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Nas permissões da prata

Pelos olhos que a movimentavam. (Foto: Larissa Pujol)

Oleosa plástica nas mãos remediadas de preguiça, entre todos os capitéis de pústulas arrebentadas por alguma faísca de velhice. Ao próprio mar, fustes cujas arraias à sangue se inchavam de moléstias crescidas pela pintura a óleo... Enquanto ela pudesse aparecer com cornijas, aqui, o olhar argento a fazia num vazo romântico de sua repetência. Ah, quantas recordações sob sua guarida! O espelho é o melhor narrador em terceira pessoa. Pensamentos: altos dos elzevires numa vidrada visão espaçada entre alguns riscos e pontos sujos da própria condenação.
Por vezes perdida, pergunta ao ponto de se confiar se o cristal à frente pode ajudar... Ou se a única pessoa ao longe, mas dentro daquele cristal, pode encostá-la. Entretanto, uma dose, bebida depressa, a faz considerar a situação mais calma... O espelho já havia retido a imagem. Ela estava escondida novamente.
O ambiente, deixado entreaberto, sofria uma leve passagem de ar vindo de outras frestas. Ele se fechava à suas costas cobrindo-a e encobrindo-a. Somente para a pouca imagem, agora, ali refletida restam poucas horas... O espelho sempre tem pela frente um tempo amplo e propício. Às vezes gosta de nos possuir da maneira mais lenta e sustida. Figura de estima que muito se ergue para si, e por ventura, pelas palavras do outro, quando nos umbrais dos medos, permeia um sentido longínquo onde vela a palavra de um corpo onímodo. De si – o espelho nos observa – há outros ritmos e finalidades.

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