sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A querida dos sonhos alheios

Em mim é o cotidiano, vigiado, mas paciente. No outro, um sorriso.
O retrato partiu do seu brilho ocular. Este azul sincero. Melhor que a prateada diferença frente à minha cor branca levemente ruborizada, distinta pela manhã. Viu-me por mim um reconhecido autorretrato à Modigliani, assim pousada no entendimento d’outro. Com silepses de afago, este azul sincero de um moçoilo Chico Buarque conduz-me toda volta do meu cabelo recém disperso sobre minhas pernas. Disse como o vento entre cortinas que a luz se acendera através dos fios do conteúdo... Olhos que me diluo em seu lápis partido e regressado aos trejeitos do cotidiano os quais o vigiavam.
Pertenço-lhe de loucura viva. Enfim o seu suspiro cinza retirou meu próprio reconhecimento estático da escultura santa e o amoleceu nas voltas ventanias dos meus cabelos que ele viu. Ah, honra pelo coração que dos olhos azuis sinceros ele me julgou em sua bondosa adulação somada à minha complacência e à sua doçura. Renovou-me nas mesmas coisas, mas em excesso! Ousou, opinou: louco artista. Do outro lado, eu, a mestre, ora à natureza morta, ora à cena doméstica suave da professora de Chardin, soluçava a dúvida entre agradecê-lo pelo reconhecimento ou puni-lo por trocar as atividades do conteúdo por mim...