser que a ti se despe das nossas realidades, ora para explicitar, sem donativos educados, o desejo efêmero, mas eternamente retornável, ora para deter nos vãos que pe…

Caro filho, filho meu...

Há pouco, um grafite na mesa do professor revelou-me os ingênuos traços da tua descoberta masculinidade do amor. Letras claras, mas escusas, de tempo impreciso, definindo apenas o reluzir do sentimento no encontro entre a lâmpada e o móvel escuro – ambos velhos de uma nova história.
Leio meu nome e minha profissão ali jogados como Galatéia idealizada sobre o teu peito aberto, incerto de possibilidades, porque sabes que não mais vivo isto, meu filho... Quando nasceste, creio que eu recém chegava à minha casa esquecendo os poucos segundos da madrugada que contei. Ah, Querer: verbo bonito de ironia! No resumo da compaixão, meu filho, resta-me a graça que será ao lembrares de mim como base para escolher quem contigo amará.
Por enquanto, o espírito sonha em teu homem, meu filho, projetando a realidade essencial através de tua inocência – que continua pela exterioridade do corpo... Meu espírito, filho, há muitos divãs, despertou... E hoje vela a matéria a servir a ti e teus colegas com o m…

A investir em arranhões

Tenho um subterfúgio para o final de quinta-feira: um canto de qualquer ponto de cinema juntando loucos admiráveis ao meu lado e nos inserindo nas notas de pausa e expiração d’um blues que compartilha, também, suas dores.
Puxo o passo entre as ruas do descaso humano. Prazer da solidão em reconhecer a madrugada urbana pelos cacos sonoros das lajotas que orquestram o trash-hard com meus saltos e os pedregulhos que chuto adiante como balas de revólver. Em forma de fones, Cazuza está suspenso no vão preenchido do meu decote. Deixei-o no volume máximo para o caso de mendigar “piedade”.
A primeira noite de hoje não foi boa – poderia me socorrer, então, esfriando as mãos nas chaves metálicas do saxofone –,  mas a segunda vem com amigos... Chega Silvana, minha parceira de fumaça. Logo mais a Cláudia e suas piadas, a Magdengosa, o Marcelo com seus caprichos anarquistas, e... e..., na continuidade das aditivas. O ponto de cinema se torna a versão remasterizada do Café Nice. Pedem a mim que sa…

O suave cumprimento

Seja o botão a fronteira entre a espera e o desfrute. Nas vestes, ele atenta ao par errado através do paradoxo seduzido... O especial, aqui em meu corpo, define-se como a transformação alheia sobre o que nasceu. A flor, então, desce antes do próprio caminho de si desfeita na pele necessária.


A loucura é a paixão da inteligência. Nela cabe um tudo nunca raso, nela se recolhe o olhar desacomodado de quem a permitir; e, à submissão da galhofa, ameaça os que a atiram no destino de terceiros.
Um frio aquecido pelo horizonte converte o longo retiro de delicadezas em móvel possível de tempos em tempos nos quartos com novidades. Emerge da melancolia. Então conversa reduzida ao tempo mais-que-perfeito à espera do mesmo indicativo no seu agora. Vem de si o anseio de expulsar o mundo, sem compromisso com a resistência.
A intimidade das nossas palavras s ’esconde no lugar menos pensado. Alcunhou-se “lá fora” a verdade que deles ficou, e assim morria o desejo d’estar na habitada segurança cuja …

