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A investir em arranhões

Tenho um subterfúgio para o final de quinta-feira: um canto de qualquer ponto de cinema juntando loucos admiráveis ao meu lado e nos inserindo nas notas de pausa e expiração d’um blues que compartilha, também, suas dores.
Puxo o passo entre as ruas do descaso humano. Prazer da solidão em reconhecer a madrugada urbana pelos cacos sonoros das lajotas que orquestram o trash-hard com meus saltos e os pedregulhos que chuto adiante como balas de revólver. Em forma de fones, Cazuza está suspenso no vão preenchido do meu decote. Deixei-o no volume máximo para o caso de mendigar “piedade”.
A primeira noite de hoje não foi boa – poderia me socorrer, então, esfriando as mãos nas chaves metálicas do saxofone –,  mas a segunda vem com amigos... Chega Silvana, minha parceira de fumaça. Logo mais a Cláudia e suas piadas, a Magdengosa, o Marcelo com seus caprichos anarquistas, e... e..., na continuidade das aditivas. O ponto de cinema se torna a versão remasterizada do Café Nice. Pedem a mim que sacuda o uísque enquanto o picadinho roda em todos os palitos... E não é que chega logo ao meu copo dosado o “declamador dos perfumes”... Ah, ele fica mais corado através do gélido amarelo; e sua carne dialética, longa, com pontos de quartzo ao alto, confere à caça da coruja o seu sonho durante o murro da sexta-feira na cara dos outros...

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