sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ah, mas é tanto você...

Pega em flagrante brincadeira pelo Francisco...

Que as histórias criadas acomodar-se-iam na pureza insistente de nossos olhos arenosos. Nestes enterramos um ao outro com toda voracidade do deleito amanhecido, e seriamos acalentados livremente pelo vento que ora direciona o esquecimento para um rumo contra a cidade.
Rocha, cama na qual foram recostados, entre os esguichos do mar e do esperma, os ímpetos prendidos dos corpos murmurantes – como se o próprio substantivo amor ditasse sua lei de segredo-, intitula no seu eu gris a chamada feroz do olho lunar. Do alto, a escuridão voyeur observa a imagem amante que se confessa ao desespero intransponível, e deste se compadecerá a aurora na demorada despedida.
Penso comigo, Você, ao nosso lado siri – rápido – que tenta o alimento circundando a areia e se assegura num refúgio profundo e não flagrante. Sem mais, incumbe ao oceano julgar os rastros saudosos que possui com gana natural. Ponto a ponto, para qualquer terra prometida em seu fundo, partiram nossos filhos em líquidos.

"[...] Muitas vezes perdi-me pelo mar, como me perco no coração de alguns meninos..." (Federico García Lorca)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Plástica

Dispões em ti uma obra artística e meditada, a melhor definição de mim em estado de mudança – que se compreende na complexidade por si completa. Imersa, porém, esta pessoa se excede na ilustrada e absoluta completude realista. A atitude tua perdoa a catarse daquela que te aprazerá em juízo de envolvimentos confortáveis e flagrantes de utopia.
Retratada a sina em tua plástica tela, mais uma que observa a figura móvel e calculada da diferença entre o meu eu e o mundo, e entre quanto pertenço ao mundo, a mim e a ti. Presenteio o esquecimento e os devaneios abstratos que rastreiam incertezas ainda com figuras projetadas nas faces armazenadas.
Fenômeno tu, a consciência mede a obra convertida em uma réplica antagônica de si. Breve risco d’um pensamento calado enquanto observa passivamente as curvas em ti dominadas – repousa no leito a mirada amiga e digna de adeus – e levantadas conforme a disposição da paisagem.
Ponderemos, então, a recepção da janela aberta cujo esforço é infinito para desapegar-se. Qualquer singularidade nela se abraça forte e inteira como partícipe da pintura curiosa que se introduz no desejo. Permaneceste, pois, na parede branca...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ao outro livre...

Não... Não penso em não te amar. O que está em comum no imaginário amigo? A precisão do sorriso, meu caro? O preço não é qualquer, tampouco inoportuno, embora a desarticulação das palavras se esgote em nossos rostos complacentes de paz.
Há esperança na transmissão da alegria, uma delas, então, entre as diversas discussões devidas. É-me vigente o mínimo cotidiano que nos assemelhe. Liberto a desolação d’algema com a qual se solucionava a união... Fruímos, logo, da prosperidade dos pormenores – que de tão íntimos, já deram luz à inventividade prazerosa nos discretos recantos de noss’alma.
A minha legitimidade se enraizou na terra fecunda e solitária das escolhas. Algumas milagrosas, deliciosas e simples, cuja cara é apenas de hoje. É de se sentir, portanto, acompanhado por toda a espécie; um gigantismo compulsivo de todos os lugares e de suas intenções asfixiantes... Interminável sombra de nossas conversas, meu caro, na distinta saída enquanto profusão dos corpos.
Deslizar em tua casa, incompreensivelmente à regra sofrível do verbo amar, me faz delinear todo o encontro certo no qual brindamos a verdadeira liberdade sorvendo um do outro a paixão na taça d’um cristal que nos testemunha.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Formato transitivo

Em tecidos se multiplicam os outros em si, na modelagem prometida e ideal. Solidão, sincera companheira, brinda as enroscadas carências de tantos clímax e argumentos pressupostos sem vergonha alguma. É dizer, flagrar-se habitando seu imo sem desgosto e inspirando a certeza permanente, mas material dos genes e dos apertos das mãos...
Que depressa valerá a pena, porém, o alento pulsante, quiçá histérico, de todos os símbolos que nos encobrem com suas taxas e ícones místicos ao cruzar a estrada. A estranheza pudica traça seres agressivos na potência de existir, posto que faça bem à postura vertical e à difusa ordem e insegurança. Debaixo da pele está o adereço contornado do nascimento, cuja tradução surreal se faz solidária e combatente da ordem isolada e dosada.
O conforto se imiscui na procedência das criaturas deleitáveis. À espreita de minguados feixes sorridentes, se convém os fins ávidos da própria atenção... O som não se emite durante o pretenso instante de busca, pois dirigiu-se ao esquecimento mórbido das conquistas em desuso. A qualquer valor nossa casa se elucida cômoda da certeza e habitada pelos cômodos de portas desavergonhadas à chave. Cada utensílio pessoal serve de adorno à loucura.