Delgado

Tecido preto encobre o fraco vermelho. Aos olhos alheios parece-lhes que choveu ou que se destrói a pele no altivo suor. Tecido preto não escolhe estampa... É belo e forte no cândido escondido... Figura interna pinçada a moldes criativos ou nostálgicos do que se consome...
A selvageria ouriça a pele sob o tecido preto. A mãe a acalma tentando passar por isso, mas a armadura têxtil suporta melhor. Cortou-se entre os segundos da sombra, entre os vãos cosidos e puxados. Fraco fio a vida conserva... Só de amores fica e espia os seus novos amores... Por todo o tempo, a imortalidade continua sendo uma criança.
Não anda, galopeia entre os sexos. Serve a comida com intuito de querer... Desliza o exagero de todas as doenças... Ninguém percebeu o liga-ponto desses cortes. Remendos compreendidos no deleite que a ampara. Sortilégios arrebatados da culpa sem suspeitos... Despedida içada na vela de um náufrago suspiro... A covardia é jovem.
O pranto alcança a boca... Quando desperta o tempo já foi; e…

Assim porque és tu...

E o que escolhes, filha? O abraço do mundo, eu sei. Tão pequenino corpo descobridor dos mares musicais e táteis de juventude, esta juventude que ouves ao descolar as páginas de qualquer novidade lida... Ah, filha, a hora que tu queres! Linda contigo é a diferença! É o som, é a pedra, é a descrição culpada de bondosa apresentação envolta aos teus recentes curvados anseios de moçoila...
Novo olor como o garoto a que te apegas, filha! Ainda usarás muitos que te variarão na tua própria obra; mas a graça de não ser sincera nas confusões tu comemoras na passagem vária de geração. Viagem esta com portas de personagens encontrados em tua sala de visitas (ou em teu divã)... Com gosto pretendes abri-las. Quão lisonjeira a tua oportunidade!
De menina-tu é feita a persuasão querida por todos. Pensavas em entrar e apelando com alegoria vinha o título da curiosidade. A capacidade da hora tem a chance da inteira exploração de tua e criada imagem. Gostas e tudo se difere... Invade o acalento dos piv…

Caprichos frios

O espírito sonha homem na inocência que é paz. A arte angustiante, tratada com semelhante argúcia por nossa unidade imediata, conceitua o alto diferente entre o repouso e si.
Simpatia usual é descanso. Efeito paradoxo do descaso cedido, mas determinado na inexpressiva realidade confluída antes e após a possibilidade... Confirma inteiramente a palavra ainda não posta na candura. Doce culpável cuja harmonia trata esta felicidade!
O crédito elogia a criança. É mérito desejado nas entrelinhas das pernas o sopro identidade sobre a natureza e o livre encontro. Neste somente o véu é capaz de levantar a suspeita. Não seria suportável se não sentíssemos o choque metálico ao enfrentar com ímpeto vital a coerência da normalidade...
Número infinito compreendido a todos! Por toda a parte, todos se identificarão com alguma parte... Há a exceção de uns poucos que tenham visto os poucos infindos... Ainda começam a busca do aventuroso enigma do monstro-conceito de sua própria obra.

Espectro marginal

É de cores a saliva entre as lacunas da arte subsolo! Sou fascículo entre dois envoltos de labirinto perdido ao encontro oculto em excesso. Cria à crença experiente de chavões a felicitação por estar saudoso... Um espaço crático ora ao papel da imagem corrente à parada do olhar santo. Móvel custo da idade cujos pelos aquecem-nos ao feitio animal da nudez; nela trituradas as descosidas têxteis narradas, antes rascunhadas, na vigília das rendas...
Contadas ao escuro calado dos gracejos, as águas-estórias recolhem em seu infindo baixo as serpentes de pernas ideais do artista edênico. Os fantasmas rumorejam frente às rosas cheirando à frescura úmida das vestes íntimas... Jaze a una cor, no princípio.
Vermes que partilham sítios propedêuticos versados em velhos silogismos. A partida de andada e particípio: agoniza o molde trimorfo alienado no sobejo nada hipócrita do rato. Ao caso, gotejam das visões os espelhos... Enfezou-se a distorcida tarefa de retornar ao contorno aquém do entendido li…

