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Mostrando postagens de Abril, 2014

O desígnio do conto

Os alheios a questionavam sobre seu feitio solidário. Jamais pensou em fazer algo parecido. Em meio ao fluxo da Rua Venâncio Aires, com passos largos que apontavam o medo do atraso, Helga se dirigia à imobiliária. Era corretora de imóveis, conhecia todas as casas, subia escadas de dois em dois degraus... Um dia, ao sair de um prédio, avistou uma banca de churros e o cheiro da fritura lhe atraíra os salivares famintos.
    - Empacota dois para mim.
    - Qual o sabor, senhora?
    - Doce-de-leite. – respondeu Helga. – Os dois. – reafirmou.
    Um jovem surgiu nos fundos da vendola, estava com a camiseta e o cabelo úmidos. Indicava que havia corrido pelo Calçadão inteiro em busca de ingredientes e resolvera disfarçar seu cansaço nas frias gomas do gel fixador. Ele olhou para Helga e sorriu. Seu cabelo apresentava uma franja para o lado direito, e realmente, ele parecia muito menino para encostar seu rosto naquela lâmina de barbear...
    - É seu filho? – Perguntou Helga.
    - Enteado…

A sós com a alma

O universo te chamou pessoa; e humano, no interior de minha casa, saíste da moldura clássica com teus trejeitos de tinta quieta... A contemplação entrega a mim – e bastaria somente – o enunciado de teu nome; no entanto também me situa perante a interrogatória da ultravida... É dizer flor, é dizer Cezane, é dizer o porquê, é dizer industrial e Duchamp em nossos personagens que há séculos conhecíamos numa tarde aos risos das madeleines proustinianas...
São longas mulheres e inclusos tempos colhidos sob as abas dos chapéus... Um sol a guache traga para si a confusa essência, ora das margaridas, ora do ensejo-fêmeo retratado (ainda sob a aba do chapéu). De ti o outono vem pela abelha na fertilidade liberta de flores...
Que sorria, portanto, de tão jovem nesta sombra entre as luzes bailadas. Conheci o violinista repousado na sorvida do conhaque, vista a concessão daquele bom e rústico mirar que antes orquestrou partindo. Suspiros idos de tua cara anunciar-se-ão em outras almas: é o porquê, …

A cobiça da sombra

Por aquele muro, concretas cores nas caminhadas sombras acalcaram corpos de intuições. Uma cara foi areia quando surgiu efeito, uma doença visitou o frontispício condicional de ternura antes do céu – lá alcançado ao solo que se jogou... Onde contaram espasmos do segundo, a parede com hachuras já determinava seu símbolo de menino.
Animal do louco pelo que do alheio se sente. Convergir dores na obnubilar labareda interpretada a fim de parar qualquer nome de arbítrio; salvam-se, pois, as idas dos tijolos frente aos vitrais. A curiosa tela estava, aos poucos, tornando-se esquiva... Velha mordomia confiando a caída escura sobre as folhas que massageiam o infinito.
Flanam gente e morte. A seriedade, a chicote, delineia o jogo de cintura entre os cães que ladram... Alguns, por esse muro, comemoravam com dor o rechaço dos bons ditames. E em nós, a enfática tempestade cria-se superior à natureza... Quando esta capitula, o instinto a sanciona. São as falácias de pedra que adulam o seu rosto o…

Dos começos alados

O passo espalhado, caros filhos... Hoje, por alguns, relutado, negado, renegado a si talvez por representar um retorno ao diminuto iludido que fizeram juntando heróis e planos acima do ser pessoa. Por ora, apenas sentidos próprios entre ambos num labirinto confesso. Chamar-se-ão de termos que lhes caibam toda amplitude amada e vivida; calar-se-ão de palavras que a nada-realidade se refere, pois descansam sobre a verdadeira maneira de estar encaixados mundo a mundo...
Aquele sorriso do peito, caros filhos, que o crescimento palpita nas suas infantas peles a se harmonizarem com a solidão divida e platônica no que o outro respira... E do que precisa? Um recanto preferido por vocês, caros filhos, cujo externo que os criou - e ainda o faz - agora confie a certeza imposta de sedução angelical.
Ah, caros filhos, entre jogos ou recusas, a camuflada despedida deixa um recado para a sua próxima chegada. O protagonista revoluciona a si cercando suas próprias margens – vê-se o aquário criado en…