sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Passado em matriz

Sobre nós há um conto de números e respostas ao jeito indelével e corpóreo. Cenas curtas, de arrasto à cadeira pungente numa amarra abaixo da mesa entre as pernas – estas tímidas mães que não correm, tampouco se exaurem abrindo-nos.
Pares de personagens vividos em diferentes décadas, cada uma com sua indolência – me dizes tu que chegaste com toda a inocência, não sabendo de minha história. Alinhaste o diálogo pelo percurso do vestido de noiva, nascida pelas mãos experientes de almejo, e finalmente escorrida junto ao chão carregado de fardos que aprendemos.
Do meu vestido branco parte a tua materialização do amor puro, sagrado e sacrílego. Em mim para a tua visão quero que seja um objeto exilado de sua função e contextos visuais... Apenas visa um pedaço têxtil, poeticamente elaborado, ora para a representação apartada da ser que a ti se despe das nossas realidades, ora para explicitar, sem donativos educados, o desejo efêmero, mas eternamente retornável, ora para deter nos vãos que permitem sua curta descida rodada a esperança de tua carência que não se restringe a este discurso. Âmago de corpo.