Poesia seca

Investigam, pois, os contornos seus sobre o nome tranqüilo. Tal como a medicina amarga que ainda não percebeu onde curar, a persistência convém em suas mãos carregadas de células e pouca morte. Seja o norte este perdão próprio d’uma carne olvidada.
Joga pelo complacente fogo dos céus aquele pássaro louco por canto! Frente a cara do amigo é cerco humano assassinado abaixo do que se imaginara. É túnel abissal, terra de gente construída a sangue do pó circundante a gametas competidos em si. Farelos de pele a cor gris do pelo denunciante da despedida. Filhos nada mais dizem até o cumprimento da data na lápide; e a pedra lapidada, antes móvel, lembra-se viva nos pesados tons abafados d’um piano...
Vestir as luvas para acolher as lágrimas aturdidas, mas cálidas como a pena de criança. Foram excetuadas as culpas balanceadas no disfarce colorido e transparente... Algo acima de ser tolhido nas procelas da matéria atingida. Leve vitupério ante o esplêndido capítulo... Fundamento expoente num …

A ficção da perda

Ao meu lado ela desabava sobre sua face a derrocada d’um conceito. A ilusão sobre a imortalidade tornou sua própria metáfora. Mediada na recente juventude, tivera motivo para que rompesse em prantos todo o brilho corrente de suas respirações.
O dia passa para que sua poesia fique nos lampejos jovens e notívagos do sofrimento. Doença esta que a menina recém-jovem trouxera ao seu colo após a plástica brincadeira sob os véus escusos do que seria. Nada a ela lhe argumenta, mas a justapõe na matemática entre um infinito e outro durante os números. Com a dor para ser sentida, ela criou seu próprio aviso naqueles personagens finais... Não mais, observara a continuação durante o meio de tudo que morre.
Entre a vontade e a experiência lateja a culpa do fim. Tragam-se no corpo as direções perpetuadas nas mãos e em nosso abraço. – É verdade? – Perguntou-me a recém-jovem no meio do meu instinto materno. – Pelo menos não foi a “experiência própria” que te descobrira a pena. – Ninei-a emitindo um ch…

Solaris

O peito exclama o pensamento. Um subterfúgio estreito a ser corpo móvel nos resíduos estáveis a colher... Não são gotas d'orvalho as paisagens funestas, tampouco um riso apatetado à deriva de qualquer mendigo.
Beatifica o senso no que é defeso à moléstia. Firmou a esquelética casa jovem sobre a traspassada imagem futura, golpeou-a; e seu ataque bufo lhe é parental, sem entrelace chicaneiro... Uma rabularia profetizada nos autos conhecidos do ideal. Prévio acaso nos diálogos imersos d'um homem, a cidade se encarna na sua semelhança rítmica, desde que laboroso... Acolá das flores, o drama conta os passos do duelo lido entre as absolutas modelagens honestas. Apesar de misérias, muito se alastra a loa incrível da tristeza anosa e inspirada que avistou a estrela através da própria hora... Impiedosa comoção a represar a interpretada inocência. Em bichos nossos, couro cresce e eles marcam. Deslocam, à ferro, elementos e exploram futuristas em nosso foro íntimo. Tanto imerso e sugesti…

Meia-nota ao solo

Tornou-se ao espondeu criado um rastro de vida durante si mesmo. Caminhou cifrando nas cordas o risco cantarolado d’um amante esquecido, e se apostou com cupidez entre seus escassos bramidos vaselinosos que assim legitimou a ínfima animosidade.
Ao jugo responsável pela coação revelou-se afoito e jactou-se pela extensão do próprio nome breve. Antegozou na expressão d’outro como se a idiossincrasia clamasse seu anjo sobre a teoria abissalmente explicada ao esquife premido...
Ícone orgástico na bizarria mordaz e resoluto transparente sob a pátina visão nostálgica da eutimia, seu descortino etéreo saberia irromper nestes vestígios incautos que, apercebidos, nos registram... As palavras ulteriores nos esguichos do sal ainda alvitram às inquietas deusas já esmaecidas sobre o séquito abnegado.
Enleva a cândida lira ensandecida por gestos imputáveis. Um exame cabal pelas esferas sedimentares d’um delíquio; não inerente ao proposto capitular, senão cingido a protuberância nevrálgica. Cometera ar…

