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Rhode: Raise bet!

Aninhada sobre o ventre de Rhode, esparramando os lábios...
[…]
Rest your weary head and let your heart decide
It's so easy, when you know the rules
It's so easy, all you have to do is fall in love
Play the game!
Everybody play the game of love
[…]
This is your life
Don't play hard to get
It's a free world

Em nosso jogo, infanta intenção seduzida que aprendeu com Musset a séria face dos dados, as palavras são palpite de risadas mordiscadas com tragédia.
Tudo se regra à predestinada oportunidade enquanto a estratégia já descobriu. Angústia. Chegar à perfeição em pele, mas o atual alcance da mesma se dá em boa companhia... Parte a comédia verborrágica na qual abusamos da sedução e dos maus-tratos. A vida louca questiona o arrependimento – este transgressor – sobre um déficit de atenção. Se cada instante contigo para mim se torna uma abstração da eternidade, Rhode, não tenho do que me arrepender! Crivo o pasmo sonho em tua face tabelada de vencedores...
Que peça tua brinca com minha angústia? A tua chegada, pivô de todas as estratégias, fecha um tempo a outro que descanso com medo da solidão. Universal declaração, mas com algum ímpeto teu. Fantoche social corrompido, a permanência torna-se leito educado sobre os túneis. Às nossas pernas, a caminhada longa e oprimida de pinos casa a casa – de família – e um perfeito lugar por baixo da mesa para extrairmos os falsos pudores.
Ao final das cartas, agora em terra, as tuas apostas sou eu. Com afã a vitória se adianta lutando contra os fundamentos mais misteriosos da vida, de ti ou de mim. Consequência da nossa elegância amorosa sobre o salto alto...

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