sexta-feira, 18 de abril de 2014

A sós com a alma

O universo te chamou pessoa; e humano, no interior de minha casa, saíste da moldura clássica com teus trejeitos de tinta quieta... A contemplação entrega a mim – e bastaria somente – o enunciado de teu nome; no entanto também me situa perante a interrogatória da ultravida... É dizer flor, é dizer Cezane, é dizer o porquê, é dizer industrial e Duchamp em nossos personagens que há séculos conhecíamos numa tarde aos risos das madeleines proustinianas...
São longas mulheres e inclusos tempos colhidos sob as abas dos chapéus... Um sol a guache traga para si a confusa essência, ora das margaridas, ora do ensejo-fêmeo retratado (ainda sob a aba do chapéu). De ti o outono vem pela abelha na fertilidade liberta de flores...
Que sorria, portanto, de tão jovem nesta sombra entre as luzes bailadas. Conheci o violinista repousado na sorvida do conhaque, vista a concessão daquele bom e rústico mirar que antes orquestrou partindo. Suspiros idos de tua cara anunciar-se-ão em outras almas: é o porquê, é o sentimento, é a continuidade do véu no festival de pipas em cores... Ao dístico somos nós e o vento curvado ante o calar do retrato num beijo.