Um rastro d'atmosfera

As nuvens criadas sobre o leito aliciador assim ostentam suas sombras da terra onde está Baco. Subjacente à renúncia camuflada no arrepio, culmina naquelas o dilema incinerado na sofreguidão de sua crueza... Na antevéspera do respiro, os brancos ares ao alto alegavam a polidez gélida de Anaxímenes, visto que todo plácido sobrevivido fartaria seus encômios.
Lençóis canhestros enfeixam a liberdade impávida com amor e rubricam intimidade. No que transparecia o âmago, abdicava-se a matéria em seu próprio terreno... À desforra flutuante se entronizava!, mas a ordem de suas ilações não mais arremetiam o jogo inerte e prosaico... Este referendou a argúcia da volta inexpugnável.
Repouso condescendente ao paradoxo que se isola n’algum proscênio. Talvez revelasse o seu epíteto ensimesmado no inequívoco... Casos expiáveis insuflavam com ternura os fios que acolhem olhos deslizantes sobre o caminho de mim... A alvura valsada trabalha para uma cama imaginária alheia, cuja figura esbatida valeria o…

A fúria d'areia

Sorve o líquido apaziguando seu rosto igual aos caminhos. Nada hoje pertenceu ao rastro ambíguo do transbordar, nada, então, ser-lhe-ia útil se penetrado na boca do segundo mundo.
Acontecera há centelhas partículas de nascimentos a utopia mascarada das sombras. Em vestes iniciadas, lá e cá entre domínios, a pele calcificava seu brilho; dentro d’outra sala acomodava seu par... O ponto d’um mistério até onde sua dita se torna grosseira ao avançar pela natureza cometida. Outro dia, sem contar, surpreender-se-á com o mesmo quadro que não acata dúvida: o detalhe em toscas faces lançadas por estranhas cenas de seu fatídico objetivo cortante e oculto.
A hipótese d’um terceiro ser a assistir à consequência toma vulto... Todavia, foi desnecessário discorrer sobre seu modo possessivo que a assegurava contra alguém. Um tato estranho quanto brioso, absorvido pela figura contida da certeza... A ocasião se aprofunda no obscuro símbolo pertinente, riscado à leveza concreta da procrastinação, mas o …

Das escusas padecidas

Nivelar o discurso na qualidade obtusa dos olhos. Durante o rosto, lá vagueia na porta da estranheza a longa haste decadente, equilibrada entre um suspiro e outro imiscuído dia expirado.
É o frio a fragmentar o fogo que mais nítida reage perante seu açoite... E a pele alva de fissuras lembradas se acoberta no fantasma esfumaçado de meu imo. A quem se refere o espectro dono perfumado da flama sugada? Uma estimação caridosa, humana na condição do vício, e diferente oportuna no que concerne a direção da brisa chocada.
Furtada, a tristeza se esmiúça aniquilada de suas vestes. A moça-verve, porém, amiúde, não traveste sua idade pedante pelas frentes que a esperam, mas de sentir das confusões pelas gentes... Honesta consigo mesma nesta parede adornada de obras suas imaginadas por alheios, à visita fora apresentada a finalidade de não estar ali. Espírito este que a proposta sôfrega inspira, queima, destrói, e abandona sem crime perfeito. O que alguma vez se aconteceu mãe, entenderá a sombra…

