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Delgado

Tecido preto encobre o fraco vermelho. Aos olhos alheios parece-lhes que choveu ou que se destrói a pele no altivo suor. Tecido preto não escolhe estampa... É belo e forte no cândido escondido... Figura interna pinçada a moldes criativos ou nostálgicos do que se consome...
A selvageria ouriça a pele sob o tecido preto. A mãe a acalma tentando passar por isso, mas a armadura têxtil suporta melhor. Cortou-se entre os segundos da sombra, entre os vãos cosidos e puxados. Fraco fio a vida conserva... Só de amores fica e espia os seus novos amores... Por todo o tempo, a imortalidade continua sendo uma criança.
Não anda, galopeia entre os sexos. Serve a comida com intuito de querer... Desliza o exagero de todas as doenças... Ninguém percebeu o liga-ponto desses cortes. Remendos compreendidos no deleite que a ampara. Sortilégios arrebatados da culpa sem suspeitos... Despedida içada na vela de um náufrago suspiro... A covardia é jovem.
O pranto alcança a boca... Quando desperta o tempo já foi; e se fosse apenas saudade... Mas continuam a lhe contar... A cada corte frisa a calma passageira da vida. Tecido das mesmas intimidades.

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Puseram a culpa

Puseram a culpa na pedra. Nesta que a água tanto bate até que fura. Nesta que Drummond encontrou poesia pelo caminho. Nesta pela qual João Cabral construiu sua educação.
Tem uma chuva vinda de vez em quando para lhe escorrer temporais fios de cabelo. Um e outro pássaro que ali pousa enfeitando com asas a suposição pesada de voar. Pessoa que ali se escora, pisa, senta e evapora a própria condição concreta de ser humano.
A vegetação morre, a pedra ali espera. É iludida. Não tem consciência da morte. Tem como companhia o dia, a noite e todo sentimento que se despede. A pedra ali espera. Uma lufa lhe acaricia nunca a deixando só.
A sós com sua rija confiança, o elemento cinza, pesaroso ao olhar dos outros, não elenca na sua cegueira quem nela se deposita. Machuca, às vezes, quem a ela chuta, por pura educação primitiva de ser pedra.
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Prefiro uísque, ela vinho: a verve metafórica das idades

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- Vinte e seis?! Cara, eu pensei que era mais! Sério. Quando dizes: Ah, podias ter brincado com meus filhos... Ou, então, que minha idade se vive de sonhos e a tua de lembranças... Ou, “à tua idade não há nada impossível, a minha segue à espera d’um milagre, Larissa”. Sempre, sempre o mesmo! Sério, eu ju-ra-va que tu tinhas séculos a mais que eu!
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Entre amigas: a passividade do possível

Saímos e vagamos de Biquíni Cavadão: porque só isso nos restava após doze períodos de aula - uma preguiça à domingo, porque só isso nos restava enquanto a cidade morria mais um pouco. Fomos de chuva, à poça, à calçada quebrada, como Elis e Tom, ao fim do caminho. Um bar vagabundo e qualquer que vendesse um litro de Polar a seis reais. A luz da cidade apagou, e o bar, diferente dos sertanejos, desculpou-se e começou a gargalhar. Localizávamos no fim esconderijo do local, cobertas por aforismos filosóficos-literários, com Platão e Aristóteles somados a duas Polar sobre a mesa. O assunto do impossível ocorre:
L: O que nos mexe é a tragédia. Pensemos: por que não nos provoca certo orgasmo bisbilhoteiro nos interar da felicidade alheia? Porque o “insolucionável” nos move. O possível, cara amiga, nos leva à estabilização, à parada e à morte. O impossível é ativo.
M: Lembro-me de Quenau quando dizes isto. Ouve: A História é a ciência da infelicidade dos homens...
L: Cara, ele disse isso ant…