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Caro filho, filho meu...

Com jeito de Eduardo e Mônica, mas separados como Pais e Filhos
Há pouco, um grafite na mesa do professor revelou-me os ingênuos traços da tua descoberta masculinidade do amor. Letras claras, mas escusas, de tempo impreciso, definindo apenas o reluzir do sentimento no encontro entre a lâmpada e o móvel escuro – ambos velhos de uma nova história.
Leio meu nome e minha profissão ali jogados como Galatéia idealizada sobre o teu peito aberto, incerto de possibilidades, porque sabes que não mais vivo isto, meu filho... Quando nasceste, creio que eu recém chegava à minha casa esquecendo os poucos segundos da madrugada que contei. Ah, Querer: verbo bonito de ironia! No resumo da compaixão, meu filho, resta-me a graça que será ao lembrares de mim como base para escolher quem contigo amará.
Por enquanto, o espírito sonha em teu homem, meu filho, projetando a realidade essencial através de tua inocência – que continua pela exterioridade do corpo... Meu espírito, filho, há muitos divãs, despertou... E hoje vela a matéria a servir a ti e teus colegas com o máximo de maternidade.
Até que ponto o destino é réu-confesso? – Pergunto ao teu “Demais”. As letras tuas, maiúsculas de apoteose, discretamente despejadas sobre o apoio de meus cadernos, denunciam o segredo da inocência: a angústia. Sei pelos que amei, meu filho... Logo, me justifico na figura que tu tentarás a possibilidade de teus projetos, somente. Chega a ti mesmo, filho, com essa simpatia egoísta da angústia que dispões. A camuflagem platônica que inseres não é culpa, tampouco exílio.

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