A sós com a alma II

Que luz é em ti? Que luz há em ti? O que te faz luz? O que te acende nesse tom solferino por trás dos gracejos femininos de tuas uvas?
A rubrica do pincel no exato momento da força despe um todo simples corpo laborioso em sua própria camuflagem. Insistiu tua cor amarela sob a lâmpada que se apagará... Assim se dissolve o plástico caloroso envolto no sangue colhido das sombras; e tua sobra emerge das roupas dispersas sobre o chão de meu desejo.
Ah, jovem vento que me ondula na aquarela! Mergulhada, ida e bela nas densas cores líquidas, esforço-me na minha atividade... É o propósito teu descobrir mistérios (os meus em teus mistérios) na física natureza mestre que nos melhora em par. Transformando a tinta em matéria de luz, esvaímo-nos da facilidade pela qual se conduz a pessoa nos olhos insensíveis e dominados.
O evangelho se curva ao corpo e ao movimento abstrato das líquidas cores expelidas entre nossas conchas unas displicentes. Quando a obra justifica a existência da pele em todo s…

Êxito com unhas

Confesse um erro e se torne humano! Que fracasso antes não foi a soma abrupta entre o desejo e a imperfeição? Um colo a se querer do travesseiro amigo leve da solidão que pensa a surpresa dos sonhos a viver-nos inquietamente na fechadura da porta alheia que vigia...
Traçam-nos partindo d’um ponto-lugar imediato. É a experiência, é a equipe memorável e criativa que emerge das fontes na composição final. É o olhar do erro sobre a fragilidade humana. Quais os discursos de sucesso e superioridade não se mutilam de fracasso? Salve-nos, Imperfeição! A sermos estrutura do jogo, desdobrados em significados humanos, o despedaçado espetáculo nos especula no querer do outro, do nosso próprio nome.
Ensaiar as diferentes personas nos resulta em peças de exposição. Tentativas, falências, falecimentos. O desastre fictício cria sua trama entre a pessoa e o público. A quantos vários somos o belo, o inserido e o doador? Privada, a dor inocente mantém sua solene recepção artística e pintada no contraba…

O desígnio do conto

Os alheios a questionavam sobre seu feitio solidário. Jamais pensou em fazer algo parecido. Em meio ao fluxo da Rua Venâncio Aires, com passos largos que apontavam o medo do atraso, Helga se dirigia à imobiliária. Era corretora de imóveis, conhecia todas as casas, subia escadas de dois em dois degraus... Um dia, ao sair de um prédio, avistou uma banca de churros e o cheiro da fritura lhe atraíra os salivares famintos.
    - Empacota dois para mim.
    - Qual o sabor, senhora?
    - Doce-de-leite. – respondeu Helga. – Os dois. – reafirmou.
    Um jovem surgiu nos fundos da vendola, estava com a camiseta e o cabelo úmidos. Indicava que havia corrido pelo Calçadão inteiro em busca de ingredientes e resolvera disfarçar seu cansaço nas frias gomas do gel fixador. Ele olhou para Helga e sorriu. Seu cabelo apresentava uma franja para o lado direito, e realmente, ele parecia muito menino para encostar seu rosto naquela lâmina de barbear...
    - É seu filho? – Perguntou Helga.
    - Enteado…

A sós com a alma

O universo te chamou pessoa; e humano, no interior de minha casa, saíste da moldura clássica com teus trejeitos de tinta quieta... A contemplação entrega a mim – e bastaria somente – o enunciado de teu nome; no entanto também me situa perante a interrogatória da ultravida... É dizer flor, é dizer Cezane, é dizer o porquê, é dizer industrial e Duchamp em nossos personagens que há séculos conhecíamos numa tarde aos risos das madeleines proustinianas...
São longas mulheres e inclusos tempos colhidos sob as abas dos chapéus... Um sol a guache traga para si a confusa essência, ora das margaridas, ora do ensejo-fêmeo retratado (ainda sob a aba do chapéu). De ti o outono vem pela abelha na fertilidade liberta de flores...
Que sorria, portanto, de tão jovem nesta sombra entre as luzes bailadas. Conheci o violinista repousado na sorvida do conhaque, vista a concessão daquele bom e rústico mirar que antes orquestrou partindo. Suspiros idos de tua cara anunciar-se-ão em outras almas: é o porquê, …

