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Mostrando postagens de Novembro, 2014

O segundo começo com ela

Seis da tarde. Hora para encher as ruas unindo-se aos demais cansaços do dia. Hora como era de se esperar, diria o Chico... De ouvir batidas descarregadas nos portões... De colher nos pés o calor do asfalto e algumas lascas de pedregulho que insistem nas brechas das sandálias rastejantes...
Entretanto, às seis da tarde, estava ela na sala dos professores com Rhode. Compartilhavam risadas entre sorvidas num chimarrão verdinho, de paz quente e aveludada, que renovava qualquer fardo docente neste fim de turno. Os demais colegas já haviam fugido para aproveitar cada segundo de pouco pensamento em suas casas... A sós com ela, Rhode, aparentando leve rouquidão após dez períodos de aula, dispara-lhe um convite:
- Daqui a pouco teremos de fechar o colégio... Vamos sobrar por aqui se não formos embora logo. Queres ir?
A entrega desta pergunta soou à sua garota uma explícita fantasia amorosa, visto que Rhode falou com a boca muito próxima a ela. Mas resolveu concordar com a ética da profissão…

Sedimentar vênus

Concreto que ao corpo acoberta entre os verdes suspiros afora. Fantasia-se a história de véus. Sobe-se como sentimentos, espiando janela por frestas. Colhe-se folhas e pedras, pensando na evolução sem ao menos preservar o evoluído...
Cores são vistas e prescritas a cada curiosidade. O céu mesmo, as cores tranquilas e pingadas, as mesmas. Qualquer visão ao alto esperançoso se pensa no vazio da escuridão... Quem também esperou sentindo-se diferente, porém comum? Monstro de fraco sopro na corrente do Letes! Linhas finas em seu céu pouco de olhos consumiram sua natureza em números contados golpe a golpe.
Passou matéria de si, então, lá existia grande trabalho de sangue e patifarias de erros que insistiam na mudança, porém. Sentiu falta até esta ser ofuscada pelo grande assombro do muro conformado. Calor de outras belezas cruzou ângulos entre suas pestes, diluindo a terçã enfermidade. Remediou-se de bocas em seu solo.

Nas permissões da prata

Oleosa plástica nas mãos remediadas de preguiça, entre todos os capitéis de pústulas arrebentadas por alguma faísca de velhice. Ao próprio mar, fustes cujas arraias à sangue se inchavam de moléstias crescidas pela pintura a óleo... Enquanto ela pudesse aparecer com cornijas, aqui, o olhar argento a fazia num vazo romântico de sua repetência. Ah, quantas recordações sob sua guarida! O espelho é o melhor narrador em terceira pessoa. Pensamentos: altos dos elzevires numa vidrada visão espaçada entre alguns riscos e pontos sujos da própria condenação.
Por vezes perdida, pergunta ao ponto de se confiar se o cristal à frente pode ajudar... Ou se a única pessoa ao longe, mas dentro daquele cristal, pode encostá-la. Entretanto, uma dose, bebida depressa, a faz considerar a situação mais calma... O espelho já havia retido a imagem. Ela estava escondida novamente.
O ambiente, deixado entreaberto, sofria uma leve passagem de ar vindo de outras frestas. Ele se fechava à suas costas cobrindo-a e…

Corpos primos

Eu escolhia meus dedos enroscados, mas não perdidos, nos curtos fios secos que ele deixava acarinhar. Eu escondia e emulava um fio e outro na nuca nervosa daquele homem admirado com seu próprio sonho ali presente, observando entre sua pele anosa e seus cabelos um metafórico mármore grisáceo e desgastado de vida... Seu medo, assim, como lápide de cemitério, se esvaia do meio daquelas cinzas macias deixando um remoto frescor... Ele palpitava a respiração. Eu velava a vontade que no seu menino adormecia há mais de uma década, despertando-se a si mesmo quando os olhos fechavam e o tato o permitia sentir em minhas pernas uma expiação pela tortura.
Eram ruas de ladeiras asfaltadas entre semáforos e velocidades apontando o destino do tempo que corria. Lombadas em sua testa com sobrancelhas arqueadas, os sorrisos curvados de todos os “sim”, mãos que trocavam guias em minha pele. Nós, iluminados a dia, como toda multidão que escapava para baixo das marquises – linhas curtas de acordo com o m…