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Mostrando postagens de Dezembro, 2014

Farelos prudentes

Há um pássaro alcançando a convivência da gente nos riscos d’um caminho qualquer. Olhou a silenciosa pujança da sobrevivência sobrevoando os postais calmos que se assiste desejando.
A gente não aprende que possui asas, mas as apreende. Como a liturgia do dia que tudo certo aparenta, faz do medo o seu propedeuta; e nas suas poucas veias a teia se encerra no jugo do cerne corrompido e vazado nos vetos.
Contornos pingados, pastosos pastoreios de vaga recordação, seus contatos alados bradam a perda. Indagam na verve posterior qual olho será perdido pela vida que busca a si mesma. Nas mãos da perspicácia a fraqueza é alimento a outrem... Aos pés do cretino a bondade não é segredo sorrido.
Visou a gente a aurora daquele pássaro. Sob o lençol argento vai cortando este frio carnal que despede o véu. Parada semelhança da presença justificada de ira e paciência – tão loquaz – cuja criação se tem morta. De nada as dores cometem o nascimento. É permitido, é quebrado.

O segundo começo com ela IV

Mais nova a beijando entre cabelos e costas para despertar ao som de I write a song for you... - E aí foi porque eu gostei dela, porque queria entender a completude do que é ser uma mulher, e dei a ela todo o prazer que podia... Foi me puxando a ela até que eu pudesse dizer sim. Primeiro coloquei meus braços em torno do seu miúdo corpo. Os seus envolveram minhas costas com todas as mãos que o sentimento lhe dava. Ela me puxou para junto de si para que pudéssemos sentir o toque dos nossos seios. Pares perfumados. Sim, e o coração nosso disparava do mundo como louco... Sim, eu disse a ela: sim! Eu deixo sim, beijo sim, eu a amo sim!
- Ah, minha garota de quase trinta anos... Tu és a melhor James Joyce sobre a primeira vez entre duas mulheres...
- Não sei por que o igual ainda pode confundir tanta gente...
- Gente estranha essa! Tenta se completar no oposto, tão logo se esquece de si no outro que repele e repele, aos poucos, formando a infelicidade. – Começou a escolher peças de roupas…

O segundo começo com ela III

Seguiu pelo corredor, a porta ao fundo estava aberta. Um quarto amplo, de gesso forte nos rodapés e no teto para passar luzes incidentais. Uma claríssima modernidade em papéis de parede, móveis suaves e dois criados-mudos que exibiam três porta-retratos – na cabeceira dela: seus filhos, ela mesma. Na cabeceira ao lado: o casal... – Mas sobre a cama de casal havia uma mulher madura com roupão com laços entrelaçados, mas pretensiosamente soltos, e permitidas fendas que transpareciam nudez total. Não sentiu culpa. – Minha colega! – Exclamou a aprendiz do outro feminino...
- Entra, minha garota!
E a sua garota prosseguiu calada. Esta garota que não tinha nada ingênua e já tinha grandes alfarrábios na sua vida sexual, já que perdera a virgindade com dez anos de idade...  Sexo sempre lhe foi instinto. Cheiro de homem, que fosse ela de quatro, de compasso e aberta entrega! No entanto, perante Rhode, ela permanecia calada, paralisada!  Esse medo advinha da normalidade do amor, melhor dizend…

O segundo começo com ela II

Um apartamento planejado para neutralizar ruídos. Lá dentro o dia esquecia suas horas. Poderia ser seis da tarde, como seis da manhã, três da tarde... Cortinas, sofás, tapetes compunham um cenário macio imerso em luzes indiretas. Dia ou noite, o lado externo – tão longe – não importava. Soltaram seus pertences pedagógicos numa mesa de vidro... Rhode se jogou toda aberta no sofá, recuperou uma boa cara de arquivo, e mais afável que no colégio, ria mais, sorria voando, tagarelava com o único compromisso de ser feliz... Mui linda, uma dádiva de D’us! Ela puxou sua colega pelo braço jogando-a em seu pequeno colo naquele móvel... A cabeça da menina se acolheu sobre o peito da rosa. Ali ainda restava algum pó perdido de giz... Rhode a acarinhava passando-se com unhas-arrepios nos braços e cafuné. - Suor pedagógico. – Disse a garota professora sentindo o gosto úmido da outra pele feminina em seus lábios. - Temos os melhores suores. Mas o mate lá no colégio, o calor, a caminhada e o dia let…