A cobiça da sombra

Por aquele muro, concretas cores nas caminhadas sombras acalcaram corpos de intuições. Uma cara foi areia quando surgiu efeito, uma doença visitou o frontispício condicional de ternura antes do céu – lá alcançado ao solo que se jogou... Onde contaram espasmos do segundo, a parede com hachuras já determinava seu símbolo de menino.
Animal do louco pelo que do alheio se sente. Convergir dores na obnubilar labareda interpretada a fim de parar qualquer nome de arbítrio; salvam-se, pois, as idas dos tijolos frente aos vitrais. A curiosa tela estava, aos poucos, tornando-se esquiva... Velha mordomia confiando a caída escura sobre as folhas que massageiam o infinito.
Flanam gente e morte. A seriedade, a chicote, delineia o jogo de cintura entre os cães que ladram... Alguns, por esse muro, comemoravam com dor o rechaço dos bons ditames. E em nós, a enfática tempestade cria-se superior à natureza... Quando esta capitula, o instinto a sanciona. São as falácias de pedra que adulam o seu rosto o…

Dos começos alados

O passo espalhado, caros filhos... Hoje, por alguns, relutado, negado, renegado a si talvez por representar um retorno ao diminuto iludido que fizeram juntando heróis e planos acima do ser pessoa. Por ora, apenas sentidos próprios entre ambos num labirinto confesso. Chamar-se-ão de termos que lhes caibam toda amplitude amada e vivida; calar-se-ão de palavras que a nada-realidade se refere, pois descansam sobre a verdadeira maneira de estar encaixados mundo a mundo...
Aquele sorriso do peito, caros filhos, que o crescimento palpita nas suas infantas peles a se harmonizarem com a solidão divida e platônica no que o outro respira... E do que precisa? Um recanto preferido por vocês, caros filhos, cujo externo que os criou - e ainda o faz - agora confie a certeza imposta de sedução angelical.
Ah, caros filhos, entre jogos ou recusas, a camuflada despedida deixa um recado para a sua próxima chegada. O protagonista revoluciona a si cercando suas próprias margens – vê-se o aquário criado en…

E este vão...

Num suspiro brando quis-se o ocaso, quis-se com ele a alvura d’alma pressagia naquela porta cantada. As ditas semelhanças não mais se incluíram em olhares claros à rima dos corpos. Decompõem-se algumas verborragias declaradas cuja antiguidade fora a matéria buscada... Fósseis de fomos, um ataúde completo de gargantas pulsadas enquanto lá, um dia, se correra. Ao Deus plácido que nos inspirou de peito, chega-se à casa amorosa, porém distinta e alheia. Desabitada e infinda. Golpeada em nós e em nós atendida.
Que loucura receberia? A partida? O indício malévolo soado na campainha desta arquitetura condenada, flagrada frente à catedral séria e de vigilante altitude... O grau d’Aurora desalinha a marcada hora; não obstante, poderá garantir o terreno há pouco escondido na liberdade.
Tem-se faminto qualquer animal de espelho carnoso! A crendice que se joga suicida em sua criada armadilha logo é amparada na sua própria solidez (acompanhada de diversos rastros). Cobrira, pois, os riscos já ido…

Grânulos

Espera-se a condição rabiscada do seu final. A recordação se desgasta na proteção maior e covarde, digna de sua derivada avaria: desnecessários braços ao imenso plano.
Queríamos ver a roda personagem num meio extremo de rendição. Entusiasmo só entre a tolice da casa branda; e mirando a rosa perpetuada, a hora ninfa acolhe-o na sua maternidade original... Cada paz com sua sinestesia. Amálgama de sentido solitário e incômodo aos sóis enumerados na pedra...
Ouvidos para o clamor do anfitrião e abraço para a ansiedade dos amigos... Ao giro completo, meninos jogam nostalgia sobre as peças faltantes. Não esqueceríamos, portanto, a vicissitude comprazida em nosso próprio desgaste, mas de renomado assunto a nos aspirar juventude.
Leríamos segredos nos sons mensageiros. Ar de tudo, o canto escondido ou rimado, masoquismo d’um rouxinol qualquer a procurar o caminho conforme o audível frio... Eis o corado infinito a nos içar em suas árvores carregadas de socorro...

