sexta-feira, 30 de maio de 2014

Um rastro d'atmosfera

As nuvens criadas sobre o leito aliciador assim ostentam suas sombras da terra onde está Baco. Subjacente à renúncia camuflada no arrepio, culmina naquelas o dilema incinerado na sofreguidão de sua crueza... Na antevéspera do respiro, os brancos ares ao alto alegavam a polidez gélida de Anaxímenes, visto que todo plácido sobrevivido fartaria seus encômios.
Lençóis canhestros enfeixam a liberdade impávida com amor e rubricam intimidade. No que transparecia o âmago, abdicava-se a matéria em seu próprio terreno... À desforra flutuante se entronizava!, mas a ordem de suas ilações não mais arremetiam o jogo inerte e prosaico... Este referendou a argúcia da volta inexpugnável.
Repouso condescendente ao paradoxo que se isola n’algum proscênio. Talvez revelasse o seu epíteto ensimesmado no inequívoco... Casos expiáveis insuflavam com ternura os fios que acolhem olhos deslizantes sobre o caminho de mim... A alvura valsada trabalha para uma cama imaginária alheia, cuja figura esbatida valeria o sempre do faz tempo nos furtos do presente cometido. A forma cifrada se isolou no gosto, e este jamais confrangeria os exórdios que em minha boca se completam...

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A fúria d'areia

Quando a sombra é cúmplice do vento e a areia os testemunha... (Imagem: Larissa Pujol)
Sorve o líquido apaziguando seu rosto igual aos caminhos. Nada hoje pertenceu ao rastro ambíguo do transbordar, nada, então, ser-lhe-ia útil se penetrado na boca do segundo mundo.
Acontecera há centelhas partículas de nascimentos a utopia mascarada das sombras. Em vestes iniciadas, lá e cá entre domínios, a pele calcificava seu brilho; dentro d’outra sala acomodava seu par... O ponto d’um mistério até onde sua dita se torna grosseira ao avançar pela natureza cometida. Outro dia, sem contar, surpreender-se-á com o mesmo quadro que não acata dúvida: o detalhe em toscas faces lançadas por estranhas cenas de seu fatídico objetivo cortante e oculto.
A hipótese d’um terceiro ser a assistir à consequência toma vulto... Todavia, foi desnecessário discorrer sobre seu modo possessivo que a assegurava contra alguém. Um tato estranho quanto brioso, absorvido pela figura contida da certeza... A ocasião se aprofunda no obscuro símbolo pertinente, riscado à leveza concreta da procrastinação, mas o dono d’outro mundo refuta a insólita palavra-rosto da espera. Acalma-se, pois, a cadência n’algum imo a envelhecer.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Das escusas padecidas

Nivelar o discurso na qualidade obtusa dos olhos. Durante o rosto, lá vagueia na porta da estranheza a longa haste decadente, equilibrada entre um suspiro e outro imiscuído dia expirado.
É o frio a fragmentar o fogo que mais nítida reage perante seu açoite... E a pele alva de fissuras lembradas se acoberta no fantasma esfumaçado de meu imo. A quem se refere o espectro dono perfumado da flama sugada? Uma estimação caridosa, humana na condição do vício, e diferente oportuna no que concerne a direção da brisa chocada.
Furtada, a tristeza se esmiúça aniquilada de suas vestes. A moça-verve, porém, amiúde, não traveste sua idade pedante pelas frentes que a esperam, mas de sentir das confusões pelas gentes... Honesta consigo mesma nesta parede adornada de obras suas imaginadas por alheios, à visita fora apresentada a finalidade de não estar ali. Espírito este que a proposta sôfrega inspira, queima, destrói, e abandona sem crime perfeito. O que alguma vez se aconteceu mãe, entenderá a sombra dispersa nas escusas vontades d’um ser transbordado. Sujeito chamejante e líquido cortante assassino de seu próprio achado menor: objeto.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A sós com a alma II

Quando a arte justifica a pele... Imagem: Larissa Pujol.

Que luz é em ti? Que luz há em ti? O que te faz luz? O que te acende nesse tom solferino por trás dos gracejos femininos de tuas uvas?
A rubrica do pincel no exato momento da força despe um todo simples corpo laborioso em sua própria camuflagem. Insistiu tua cor amarela sob a lâmpada que se apagará... Assim se dissolve o plástico caloroso envolto no sangue colhido das sombras; e tua sobra emerge das roupas dispersas sobre o chão de meu desejo.
Ah, jovem vento que me ondula na aquarela! Mergulhada, ida e bela nas densas cores líquidas, esforço-me na minha atividade... É o propósito teu descobrir mistérios (os meus em teus mistérios) na física natureza mestre que nos melhora em par. Transformando a tinta em matéria de luz, esvaímo-nos da facilidade pela qual se conduz a pessoa nos olhos insensíveis e dominados.
O evangelho se curva ao corpo e ao movimento abstrato das líquidas cores expelidas entre nossas conchas unas displicentes. Quando a obra justifica a existência da pele em todo seu frisson perene, Sua Criação manuscreve a óleo o seleto nome possuído de definição sentida.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Êxito com unhas

Corpo recolhido com sábia ausência... O tempo observa. Ele é anjo. (Imagem: Larissa Pujol)
Confesse um erro e se torne humano! Que fracasso antes não foi a soma abrupta entre o desejo e a imperfeição? Um colo a se querer do travesseiro amigo leve da solidão que pensa a surpresa dos sonhos a viver-nos inquietamente na fechadura da porta alheia que vigia...
Traçam-nos partindo d’um ponto-lugar imediato. É a experiência, é a equipe memorável e criativa que emerge das fontes na composição final. É o olhar do erro sobre a fragilidade humana. Quais os discursos de sucesso e superioridade não se mutilam de fracasso? Salve-nos, Imperfeição! A sermos estrutura do jogo, desdobrados em significados humanos, o despedaçado espetáculo nos especula no querer do outro, do nosso próprio nome.
Ensaiar as diferentes personas nos resulta em peças de exposição. Tentativas, falências, falecimentos. O desastre fictício cria sua trama entre a pessoa e o público. A quantos vários somos o belo, o inserido e o doador? Privada, a dor inocente mantém sua solene recepção artística e pintada no contrabando do ser. A covardia se mata de vida; e esta unidade carrega os fragmentos de quem não sabe. Celebramos o tempo do espaço habituado, ainda que seja antes de nós.