sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ah, mas é tanto você...

Pega em flagrante brincadeira pelo Francisco...

Que as histórias criadas acomodar-se-iam na pureza insistente de nossos olhos arenosos. Nestes enterramos um ao outro com toda voracidade do deleito amanhecido, e seriamos acalentados livremente pelo vento que ora direciona o esquecimento para um rumo contra a cidade.
Rocha, cama na qual foram recostados, entre os esguichos do mar e do esperma, os ímpetos prendidos dos corpos murmurantes – como se o próprio substantivo amor ditasse sua lei de segredo-, intitula no seu eu gris a chamada feroz do olho lunar. Do alto, a escuridão voyeur observa a imagem amante que se confessa ao desespero intransponível, e deste se compadecerá a aurora na demorada despedida.
Penso comigo, Você, ao nosso lado siri – rápido – que tenta o alimento circundando a areia e se assegura num refúgio profundo e não flagrante. Sem mais, incumbe ao oceano julgar os rastros saudosos que possui com gana natural. Ponto a ponto, para qualquer terra prometida em seu fundo, partiram nossos filhos em líquidos.

"[...] Muitas vezes perdi-me pelo mar, como me perco no coração de alguns meninos..." (Federico García Lorca)