Berço d'outono

Levante suas armas como se levantasse suas lentes escuras. Admire a catarse defesa dos amigos reduzidos. Pretendia a constelação respirada o desencontro já passado na áurea despedida... Não, ao menos afirma a paisagem que nos permite macular um mundo.
Criados em berço d’outono, nossa mãe possui o grito da sorte. Sem desvio, a luz é apenas dos olhos – uma cara tão linda – descobrindo a estúpida derrocada das costas... Outra condição vaidosa do astro e a mendicante afeição se presenteiam sendo o bom entretenimento pior.
Uma bênção arejada de lâminas, ares do meu tabaco reiterando a face que possui e que me deixa socorrer. Adulterada está a luz calculista e cúmplice da pretensão... São dos ares o tempo e a expressão: foi-se um deles regressando ao ponto d’agulha que furou a estação.
Encabeçou o plano formulando o álgido mel entre os colibris... O segredo se fez solo quando prendia a lucidez. Luzida nuvem aguada no bom destilar do rosto; uma intenção desperdiçou a flor viva no canto, mas s…

Pelo ar de cinza

As demoradas e tensas formas expiram personagens que antes se queimaram no labirinto. Papeis descartados com seus desenhos entre minhas mãos – para que sim eu os tivesse – solucionaram seus rostos complacentes de justo volante. São traçáveis seus pontos jogados fora da cinza, agora dispersa.
O beijo então alumia um foco rápido. Extensamente anoiteceu o defeito que usurpava sua volta, e tudo se fazendo santo crescia naturalmente em qualquer invento. Longínqua tangência do amigo à velha memória encontrada na nuvem encorpada de juramentos. Como as armas carregadas de nova era, a fumaça tornou-se autoconfiante, mas entediada...
Cumprimentam-se o sadismo e o contagioso na sociedade lúcida do melhor. É menos perigoso, porém, as torres soberbas de concreta imaginação, quando esta sorri negando... Quão célere e só se aturde o encontro fiel. Surtou-me sua falta entre a morte dos frutos. As pernas que matam a importância estão fracas enquanto a caixa presenteia.
Vista a atração, somos queixa …

Belvedere

Permanecem os riscos na sofreguidão que nos fricciona. Qual é o nada circundante, este prisioneiro em meados juvenis do bem? Subiu o monte aquele crente confesso... Dormitou a lagarta enquanto paisagem... Rascunhou o carvão durante o corpo. As escolhas de um vão venoso (apenas) não se sentem; foram-se descobertas e partidas, arrumando ventanias.
A porta gentilmente aberta pelo mordomo nomeado à figura castrada recebe a temperança para contar sua epopéia cristalina. Os candelabros, ora iluminam, ora ofuscam conforme o sopro ansioso dos demais, entre eles, um meliante buquê másculo. É a fábula d’um bem sequer fracassado, servindo escudo ladino ao velório... – Vigia a criança.
Disse o santo sanguíneo que o objeto flutua em consciência. Sobre os outros que nascem e se dispam e se dissipam. A cabeça concluída se fez larva num total fetichista – eis a sombra fingida, quando germinada, acusa o rapto ilustre do repouso.
Qual postura vingada supre a demência de Parmênides? Qualquer severa apatia…

