sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Rhode

Possui o corpo acostumado às linhas do conceito, mas insiste em confessar seu perfume que desce sobre mim como fada sem máscara – e dizendo gostar – ameaça-me com magia durante um jeito lá, um passe cá disfarçado entre nossas cinturas...
É de delatar os vestidos! Com os saltos pingados no piso opaco abrimos e fechamos os aros visados de nosso regaço. Ofereço a mão macia à concorrência mostrando a agressividade feminina no seu auge. Camuflando tecido e ambiente escuro, volto à minha posição pela linha congruente aos riscos das luzes que traçaram o escuso puxado dos olhos.
Nossos corpos sinônimos e a mesma curiosidade nas notas da entrega musical. Somos beleza; talvez uma simples brincadeira de dança aos olhos daqueles que nos assistem, mas o poema em nós abstrai em aliança epidérmica de toque leve. Sorrisos entre bocas rubras pontuam entrelaces das nossas letras salazes em unhas tingidas.
Somos sinônimos dando asas ao conceito – para longe. Em nosso sofisma de agrado, a concorrência, à margem da pista, nos acompanha com inocência voyeur... Circunstância da liberdade – que é uma potência feminina – sendo o bem. E esse bem se deixa definir somente entre a nossa parelha sincronia curvilínea dos seios palpitantes. Um palpite ao baile da destra à Don Giovanni...