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A obra vestida

Por onde anda o monge são? Observei pela luz medida o tratado do fogo. Escutei sentido no afeto das mãos notívagas jantando os deuses que orei sobre a mesa... Amante comunicado entre as riscas do espectro ainda expira nas frestas.
Sei de mim que insiste no raio que o parta da ira – a letra acamada e pequena carente. O corpo, vidente maior, se envaidece de cristal vestido. E o filho? Foi de amores escrita a isca do lápis... Outra vez o pecado se encontra em qualquer vaga da razão. Cara versão companheira de enredo... Seu argumento compreende a maquilagem caída no espelho ao som da fera em sua oração privada. Assista-me, paredes, e outra vez as agradecerei. Agradecê-las-ei pelo apoio, apoio dos braços, do corpo, do solo que rodopiou jogando o bonito caso à concentrada engolida... De gota em resto somos mantos formados. Decoram-nos o beijo, o pranto, o nome riscado na sorte líquida...
Síntese sistêmica de histórias petrificadas naturalmente pelo pó utópico. Resultado da tal fórmula experimental da física andante e balanceada em qualquer frasco têxtil. São frágeis as páginas com suas miniaturas enquanto dispersa a vontade mimética e máxima do abstrato. Curvam-se as asas ao alvo preferido – apenas o chamado que criva a serpente em seu leito arbóreo. Escorre mutante.

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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
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Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

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- Não, não posso esquecer, já que a cada cinco minutos tu me lembras que és...
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- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…