Pétala atravessada

O que compõe a vírgula, senão a pausa e a companhia? Naquela insônia solitária de imagens que se quis, cães e alaridos, o blues solidário estende o braço de sua guitarra esperando os dedos plausíveis de estórias.
Temos nomes entre os sinais e em qualquer grafia cinzenta n’última página da viva-voz. Para dentro eles cantam e nos acomodam afora em toda marginalidade lida durante a descida do vinho. Tal é a festa soletrada, acumulada, experimentada, na qual a mimese permanece. Que última visão carente passou frente ao local? A dor havia ludibriado a sátira lacônica de um gato a espreita... Foi-se o muro e a porta; sua endêmica saída à mercê dos anjos e dos mendigos carnudos...
Apenas a saudade garante o crime iludido do final! Curvam-se então as ruas, enfim sós, com o próprio tempo... Em cada um, a hora dissipada serve o banquete. O bom engenho mistifica a luz com serena posição... Pega vida oblíqua cuja planta nova ocupa outra folha. Camufla os passos o outono caído de velhos pesares.…

A obra vestida

Por onde anda o monge são? Observei pela luz medida o tratado do fogo. Escutei sentido no afeto das mãos notívagas jantando os deuses que orei sobre a mesa... Amante comunicado entre as riscas do espectro ainda expira nas frestas.
Sei de mim que insiste no raio que o parta da ira – a letra acamada e pequena carente. O corpo, vidente maior, se envaidece de cristal vestido. E o filho? Foi de amores escrita a isca do lápis... Outra vez o pecado se encontra em qualquer vaga da razão. Cara versão companheira de enredo... Seu argumento compreende a maquilagem caída no espelho ao som da fera em sua oração privada. Assista-me, paredes, e outra vez as agradecerei. Agradecê-las-ei pelo apoio, apoio dos braços, do corpo, do solo que rodopiou jogando o bonito caso à concentrada engolida... De gota em resto somos mantos formados. Decoram-nos o beijo, o pranto, o nome riscado na sorte líquida...
Síntese sistêmica de histórias petrificadas naturalmente pelo pó utópico. Resultado da tal fórmula exper…

Diabos tortos

Sobrou energia e a casa se acostuma parada. A vista do piso retrai a cabeça mirando o bel-prazer do anjo que macula seus pés: figura ao teto liso e quadrado de nudez aludida ante o sono. Perde-se vidro, procura-se desenho. Pais e filhos, moldados à distinta genética do conflito, se afeiçoam na perfídia estática e empoeirada. Todos com estética personificada d’um animal empalhado, com a diferença de que cada um tivera sua maldade quieta sob a cama... Amigos foram imaginados, pessoas foram sonorizadas em móveis e o anjo acolhe o pranto da seda secretamente emparedada na incredulidade. As retas traçadas dos cômodos receberam os moldes poéticos de vezes apatetadas nas pernas e bocas. Reprimira? Jamais. Cuide os jornais que ainda passam por ontem na sua cara! Ah, casa de leitos! Corpo nosso de todos num dia que reza a lenda incomparável do louco. O silvestre perfume não se esquece frio e a veste negra do bispo equivale à face. Seja o paraíso um tijolo a menos da torre gótica. As pedras r…

Ah, mas é tanto você...

Que as histórias criadas acomodar-se-iam na pureza insistente de nossos olhos arenosos. Nestes enterramos um ao outro com toda voracidade do deleito amanhecido, e seriamos acalentados livremente pelo vento que ora direciona o esquecimento para um rumo contra a cidade.
Rocha, cama na qual foram recostados, entre os esguichos do mar e do esperma, os ímpetos prendidos dos corpos murmurantes – como se o próprio substantivo amor ditasse sua lei de segredo-, intitula no seu eu gris a chamada feroz do olho lunar. Do alto, a escuridão voyeur observa a imagem amante que se confessa ao desespero intransponível, e deste se compadecerá a aurora na demorada despedida.
Penso comigo, Você, ao nosso lado siri – rápido – que tenta o alimento circundando a areia e se assegura num refúgio profundo e não flagrante. Sem mais, incumbe ao oceano julgar os rastros saudosos que possui com gana natural. Ponto a ponto, para qualquer terra prometida em seu fundo, partiram nossos filhos em líquidos.